Record Challenge Park: Futebol americano com lugar para todos

Lisboa Devils abriram um treino para dar luzes sobre o que se pode fazer no desporto que se joga na NFL

O Clube Futebol Benfica não tem apenas futebol. Ou melhor, o futebol europeu, convencional, tradicional, como lhe queiram chamar. Tal como o Record Challenge Park, que promete atrair miúdos e graúdos no dia 28 de maio, não se limita ao desporto rei em Portugal. Mas o que fui fazer ao Fofó, então? Jogar futebol... americano! Sim, o desporto de Tom Brady, Pat Mahomes, Davante Adams, Aaron Donald e outros que tais.

Na verdade, é um futebol que dá mesmo para toda a gente. E isso facilmente se percebeu a partir do momento em que pisámos o treino dos Lisboa Devils, que em momento algum se fizeram esquisitos com a nossa equipa de reportagem, mesmo que aquele fosse a última sessão para preparar um jogo decisivo nas aspirações da equipa que é treinada por Bernardo Solipa, ele que também é o quarterback.

E porque é que é para todos? Porque há gente de todos os tipos neste desporto que vai apaixonando cada vez mais gente fora dos Estados Unidos. Altos, baixos, magros, gordos, mais rápidos, mais lentos, mais talentosos, menos talentosos. “O que mais importa é mesmo ser dedicado e comprometido”, diz o Bernardo.

“Basta olhares para a nossa equipa e vês que temos gente de todas as formas e feitios. Há lugar para todos. Mas vamos lá escolher a tua posição para fazeres exercícios”, apontou o treinador e quarterback. Com 1,76 metros e 69 quilos, juntei-me ao grupo dos wide receivers para fazer algumas rotas e tentar receber passes.

“Vamos lá! Corres para as 5 jardas e é out”, gritou. Sorte a minha que gosto de futebol americano e até já entendo a conversa. Além disso, podia sempre imitar os outros receivers. Alguns passes fugiram por entre as mãos, mas acabei com direito a comentários positivos a uma ‘catch’ com a mão esquerda e uma outra com alguns malabarismos.

Bloquear é duro

Jogar a wide receiver não é só receber a bola. Também há que saber bloquear nas jogadas em que o passe não vem para nós ou é um lance em corrida. Foi tempo de treinar isso também com um ‘colega’ dos Devils, mas felizmente ele foi simpático e não quis partir-me ao meio.

A certa altura, por muito boa vontade que a equipa tenha mostrado, chegou a altura de me colocar de parte e ficar a ver quem sabe realmente jogar. Com uma destreza física e até de pensamento para decorar os nomes das jogadas, foram dando espetáculo. Mas qual foi a avaliação ao meu desempenho? Não sei bem o que pensar.

“O jeito está lá, mas ganha-se mais a treinar. Alinhares a free safety para fazeres umas interceções não me parece nada mal”, afirma o Bernardo. O que é que isso quer dizer? Até não estive mal, mas mudo do ataque para a defesa!  


Liga portuguesa nas decisões

O campeonato português de futebol americano é composto por oito equipas: Lisboa Devils, Cascais Crusaders, Lisboa Navigators, Lisboa Lions, Algarve Sharks, Maia Mutts, Salgueiros Renegades e Braga Warriors. Nas meias-finais, marcadas para amanhã, os Crusaders recebem os Mutts (19 horas) e os Warriors defrontam os Devils em Braga (16 horas). O Super Bowl português joga-se duas semanas depois, em local a definir, sendo que quem lidera os destinos da Federação Portuguesa de Futebol Americano é uma cara conhecida... Rui Pedro Soares, presidente do Belenenses SAD, que foi candidato único nas eleições. Desde então, tem feito trabalho para regularizar o estatuto da organização como federação, enquanto mantém as funções na equipa de futebol que luta pela permanência. *

Trocámos os golos pelos touchdowns: o futebol americano também está no Record Challenge Park
Por Pedro Gonçalo Pinto
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