Figo arrasa Infantino e exige demissão: «Mentiu, enganou e tentou encher os bolsos à custa do futebol»

Luís Figo na conferência de imprensa dos Laureus
• Foto: Lusa/EPA

"Poderia escrever 10.000 palavras sobre os problemas na FIFA. Mas a solução precisa de apenas três: Infantino deve sair", é assim que começa o artigo arrasador de Luís Figo, publicado esta quarta-feira no 'Daily Mail'. O antigo craque português exigiu a demissão do presidente da FIFA, apontando que o que viu exposto nos últimos dias é o "comportamento mais baixo, fraudulento e cobardemente egoísta" que já viu, falando do famigerado plano de venda do Mundial.

"Amei o futebol a minha vida toda. Fui jogador profissional durante 20 anos e, acreditem em mim, conheci alguns escroques durante o meu tempo no jogo. Mas o que vi exposto nos últimos 10 dias é o comportamento mais baixo, fraudulento e cobardemente egoísta a que já assisti. O homem que faria isso — o homem que tentaria forçar mudanças tão profundas apenas para se enriquecer a si e aos seus amigos — é uma relíquia do passado do futebol e não deveria ter qualquer papel no futuro", começa por dizer o Bola de Ouro do ano 2000.

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O antigo extremo questiona ainda porque o líder do organismo que tutela o futebol mundial escondeu da restante administração o plano da criação da FIFA Forward Enterprise.

"Se era uma ideia assim tão boa, porque não disse aos seus membros quando os tinha a todos numa sala antes da Final do Mundial? Se era um plano assim tão robusto, porque não disse aos seus membros os riscos, além daquilo que descreve como os benefícios? Se o plano era evidente e inquestionável, porque não foi honesto sobre o facto de que lhe iria dar um emprego de 30 milhões de dólares por ano no final? Mas nada disto foi feito. Porque não é uma boa ideia. Não é robusto quando falha em ser transparente sobre os retornos asfixiantes que o private equity procura sempre", acrescrenta.

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Figo atira ainda que Infantino deve abandonar a liderança da FIFA por não ter dignidicado o cargo e o seu isolamento e cada vez maior falta de apoio denota isso mesmo: Este plano — tal como a Superliga — foi despedaçado pelos meios de comunicação social, que expuseram cada reviravolta manhosa antes de os seus defensores alinharem o discurso. E ainda bem que assim foi. Infantino aviltou o cargo de presidente da FIFA que prometeu elevar. Mentiu, enganou e tentou encher os bolsos à custa do jogo que deveria servir. Perdeu o apoio da administração, dos seus assessores mais próximos, da vasta maioria das pessoas que dedicam as suas vidas a este desporto e até, ao que parece, do vencedor do Prémio da Paz da FIFA [Donald Trump]".

"É demasiado tarde para salvar a sua dignidade, mas não é demasiado tarde para salvar o futebol. Ele deve sair. Agora", termina o antigo jogador luso.

Por André Teixeira
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