2 DE MAIO de 1973 marcou o arranque de uma carreira fulgurante e recheada de títulos e prémios pessoais para Michel Platini, um médio ofensivo elegante, tecnicista, oportuno e combativo num tempo de futebol predominantemente defensivo (anos 80). Foi, acima de tudo, um símbolo nacional, um líder dentro e fora do campo.
Para alcançar a glória suprema, só faltou ganhar um Mundial. Esteve em três fases finais (78, 82 e 86), mas a França só chegou às "meias" nas duas últimas edições. De resto, um triunfador nos três clubes que representou e sempre com a sua (preciosa) contribuição.
Senão veja-se: em 78, pelo Nancy, decidiu a final da Taça de França ante o Nice (1-0) no único troféu de prestígio ganho pelo modesto clube, agora na II Divisão; em 81, apontou 20 golos no último campeonato francês ganho pelo Saint-Étienne; em 83, pela Juventus, resolveu a final da Taça de Itália no prolongamento; um ano volvido, fez o passe para o golo de Boniek na final da Taça das Taças com o FC Porto; e, finalmente, em 85, deu a primeira Taça dos Campeões Europeus aos "bianconeri" no dia trágico de Heysel.
Isto sem falar na selecção francesa, com a qual venceu o Euro- 84, com nove golos (incluindo um que eliminou Portugal nas meias-finais e outro na final com a Espanha) em cinco jogos.
Mas o currículo de Platini não se fica por aqui. Sagrou-se melhor marcador da Serie A italiana por três vezes seguidas (uma delas na época de estreia), tal como o sueco Gunnar Nordahl. E conquistou três Bolas de Ouro consecutivas (83, 84 e 85), o que ainda hoje é recorde. E pensar que Platini foi chumbado pelos médicos do Metz em 1971, por ser pequeno e franzino.
Genial, Platini tinha, contudo, tiradas de alguma arrogância, como o comprova a célebre frase após o jogo de terceiro e quarto lugares no Mundial 86 e antes da final: "Não creio que Argentina e RFA proporcionem algo de novo ao futebol. Aliás, penso que nada de bom saiu do Mundial." Esqueceu-se de Maradona. Um equívoco no meio de tantos feitos, aos quais colocou um ponto final no dia 17 de Maio de 1987 num Juventus-Brescia.
Seguiu, depois, a carreira de comentador televisivo, seleccionador francês (de 88 a 92, falhou o Mundial 90 e qualificou-se para o Euro-92), co-presidente do Comité Organizador do Mundial 98 e, finalmente, braço direito do presidente Sepp Blatter na FIFA.
Quem é quem
Nome completo: Michel Platini
Posição: Médio
Data de nascimento: 21.06.55 (Joeuf, França)
Carreira: Nancy (72-79), Saint-Étienne (79-82) e Juventus (82-87)
Títulos: 1 Europeu (84), 1 Taça Intercontinental de selecções (85), 1 Taça dos Campeões (85), 1 Taça das Taças (84), 1 Taça Intercontinental de clubes (85), 1 Campeonato francês (81), 1 Taça de França (78), 2 Campeonatos italianos (84 e 86) e 1 Taça de Itália (83)
Prémios pessoais: Bola de Ouro da "France Football" (83, 84 e 85); Bola de Bronze da "France Football" (77 e 80); Melhor marcador do campeonato italiano (83, 84 e 85); Melhor marcador do Europeu (84); Eleito melhor futebolista francês do ano (76 e 77); Onze de Ouro da "Onze" (83, 84 e 85); Onze de Prata da "Onze" (77); Eleito o melhor jogador da Europa pela "World Soccer" (84 e 85)
Na selecção francesa: 72 jogos (50 como capitão) e 41 golos
Outras figuras dos anos 80 a 90
MARC VAN BASTEN (31.10.1964, na Holanda)
Jogou de 1981 a 1993
Entrou na história do Ajax e Milan. Melhor marcador europeu em 86. Artilheiro do Euro 88, marcou um golo impossível ao russo Dassaev na final. Ganhou três Bolas de Ouro (88, 89, 92) e foi eleito melhor jogador para a FIFA em 92. Carreira gloriosa terminada de forma prematura por lesão num tornozelo (93).
JUERGEN KLINSMANN (30.07.1964, na Alemanha)
Jogou de 1981 a 1999
Recordista de golos nas Eurotaças numa só época: 15 na Taça UEFA em 95-96 pelo Bayern. Venceu o Mundial 90. Triunfou no Inter ("scudetto" em 89) e no Tottenham (em 95, foi o primeiro "continental" a ser eleito Jogador do Ano em Inglaterra)
MICHAEL LAUDRUP (15.06.1964, na Dinamarca)
Jogou de 1982 a 1998
O melhor jogador dinamarquês de sempre. Grande visão de jogo e habilidoso com os dois pés. Dois Mundiais (86 e 98) nas pernas e cinco títulos espanhóis seguidos (quatro pelo Barça e um pelo Real Madrid).
GHEORGHE HAGI (05.02.1965, na Roménia)
Começou em 1982
Apelidado de "Maradona dos Cárpatos" pela sua genialidade. Até o estádio da cidade-natal (Constanta) foi rebaptizado com o seu nome. Jogou no Barça e no Real Madrid. Venceu a Taça UEFA com o Galatasaray, em Maio.
ÉRIC CANTONA (24.05.1966, em França)
Jogou de 1983 a 1997
Polémico: golpe de "kung fu" num adepto (25.01.95) afastou-o dos relvados por nove meses. Conquistador: primeiro jogador a ganhar duas ligas inglesas seguidas por equipas diferentes (Leeds-93 e Man. United-94) e está ligado ao "renascer" dos "diabos". Sempre com a gola levantada.
HRISTO STOITCHKOV (08.02.1966, na Bulgária)
Começou em 1983
Com os seus golos, decidiu as ligas búlgaras 87 e 89 (CSKA Sofia), espanholas 92 e 93 (Barça) e a Taça das Taças da Ásia 98 (Al-Nassr). Bota de Ouro 90 e Bola de Ouro 94. Com o seu mau génio, foi suspenso por um ano na Bulgária em Junho de 85 (por bater no guarda-redes adversário) e "pegou" três suspensões superiores a um mês em Espanha.