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Treinador admitiu ter dormido com jogadora e acabou despedido: «Fui tratado como um criminoso»

• Foto: Reuters

Willie Kirk, o treinador da equipa feminina do Leicester que em março foi despedido por se envolver com uma jogadora, deu uma entrevista ao 'Daily Mail' onde diz ter sido "tratado como um criminoso". 

O técnico, que ainda se mantém ao lado da jogadora, contou como tudo começou. "Antes de mais quero dizer que eu e a minha mulher separámo-nos há mais de um ano. As pessoas devem estar a pensar 'ele é um mau treinador, um mau marido, um mau ser humano'", começou por dizer.

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"Uma das jogadoras contactou-me, dando conta dos sentimentos que tinha por mim. Disse-lhe que era ridículo e não dei azo a que a situação avançasse mais", explicou, garantindo ter rejeitado os avanços da atleta nos meses seguintes, lembrando-a que havia "um código de conduta" no clube.

Mas as coisas mudaram quando a jogadora se lesionou no final do ano passado. "Isso acabou por mudar as coisas, ela passou a fazer tratamento fora do centro de treinos. Pelo Natal aceitei encontrar-me com ela, estava lesionada, isso não ia afetar o meu trabalho pois não podia convocá-la. Claro que era uma justificação para mim mesmo, sabia que não estava certo. Depois do Natal começámos a encontrar-nos uma vez por semana, na minha casa ou em casa dela."

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O técnico sabia que a relação não era correta do ponto de vista profissional. "Chegávamos e partíamos às escondidas, porque claramente sabíamos que não era certo o que estávamos a fazer."

Em fevereiro, numa pausa para compromissos das seleções, passaram dois dias juntos em Itália. "Fomos e viemos em voos diferentes. Quando voltámos percebemos que as coisas já tinham ido longe de mais, que tínhamos de acabar pelo menos até ao final da época e um de nós tinha de deixar o clube. O risco que estávamos a correr era demasiado grande."

Só que alguém entretanto descobriu tudo e o Leicester decidiu despedir o treinador. "Retiraram-me de uma reunião dizendo que tinha havido uma queixa contra mim e que um advogado ia entrar em contacto comigo. Passaram-se 10 dias, estávamos a preparar um jogo da Taça de Inglaterra com o Liverpool. Uns 15 minutos antes do último treino, chamaram-me ao gabinete da diretora do futebol feminino, onde também estava um advogado do clube. 'Tens uma relação amorosa com uma jogadora?' A partir do momento em que admiti fui tratado como um criminoso."

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Kirk não escondeu alguma mágoa. "Sinto que o clube podia ter lidado com a situação de outra forma, houve falta de consistência comparativamente a outras situações. A culpa foi minha, não devia ter deixado as coisas avançarem (...) Mas a forma como tudo se desenrolou depois criou incertezas, rumores e contra-rumores."

O treinador lamenta nunca ter tido a oportunidade de se explicar. "Penso que devia ter falado com o staff e as jogadoras, para me explicar, para pedir desculpas e mostrar o meu lado da história. Essa conversa não me teria segurado, mas nunca se sabe. Tem sido frustrante e penso que alguma da frustração se transformou em ódio. Odiei o clube. Tenho momentos em que me arrependo da relação, embora ela ainda continue. Isto não foi um treinador a exercer o seu poder e a dizer 'anda para a cama comigo para assim integrares o onze'. Tenho carregado este ódio, que é errado, mas é decorrente da frustração de não me terem dado a oportunidade de falar."

E concluiu: "Não sou um criminoso, não cometi nenhum crime. Coloquei em risco o ambiente da equipa e claro que isso é grave. Mas o clube também já cometeu erros no passado. Agora fui eu quem cometeu um erro e não querem nada comigo."

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Por Isabel Dantas
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