Guia tático das meias-finais

Guia tático das meias-finais
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REAL MADRID

18-2-2015 | Schalke 04 (F), 2-0 (V)
4x3x3/4x4x2 assimétrico

Ante uma equipa que, mesmo jogando em casa, renunciou à bola e apresentou-se em 5x3x2, sempre com a preocupação de ter 8 ou 9 jogadores atrás da linha da bola, o Real Madrid, que atravessava a pior fase da temporada, conseguiu impor a sua lei (mesmo a um ritmo baixo), pois o plano inicial de Di Matteo conferiu demasiados espaços para Kroos pensar o jogo.

Ancelotti mesclou a utilização do 4x3x3 com o 4x4x2, aproximando Cristiano Ronaldo de Benzema, e saiu para o intervalo com vantagem no marcador, num lance em que o internacional português deu sequência aérea a um cruzamento de Carvajal, provando que defender com muitos não significa defender bem (vantagem numérica 4x3 do Real dentro da área adversária). Cristiano que voltaria a ser decisivo no 0-2, ao proporcionar a assistência para um golaço de Marcelo… com o pé direito.

10-3-2015 | Schalke 04 (C), 3-4 (D)
4x3x3

A vantagem confortável alcançada na primeira mão (2-0) fez com que Ancelotti optasse por dar minutos a alguns jogadores menos utilizados, como Coentrão, Arbeloa ou Khedira. A ideia que a eliminatória estava resolvida conduziu a uma atitude passiva e de uma quase total falta de agressividade na disputa dos duelos, invariavelmente ganhos pelos jogadores do Schalke 04, como também a erros pueris e a momentos de desorganização incompreensíveis que ofereciam crateras para os azuis de Gelsenkirchen explorarem.

Se é certo que o Real conseguia criar perigo – e marcar golos – sempre que acelerava o jogo ou uma das suas individualidades procurava resolver sozinho o que o coletivo não conseguia, o quarto golo do Schalke 04, assinado por Huntelaar aos 84 minutos, deixou os merengues encostados às cordas (3-4). Seguiram-se minutos infindáveis de sofrimento, onde Casillas acabou por vestir a capa de super-herói ao evitar o escândalo.

14-4-2015 | Atlético Madrid (F), 0-0 (E)
4x3x3

Entrada fortíssima do Real Madrid, que assumiu o domínio completo do jogo no meio-campo adversário, ante um Atlético Madrid escudado num 4x4x2 encolhido, suportado por uma organização defensiva coriácea e por atuação espantosa de Oblak, o grande responsável pelo nulo final. No plano estratégico, Ancelloti surpreendeu ao priorizar os ataques pelo corredor direito, explorando a ligação Carvajal-Modric-Bale e o pouco ritmo de jogo de Siqueira, em detrimento do esquerdo, onde marcavam presença Marcelo-James-Ronaldo. Após o intervalo, o Atlético surgiu com uma nova cara, conjugando a habitual ferocidade nas disputas de bola com um maior encadeamento ofensivo, o que alterou o sentido do jogo. O Real Madrid baixou as linhas e tornou-se menos acutilante, concluindo a partida num 4x4x2 de perfil defensivo.

22-4-2015 | Atlético Madrid (C), 1-0 (V)
4x4x2/4x3x3 assimétrico

Sem Marcelo, Modric e Benzema, Ancelotti voltou a apostar no efeito-surpresa no ataque à segunda mão. Se a titularidade de Coentrão e Chicharito, opções pouco habituais, pode ser encarada como normal, a utilização de Sergio Ramos como interior-direito, no lugar habitualmente ocupado por Modric, não era expectável. O objetivo era assegurar a segurança no passe numa zona nevrálgica, a maior contundência no momento da recuperação (e de travar os contragolpes do adversário), a imponência nos duelos com Mandzukic (quando este trocava de posição com Griezmann), e a presença aérea nas duas áreas.

Ter bola (63% de posse) e ser eficaz no passe (90%) eram dois suportes para o jogo paciente e horizontal dos merengues, que procuraram – e conseguiram – fechar a porta em direção à sua baliza, exibindo mais agressividade na reação à perda e não oferecendo espaços para os contragolpes do rival, incapaz de criar situações de grande perigo para Casillas.

E, sobretudo, não desesperaram ao esbarrar em nova atuação gigante de Oblak. Mesmo com o adversário reduzido a 10 unidades – expulsão de Arda Turan (76 minutos) – e o jogo cada vez mais duro, o Real manteve a sua linha pragmática, que acabou por redundar no golo do triunfo assinado por Chicharito, o herói improvável da passagem às meias-finais. Depois, seguiram-se as três substituições, decisivas para esgotar rapidamente os 5 minutos de descontos.

JUVENTUS

24-2-2015 | Borussia Dortmund (C), 2-1 (V)
4x4x2 centralizado

No papel, 4x4x2 em losango, com Vidal a «falso 10». No campo, muito mais um 4x4x2, com Marchisio, mais fixo, e Pirlo, mais solto, ao centro, apoiados por Vidal, à direita, e Pogba, à esquerda, para fazerem face à pressão intensa dos comandados de Klopp e coartarem os contragolpes vertiginosos de Reus e Aubameyang. Morata, com uma assistência e um golo, foi o grande protagonista de uma primeira parte agitada, concluída com um 2-1.

Na etapa complementar, o jogo abrandou e chegou a roçar o sonolento. A Juventus preferiu segurar a magra vantagem, não correndo riscos que a pudessem colocar em perigo, enquanto o Borussia, sem espaços para meter o seu futebol a todo o gás, acabou por provocar poucos desequilíbrios.

18-3-2015 | Borussia Dortmund (F), 3-0 (V)
4x4x2 centralizado

A ausência de Pirlo e a lesão precoce de Pogba, rendido por Barzagli, o que obrigou, perto da meia-hora, a uma reorganização em 3x5x2, podiam ser um duro revés para a Juventus na gestão de uma vantagem magra. Contudo, em Dortmund, a Juventus conseguiu ter o jogo sempre nas mãos, perante uma equipa nervosa, impaciente e incapaz de impor um ritmo avassalador, muito por culpa de uma ineficácia extrema no passe.

Um golo na sequência de um disparo violento de fora da área de Tévez, na alvorada da partida, conferiu a tranquilidade que o emblema de Turim precisava, seguindo-se a defesa arreigada, com a linha defensiva e média próximas, que fechavam o caminho em direção à baliza de Buffon. Na segunda parte, o golpe de misericórdia, apostando na principal arma do adversário: a ferocidade no contra-ataque. Primeiro, Morata, a passe de Tévez. Depois, Tévez, a passe de Pereyra.

14-4-2015 | Mónaco (C), 1-0 (V)
4x3x1x2

Sem Pogba (lesionado), mas com o regresso de Pirlo, a Juventus apresentou-se num 4x3x1x2, onde Pereyra surgia no apoio a Tévez e Morata. O jogo, como era previsível, revelou-se um veemente duelo tático, apenas desbloqueado com um golo de grande penalidade – bastante duvidosa – assinado por Vidal. Como lhe competia, o Mónaco não conferiu espaços que permitissem à Juventus criar desequilíbrios em contragolpe, e mostrou sempre grande preocupação em fechar as entrelinhas e a possibilidade de explorar o jogo exterior, o que fechou os caminhos para a sua baliza, tornando os lances de bola parada na principal arma bianconera.

Em bola corrida, o Mónaco até acabou por ser mais perigoso, sobretudo ao aproveitar a velocidade e mobilidade de Ferreira-Carrasco e Martial. Só que no último terço do jogo, a Juventus, em vantagem no marcador, conseguiu adormecer o jogo, mostrando-se, mais uma vez, confortável com a vantagem mínima.

22-4-2015 | Mónaco (F), 0-0 (E)
3x5x2

Os problemas causados, no jogo da primeira mão, por Ferreira-Carrasco e Martial conduziram ao regresso da Juventus a uma defesa com 3 centrais: Barzagli e Chiellini ocuparam-se da marcação às setas monegascas, ficando Bonucci para as sobras. Perante um Mónaco que se preparou para marcar o golo que permitisse igualar a eliminatória, combinando o futebol físico de Toulalan, Kondogbia e Abdennour, a criatividade de Moutinho e Bernardo, e a chispa de Carrasco e Martial, a Juventus preocupou-se em defender com grande competência.

Passou por sobressaltos na primeira parte, mas segurou as redes intactas, e, na etapa complementar, foi ganhando preponderância no jogo sem sentir a necessidade de procurar o golo que matasse a eliminatória. Por isso mesmo, esteve 83 minutos – do minuto 7 até aos 90 – sem visar a baliza de Subasic, mas o último remate do Mónaco aconteceu ao minuto 67.

BAYERN

17-2-2015 | Shakhtar (F), 0-0 (E)
4x3x3 / 4x1x4x1

O Bayern tomou conta do jogo, ante um adversário que se preocupou exclusivamente em manter-se organizado do ponto de vista defensivo, procurando fechar o espaço entre a sua linha defensiva e média.

A enorme distância entre Xabi Alonso e os interiores Götze e Schweinsteiger retirou fluidez ao jogo interior do Bayern, que, apesar de ter criado várias oportunidades, só enquadrou um remate.

A expulsão do internacional espanhol (65’) não foi aproveitada pelo Shakhtar, que acabou o jogo sem enquadrar qualquer remate.

11-3-2015 | Shakhtar (C), 7-0 (V)
4x3x3/4x1x4x1

A expulsão de Kucher (3’), defesa-central do Shakhtar, foi o mote para uma exibição avassaladora do Bayern. Sem Xabi Alonso, castigado, Guardiola recorreu a Schweinsteiger para ocupar o papel de médio mais recuado, denotando-se, mais uma vez, algumas dificuldades na ligação entre médio-defensivo e interiores, o que conduziu a uma exploração do corredor esquerdo, sempre com Alaba como protagonista.

Donos da bola (74% de posse) e eficazes no passe (93%), os Bávaros foram um autêntico carro de assalto à baliza de Pyatov: 25 remates (19 na sequência de ações em ataque organizado); 13 enquadrados (7 golos).

15-4-2015 | FC Porto (F), 1-3 (D)
4x4x2 losango

Uma exibição superlativa ao FC Porto, sagaz na forma como pressionou e condicionou as habituais saídas do adversário a partir dos centrais, proporcionou a noite mais negra do Bayern na Liga dos Campeões’2014/15. A longa lista de ausentes, onde constavam Robben, Alaba, Ribéry ou Schweinsteiger, levou Guardiola a apostar num 4x4x2 em losango que se revelou insipido.

A ausência de espaços para explorar conciliou mérito do FC Porto com apagamento germânico, fruto da exibição intermitente de Xabi Alonso, Lahm e Thiago Alcântara, que perderam um número incomum de bolas e demonstraram pouca agressividade nos duelos, da falta de profundidade e poder de desequilíbrio do jogo exterior, excessivamente dependente de Bernat e Rafinha, e da desinspiração do trio de ataque.

21-4-2015 | FC Porto (C), 6-1 (V)
4x4x2 clássico/4x1x3x2

O recurso inabitual ao 4x4x2, com Lahm e Götze (apoiados por Rafinha e Bernat) abertos sobre as alas, valeu uma entrada dilacerante ao Bayern, capaz de impor um ritmo avassalador que detonou um FC Porto encolhido. Extremamente agressivos na reação à perda e pressionantes, os bávaros condicionaram as saídas portistas e efetuaram inúmeras recuperações de bola no meio-campo ofensivo.

A circulação de bola veloz, precisa e belicosa, explorando os três corredores, e a busca constante de movimentos de rutura em direção à zona de finalização, que baralharam por completo as referências portistas, desaguaram num assalto cruel à baliza de Fabiano. Com uma vantagem de 5-0 ao intervalo, a desaceleração marcou o tom da etapa complementar.

BARCELONA

24-2-2015 | Manchester City (F), 2-1 (V)
4x3x3

O Manchester City quis caçar o Barcelona, apostando numa pressão alta, e acabou por se tornar numa presa ainda mais fácil do que o resultado final indicia. Após uns minutos iniciais de indecisão, os comandados de Luis Enrique tomaram de assalto a partida, o que passou pela liberdade dada a Messi para sair do corredor direito para o central, como também pela profundidade conferida por Dani Alves e Jordi Alba, e pelo futebol permanentemente associativo de Busquets e Iniesta.

A ferocidade e sentido de oportunidade de Luis Suárez valeu dois golos que valeram um triunfo confortável ao intervalo. A incapacidade para gerir com bola a vantagem, acicatado pela torrente ofensiva do Manchester City, acabou por custar uma segunda parte menos incisiva, que acabou por permitir que Agüero reduzisse para 1-2.

18-3-2015 | Manchester City (C), 1-0 (V)
4x3x3

O resultado da primeira mão dava algum conforto, num jogo em que Busquets se assumia como ausência de peso. Uma primeira parte infernal, graças a um futebol extremamente vertical, iluminado por uma exibição colossal de Messi, bem suportado por Iniesta, Neymar, Rakitic e Suárez, rendeu um verdadeiro massacre perante um Manchester City atónito, que se valeu de uma exibição soberba de Joe Hart para não ser goleado.

A vencer por 1-0 ao intervalo, o Barcelona desacelerou na segunda parte, o que permitiu ao Manchester City entrar mais vezes no meio-campo ofensivo. Contudo, a ação do triângulo Piqué-Mathieu-Mascherano, contundente a fechar o corredor central, fez com que ter Stegen não passasse por grandes sobressaltos.

15-4-2015 | Paris Saint-Germain (F), 3-1 (V)
4x3x3

Tal como acontecera nos “oitavos”, o Barcelona arrancou um triunfo extramuros no jogo da primeira mão, desta feita ante um adversário inferiorizado com as baixas de Motta, Verratti e Ibrahimovic, a que se juntaria a lesão prematura de Thiago Silva.

Se é certo que o Barcelona nunca assumiu um controlo deliberado sobre o jogo, mantendo-o muitas vezes partido, o que poderia acarretar riscos, este acabou por ser um fator determinante para o avolumar do resultado na segunda parte, fruto de dois golos de Luis Suárez na sequência de jogadas individuais, numa altura em que Xavi já entrara em campo.

21-4-2015 | Paris Saint-Germain (C), 2-0
4x3x3

O resultado da primeira mão podia sugerir algum facilitismo, mas o Barcelona, desde o início da partida, assumiu os cordelinhos do jogo e conseguiu impor-se ante um adversário incapaz de efetuar uma pressão eficiente e que concedeu muitos espaços entre linhas.

Em noite menos inspirada de Messi, o Barcelona controlou o jogo com bola, contando com um Iniesta superlativo, conseguiu promover desequilíbrios, muito graças à inspiração de Neymar, e não passou por sobressaltos a nível defensivo, impedindo, com uma boa reação à perda, que o PSG explorasse contragolpes ou um jogo mais direto para Ibrahimovic.

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