Real Madrid-B. Dortmund, 2-0: O crime foi perfeito

O Bernabéu recordou epopeias de outros tempos. Só faltou concretizar o sonho...

Real Madrid-B. Dortmund, 2-0: O crime foi perfeito
Real Madrid-B. Dortmund, 2-0: O crime foi perfeito • Foto: REUTERS

O Bernabéu assistiu a um final de loucos, absolutamente inesperado em função do que aconteceu até à entrada para os últimos minutos daquele que bem poder ser considerado o jogo da época. Quando a remontada parecia perdida e a resignação já se tinha apoderado da maior parte de jogadores e adeptos, eis que o madridismo acordou, recuperou a esperança e pareceu capaz de concretizar o milagre.

Consulte o direto do encontro.

Olhando para a história desta meia-final, o Real Madrid cometeu sobre si próprio o crime perfeito: saiu goleado da deslocação a Dortmund; desperdiçou três golos feitos no primeiro quarto de hora no Bernabéu; quando parecia definitivamente afastado do objetivo, acordou tarde para a final de Wembley.

Incrível

Para quem tanto tinha de recuperar, o início do Real Madrid foi catastrófico. Não por ter falhado a abordagem à exigente tarefa que tinha pela frente, não por ter jogado mal mas por ter chegado aos 15 minutos desperdiçando três bolas (três!) de golo feito. Ninguém consegue resistir a tanto desperdício consumado numa fase importante da partida, precisamente aquela em que o Real melhor podia conjugar todas as vontades: as da equipa e dos adeptos que transformaram o palco da festa no inferno de outros tempos. Aos 4 minutos, Higuaín surgiu isolado mas permitiu a defesa de Weidenfeller; aos 13 minutos, Cristiano Ronaldo recebeu passe longo, rodou e rematou contra o guarda-redes alemão; aos 15 minutos, Özil caminhou com a bola dominada e, com o golo quase feito, atirou ao lado. Esse desperdício, como era de esperar, revelar-se-ia fatal para o desfecho da eliminatória. Bem vistas as coisas, não podia ser de outra forma.

Mas ainda mais relevante para o jogo foi a certeza de que o Real Madrid tinha desperdiçado os seus melhores momentos, aqueles em que estava mais fresco e podia ser mais intenso. Face ao desgaste dos jogadores espanhóis, e como seria de esperar, o tempo nunca seria um aliado. De resto, a equipa de José Mourinho foi baixando a intensidade do seu jogo e, como não podia correr riscos, teve de resguardar-se mais no seu meio campo.

Empolgante

O segundo tempo começou por ser a extensão dos indícios deixados na reta final dos primeiros 45 minutos. O Real desarticulou-se e deu ao Borussia Dortmund a possibilidade de comandar as operações; de fazer do jogo aquilo que mais lhe convinha. Foi a vez de os alemães desperdiçarem as suas ocasiões de golo, com Lewandowski a rematar à barra (50’) e Diego López a opor-se com defesa de outro mundo a remate de Gundogan (62’). Os últimos minutos, depois de um golo que caiu do céu aos 83, foram empolgantes. A remontada voltou a fazer sentido e mais ainda quando Sérgio Ramos elevou para 2-0, aos 88’. Os instantes finais recuperaram momentos longínquos de epopeias bem-sucedidas nas competições europeias. Mas a esperança chegou tarde. O crime foi mesmo perfeito.

NOTA TÉCNICA

José Mourinho. Boa ideia a de colocar Modric na primeira fase de construção. Na hora do tudo ou nada correu riscos calculados e a equipa foi mais ameaçadora. (4)

Jurgen Klopp. Depois de suster o bom início do adversário, congelou o jogo e teve oportunidades para decidi-lo. Já não contava com o último fôlego madridista. (3)

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