Treinador do Sporting analisou o triunfo histórico sobre o PSG na Liga dos Campeões (2-1)
Como procurou o equilíbrio entre as saídas mais longas e mais curtas frente ao PSG?
"A nossa primeira ligação tinha de ser sempre mais longa, e não digo no espaço, mas sim no pé. O PSG tem uma capacidade física acima do normal e nós não íamos ter muito espaço para pensar, não podíamos dar imensos toques. Conseguimos muitas vezes ligar com o Luis Suárez, fez um trabalho espetacular, mas o que nos faltou foi um passe à frente. Mesmo em termos individuais, o PSG é extraordinário nesse sentido. A nossa primeira ligação tinha de ser sempre mais longa. Faltou-nos oxigénio na primeira parte, porque estávamos mais entregues ao papel defensivo. Se tivéssemos um pouquinho mais dessa capacidade, acredito mesmo que poderíamos ter exposto ainda mais o PSG a esses problemas. Por ser tão forte na pressão, o PSG tem muitos golos em transições, porque ganha muitas bolas em zona de pressão alta. Sabíamos que, para não nos expormos, que tínhamos de bater a primeira linha de pressão deles."
Vitória pode ser um tónico para o próprio grupo de trabalho?
"Eu concordo consigo, só tirava a parte do 'a partir de agora'. Está sempre no meu discurso. Eles são bons e são os melhores. São os campeões nacionais. É porque são bons. É porque são os melhores. Eles têm acreditado sempre, independentemente de tudo. Não tenho adjetivos para eles. Sou um felizardo por ser o líder deste grupo, a amizade, o respeito de rever a qualidade... A vitória dá-nos um acumulado de confiança para encarar os próximos jogos. O próximo jogo difícil será contra o Arouca. Acho que foi o Pote que disse que o campeonato era a nossa Champions. Queremos que a equipa continue a vencer."
Foi a vitória mais saborosa da sua carreira? Vitória muda a ambição do Sporting na Champions?
"Mudam porque conseguimos o primeiro objetivo, passar a fase de liga. Agora o objetivo é passar diretamente aos oitavos de final, até porque tira-nos dois jogos do calendário e deixa-nos mais preparados para a exigência do nosso campeonato. Não muda mais nada. A vitória mais saborosa foi a última jornada do campeonato contra o Vitória, que nos deu o bicampeonato. Jamais a esquecerei na minha vida."
Preparação do jogo foi a mais desafiante que já teve na vida. É uma resposta a quem diz que não vence os jogos grandes?
"Acho que não me vão voltar a perguntar isso nunca mais. Eu não ligo. Isso para mim é ruído. Foco-me muito no que é o meu trabalho, no que tem sido o nosso trajeto. Desafiante? Como temos tantos jogos, é observar vídeos e dentro do pouco tempo que temos na relva, é explicar comportamentos. No simples, há coisas que já estão dentro de nós e que não podemos. Sinceramente, a preparação não mudou em nada. Mais do que aquilo que mostrámos ou o que mudámos no treino - até porque não mudámos nada -, mas era sobretudo percebermos que não íamos ter tanta bola e que faz parte desse projeto. Como disse, na primeira parte faltou-nos alguma capacidade para sair, mas a equipa deu uma demonstração enorme daquilo que é o grupo."
Um Sporting diferente à sua imagem no campeonato, mais atrás da linha da bola
"Um Sporting que está ciente da realidade, acima de tudo, tal como os jogadores, que reconhecem o valor dos jogadores que estão do outro lado. Não podemos comparar o PSG com uma equipa do nosso campeonato. A equipa sabia isso, até pelos jogadores que temos ausentes e os que temos disponíveis. O futebol tem vários momentos e estratégias. Não dá para sermos sempre o Sporting com 60% de posse de bola, que pode falhar 8-9 oportunidades de golo. Reconhecemos a qualidade do outro lado, que é fora do normal. A equipa estava ciente disso, não é ser diferente, é ser ciente do que é o futebol e a história de cada jogo e de cada competição. Mérito da equipa, do grupo, mérito deles."
Festejo à Mourinho
"O míster José Mourinho é uma referência para todos nós treinadores. Todas as suas conquistas e o que tem feito na história do futebol português. Para mim, será sempre, se calhar, a maior referência. Eu sou muito pés no chão e olho jogo a jogo. Feliz por este jogo, ganhámos ao campeão europeu, o grupo, mais do que o treinador, percebeu o que tinha de fazer. Não conseguimos treinar muito, por o calendário ser muito extenso e com muitos jogos, e agora temos de olhar já para o próximo jogo. Se formos capazes de vencer no próximo jogo de Champions, passaremos aos oitavos de final, e eles vão ficar na história do Sporting."
O apuramento para o playoff de apuramento aos oitavos de final, que é disputada em janeiro. Obriga a uma ida ao mercado? Suárez ou Gyökeres, quem é melhor
"São os dois muito bons, cada um à sua maneira. São diferentes, dois goleadores natos, não é possível comparar. Em relação à imprensa internacional, é chamá-los [aos jogadores] à Terra, hoje somos os melhores e amanhã somos os piores. Temos o Arouca, passamos muito rápido de bestiais a bestas. Em relação a reforços, não tem nada a ver com. O Faye ainda não foi apresentado, mas já assinou. São dois jogadores de futuro e não de imediato apenas. São dois jovens de valor e que acreditamos que possam dar muito ao Sporting. A nossa Champions é o Arouca. Se não formos capazes de irmos aos oitavos de final, nada apagará o que fizeram até hoje. O míster Luis Enrique diz que é injusto, mas o futebol é isto: cada um com as suas armas. A sorte dá trabalho e acompanha os audazes."
As declarações de Luis Enrique e a exibição de Suárez
"Nós sabíamos o que o Luis [Suárez] nos ia dar, a mim não me surpreende. Sabíamos o que nos ia dar em termos de características, mas também de caráter. Eu disse-lhe no início do jogo que a equipa ia precisar muito dele e não digo isto em relação aos golos, tal como foi contra o Bayern, onde ele foi importantíssimo. Conseguiu ir buscar muitas bolas, jogar com o Trincão e com o Maxi, é um jogador importante como todos os outros. Mérito da equipa, não só do Luis. Depois, tem a capacidade dele, a energia que tem e que também é importante para a equipa. Em relação ao míster [Luis Enrique], eu entendo. Fizeram um grande jogo, é certo, tirando os golos anulados têm dois remates perigosos. Andaram em cima de nós, perto da nossa área, mas também há o outro lado. No nosso campeonato também temos equipas em bloco baixo e temos de saber passar por elas. Não tenho palavras para falar sobre este grupo fantástico. Na segunda parte tivemos mais audácia. Frente ao Bayern, tivemos o Geny numa linha de quatro, mas tentámos arrancar com ele numa linha de cinco e depois na segunda parte passou para uma zona de aceleração e mudou o jogo um bocadinho. Dentro daquilo que foi a nossa estratégia, não podia pedir mais à nossa equipa."
O sentimento da vitória alcançada hoje
"É o sentimento de dever cumprido, uma grande vitória. São três pontos difíceis, frente a uma grande equipa e num jogo em que tivemos muitas dificuldades, mas onde soubemos ter aquilo que eu pedi: coesão e paixão. Foi importante essa coesão ao longo de todo o jogo. Sabíamos que íamos sofrer, frente ao campeão europeu, a melhor equipa da Europa. Soubemos sofrer numa primeira parte em que tivemos dificuldades. O Trincão teve muitas bolas na primeira parte, se tivesse num momento de inspiração... Acabou por ser difícil a primeira parte. Na segunda entrámos mais audazes. Não falei muito ao intervalo, corrigi um ou outro posicionamento. As substituições ajudaram, puxámos o Geny para uma posição mais de ataque. Empurrámos um bocadinho o PSG. Tivemos sorte, mas a sorte dá trabalho. O grupo teve uma coesão e compromisso infinitos. É mais uma demonstração do quão querem ganhar. Agora é descer à Terra, temos uma deslocação difícil a Arouca. Quero deixar um agradecimento especial aos nossos adeptos. Foram importantíssimos, foram o 12.º jogador e passaram a energia para os jogadores. Foi bonito ver os adeptos todos no final do jogo no estádio ainda, que não seja apenas nos jogos de Champions, mas também no campeonato, quando ganham por 2-0... Não mereceram apenas hoje, mereceram até hoje. Nestes últimos meses, será importante o apoio deles nos jogos do campeonato. É preciso manter este espírito de vitória, de união e de acreditar."
Rui Borges comenta, em conferência de imprensa em Alvalade, a vitória histórica (2-1) do Sporting sobre o PSG na 7.ª jornada da fase regular da Liga dos Campeões.
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