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Rui Águas só pode fazer um balanço positivo nos pouco mais de dois meses...
Rui Águas só pode fazer um balanço positivo nos pouco mais de dois meses como selecionador de Cabo Verde. Mas se os Tubarões Azuis já garantiram a presença na fase final da CAN'2015, as dúvidas quanto ao local da prova depois das notícias que apontam para a renúncia de Marrocos à organização da mesma geram alguma preocupação. "Temos de esperar. Há coisas urgentes e perigosoas que precisam de ser tratadas e as pessoas medem ainda com mais cuidado os passos que dão. Para nós, como recém-qualificados, não é agradável saber, principalmente porque Marrocos é um país agradável para se jogar. Mas se não for em Marrocos que seja num outro país igualmente organizado. Acima de tudo, espero que a prova não seja anulada", adiantou o técnico português, em declarações a Record.
Quanto ao desempenho da equipa, o selecionador cabo-verdiano não escondeu a satisfação. "Em termos exibicionais, a única exceção foi a derrota frente a Moçambique. Mas é aproveitável em termos de equipa. Acontecendo a qualificação como aconteceu, não vem o mal ao mundo. Serviu para os jogadores perceberem que é preciso serem regulares, dar sempre o máximo e respeitar o adversário", lembrou, salientando a importância de melhorar: "A diferença de rendimento entre os jogos em casa e fora não deve ser grande. A personalidade deve manter-se intacta. Jogar da mesma forma em casa e fora é quase impossível. Sabemos a influência dos fatores psicológicos, o apoio dos adeptos, etc. Mas temos de tentar diminuir essa diferença entre o jogo que fizemos fora e o que fizemos em casa."
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"Preferíamos que a precaução tivesse acontecido, mas às vezes há este relaxamento. Acontece. Não que tenha sido consciente, mas a atitude depois de duas vitórias terá sido menos concentrada, menos determinada, contra uma equipa também ela forte, que esta quarta feira não conseguiu expressar-se conforme a sua categoria. Somos obrigados a rever os processos e entrar no eixo que iniciámos. Os jogadores perceberam a importância que tinha este jogo, porque estávamos muito perto de conseguir a qualificação e unimos forças", sublinhou ainda Rui Águas, de 54 anos.
Quanto aos próximos jogos, o selecionador cabo-verdiano não pretende facilitar, até porque há a necessidade de continuar a consolidar o processo de jogo. "Tentaremos um equilíbrio. Por um lado trabalhar a equipa, por outro conseguirmos observar, em competição, os jogadores mais detalhadamente e dar oportunidade a outros elementos que estiveram connosco e tiveram uma atitude excelente. Alguns que não jogaram e outros que jogaram menos. Neste contexto justifica-se que tenham mais tempo de jogo do que aquele que tiveram", adiantou, salientando a importância da deslocação à Zâmbia, na última ronda: "Poderá ser uma boa oportunidade para ver a reação da equipa em momentos adversos e evoluir a equipa nesse aspeto. Nós pretendíamos que a última jornada já não interferisse na qualificação, em função da dificuldade que é jogar na Zãmbia e em função da qualidade da sua equipa. Não é só por o jogo ser fora da casa, mas trata-se da equipa mais forte do grupo e é um importante teste de preparação para a competição."
Já sobre a fase final da prova, Rui Águas garante que ainda nem pensou nisso. "Para já é só alegria, descanso, comemoração. Temos de aproveitar estes momentos nesta vida de treinador stressado. Aquilo que qualquer treinador faz na abordagem a uma competição destas é no mínimo ultrapassar a fase de grupos. É esse o objetivo natural de quem compete na CAN", referiu o português, explicando por que não foi muito expansivo nos festejos: "Cada um expressa-se de acordo com a sua natureza. Eu sou uma pessoa emotiva, mas não expansiva. Não é nada estudado, é a minha maneira. Fiquei muito contente, emocionado e satisfeito por ver os jogadores contentes, as pessoas à volta em delírio. É um ambiente muito bom, muito vibrante. Mas cada um tem a sua maneira de estar e eu, mesmo em momento de euforia, tenho algumas dificuldades em libertar-me. Sempre fui assim."
Talismã
Heldon foi o herói da qualificação ao marcar o golo da vitória sobre Moçambique e Rui Águas admite que o avançado do Sporting é uma espécie de "talismã" para Cabo Verde. "É um jogador especial. Com um carisma muito especial. Um jogador de talento que atravessa um momento difícil que lhe foi criado. Juntaram-se no seu clube várias circunstâncias que lhe complicaram a vida. Por um lado não saiu. Depois, contrataram o Nani. Por outro lado, o Capel falava-se que saía e acabou por não sair. Enfim, circunstâncias que lhe complicam a evolução no seu clube e complicam também o seu rendimento, evidentemente. O futebol hoje em dia é um futebol muito físico que pede um ritmo específico. Em relação a ele temos feito uma gestão, que achámos a mais coerente e tem dado resultado. Não o queremos desgastar demasiado, de acordo com o momento físico que atravessa, devido à falta de ritmo, e assim procuramos retirar partido do seu talento numa fase em que o adversário já tem algum desgaste, de forma a que se possa expressar e possa ajudar a equipa de uma maneira menos complicada do que seria colocar o Heldon a jogar de início. Para além disso, no setor atacante temos jogadores também de grande capacidade, que estão a fazer boas carreiras e a jogar regularmente", concluiu.
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