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"Nani já não pode jogar por Cabo Verde (risos). Já o Rúben Vezo… demos uma palavrinha"...
R – Gostaria que Nani, na altura de escolher uma seleção, tivesse optado por Cabo Verde?
RA– Nani já não pode jogar por Cabo Verde (risos). Já o Rúben Vezo… demos uma palavrinha, para não correr riscos. Foi contactado, tal como outros de excelente nível. Entendo as suas razões. Mas está convocado pela Seleção portuguesa e é aceitável e compreensível a sua opção. Se ele mudar a agulha… iremos recebê-lo bem.
R – Existem vários jogadores no campeonato português que podem atuar por Cabo Verde e nunca o fizeram. Gostaria de poder contar com alguns?
RA – Existem vários jogadores que estão acompanhados e que podem jogar por Cabo Verde. Ao mesmo tempo há, em alguns casos, expectativas diferentes e que nós compreendemos. Há gente que nasceu aqui e que tem uma visão diferente e respeitável. Temos contactado alguns casos e estamos atentos à sua eventual integração, assim como alguns que estão desenquadrados com a realidade. No Málaga existe um argentino com essa possibilidade que disse que não. Há que projetar se é realmente positivo que venha. Este não é um grupo fechado. Longe disso. É um grupo particular e muito amigo. Temos de conciliar essas questões e respeitar atletas que têm algumas dúvidas quanto a representar este país.
R – Tem oito jogadores convocados que atuam no campeonato português. Este é um bom país para eles crescerem enquanto jogadores?
RA – Sim. Dificilmente há um país onde seja tão fácil integrar um futebolista. Se juntarmos aqui a questão da língua e a hospitalidade, aplica-se na perfeição aos povos africanos. O nosso campeonato, não sendo dos três melhores, vem logo a seguir. Tem nível, qualidade e forte competitividade. Faz os jogadores mais fortes.
R – A CAN’2013 acabou por ser um reflexo do crescimento do futebol de Cabo Verde. Concorda?
RA – Claro que sim. O crescimento dos jogadores faz-se pela experiência e pelo treino de qualidade. Cabo Verde, sendo um país pequeno, tem muitos atletas espalhados pelo Mundo. Tem jogadores jovens que no futuro podem aparecer. Temos, sustentadamente, de ganhar outro peso.
R – É importante ter jogadores que atuam em campeonatos como o português, francês ou espanhol?
RA – A importância dos campeonatos onde estão integrados é evidente. Sabemos que existem vários tipos de competições por essa Europa fora, umas melhores do que outras. Para além da qualidade dos jogadores, há o contexto competitivo onde estão enquadrados. É disperso o contingente da convocatória: em relação a Angola ou Moçambique não temos o poder de ter jogadores locais e a possibilidade de jogar com datas. Nesta altura não temos um único jogador do campeonato cabo-verdiano. Angola por exemplo teve a oportunidade de parar o seu campeonato, sair das datas que estão estipuladas. Ao mesmo tempo, jogar fora confere ao atleta uma bagagem superior, pela dificuldade de estar fora de casa. Isso fá-los mais fortes.
«Cooperação com Palop é importante»
R – Mário Semedo, presidente da FCF, revelou ter existido cooperação com a FPF para a chegada de Rui Águas àquela seleção. É importante que haja este tipo de cooperação entre países de língua portuguesa?
RA – É de extrema importância. Há razões históricas de ligação muito íntimas e muitas delas se mantêm entre os povos. Faz todo o sentido protocolos que se vêm fazendo nos Palop, essencialmente desportivos como é este caso. Não querendo entrar em pormenores, é importante numa Federação com poucos meios, num país com dificuldades e limitações, que haja a possibilidade de uma cooperação que seja benéfica para ambos os países.
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