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O selecionador de Cabo Verde regozija-se com o futebol apresentado na CAN e acredita que os tubarões azuis deixaram orgulhosos os seus adeptos...
O selecionador de Cabo Verde regozija-se com o futebol apresentado na CAN e acredita que os tubarões azuis deixaram orgulhosos os seus adeptos...
RECORD – Que balanço faz deste primeiro troço à frente da seleção de Cabo Verde?
RUI ÁGUAS – O sentimento é de tristeza mas o balanço é positivo, mesmo considerando que os resultados ficaram aquém do que desejávamos e esperávamos. Mas tal deveu-se à imprevisibilidade, à ilógica e à incerteza que rodeia o futebol. Relativamente ao que foi feito e ao que mostrámos; à maneira como a equipa jogou, como criou oportunidades de golo, em suma, pela qualidade que mostrou no geral, fiquei satisfeito. Deixámos orgulhosos os adeptos, que viram a sua seleção impor-se a três equipas mais experientes e com história muito mais rica na competição.
R – Cabo Verde não foi inferior a qualquer adversário que defrontou...
RA – De tal maneira que até perdi a vontade de ver os jogos da CAN depois da eliminação, ainda que continue a ver alguns, como é evidente. Quanto mais observo as outras seleções, mais revoltado fico com o destino. Gostei daquilo que fizemos. Saímos tristes mas não desiludidos: fizemos um trabalho metódico, com boa preparação dos jogos, avaliação dos adversários, observação dos nossos jogadores, gestão de tudo o que tem a ver com a presença numa competição destas – tudo isso foi impecável. Isto para já nem falar dos jogadores, que tiveram um comportamento sem mácula, dentro e fora do campo.
R – Essa organização federativa deixou-o surpreendido?
RA – Cabo Verde é um país com limitações financeiras e a federação é a extensão dessas dificuldades. Mas encontrei uma estrutura leve, composta por pessoas disponíveis, sempre prontas para ajudar e não para complicar, o que sucede por norma em estruturas grandes. Por isso, beneficiámos dessa simplicidade e do espírito do cabo-verdiano.
R – Que, de resto, já conhecia...
RA – Sim, conhecia bem o país e as pessoas. Tenho bons amigos, a minha mulher é cabo-verdiana, razão pela qual a integração não teve dificuldades. Sinto-me em casa. O mesmo aconteceu com os jogadores, que me aceitaram bem. Eu também tenho um espírito muito próximo deles. Aquela fórmula do treinador tipo coronel que quer, pode, manda, grita e insulta, como era vulgar no meu tempo, nunca fez sentido para mim e faz ainda menos nos dias de hoje. Sou adepto da empatia, de um espírito único, organizado, exigente e sem dúvidas. O jogador cabo-verdiano hoje está habituado ao profissionalismo e percebe perfeitamente aquilo de que necessita para se expressar na plenitude.
R – Qual foi o jogo que mais lhe custou não ter ganho?
RA – Foi o último, porque foi decisivo, mesmo reconhecendo que foi aquele em que tivemos menos condições para o vencer. As circunstâncias não ajudavam: dependíamos do resultado do outro jogo e, em termos de organização da equipa, acabámos por perder balanço, porque fomos obrigados a correr riscos e a alterar parte do que tínhamos planeado. Não podíamos fazer outra coisa: mudámos quando foi preciso, só que não é fácil fazê-lo com total eficácia, porque desequilibrámos a equipa de alguma forma.
R – As condições climatéricas desse jogo com a Zâmbia condicionaram também a produção da equipa?
RA – Claro. Ainda tentámos, junto do quarto árbitro, pressionar para que o jogo fosse interrompido. Houve um momento no qual era impossível jogar e estávamos no meio de uma decisão. Pode sempre dizer-se: “É igual para os dois!” Não é verdade. Há equipas para as quais é menos relevante que a relva esteja boa ou má. A maioria das seleções africanas, contra o que me parece lógico, segue a matriz de um futebol longo. Nós não, pelo que fomos muito mais prejudicados.
R – O vento também não ajudou ...
RA – O raio do vento, que esteve forte contra nós na primeira parte, mudou entretanto. Ao intervalo, tratámos de revitalizar a confiança, utilizando o vento como um dos argumentos: “Agora vai estar a nosso favor, logo é a nossa vez de lhes criar dificuldades”. Sabe-se lá porquê, não tivemos essa felicidade. Mas nada alterou a minha convicção de que demos o máximo. Os jogadores tiveram uma atitude excelente durante todo o torneio.
«Falta coesão às potências»
R – Vislumbra alguma seleção africana com potencial para brilhar no Mundial?
RA – Falta coesão às maiores potências. Há grandes nomes que constroem os seus próprios privilégios nesses grupos e isso é impensável numa seleção de topo. Há muita qualidade técnica e física, mas eu acho que, ao contrário da nossa equipa, e não é por eu lá estar, porque sabia que já era assim no passado, há outros problemas para resolver. O nosso grupo é composto por pessoal simples, amigo, profissional, e não é isso que eu sinto noutros grupos como Camarões, Gana, Costa do Marfim, que estão sempre a discutir prémios, dinheiros e demais privilégios. Muitos desses jogadores são endeusados e isso permite-lhes tomar determinadas opções.
«O Mundial encanta-me»
R – O que se segue depois da CAN?
RA – Segue-se treino, neste contexto da seleção de Cabo Verde. Para lá das competições da formação principal, tenho a incumbência de ajudar a reestruturar o futebol no país: as competições, os calendários, as selecções jovens e ainda ajudar na formação de treinadores. Não sou apenas o selecionador, sou o diretor técnico nacional. E isso quer dizer que tenho responsabilidades para lá das competitivas: há o lado de formação e estruturação.
R – Qual é o principal objetivo?
RA – Em termos competitivos, e também porque nunca aconteceu, o Mundial encanta-me- Teria um gosto especial em lá chegar. Essa é uma das minhas principais motivações entre todas as que acabei de referir.
«José Luís é o melhor da atualidade»
R – Numa equipa marcada pela ineficácia, que importância teve a ausência de José Luís?
RA – Sem menosprezo para os demais, vejo o José Luís como o melhor avançado-centro cabo-verdiano da atualidade. Teoricamente, sem o melhor ficamos mais fracos. Não foi positivo. Depois, tivemos nos outros bons pontas-de-lança, o Djaniny e o Júlio Tavares, gente com condicionantes físicas. Isso permite tirar a conclusão de que a ausência do mais cotado, as limitações dos substitutos e o pecado da ineficácia foram fatores ligados entre si.
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