Mais do que uma seleção

A análise de Rui Malheiro

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Formar para ganhar não significa formar a ganhar. Compreender essa dissemelhança e criar condições para que se trabalhe mais e muito melhor, o que a Federação Portuguesa de Futebol tem feito com elevada sensatez e perspicácia nos últimos anos, após o tempo perdido, na anterior a gestão, a exaltar Nossa Senhora de Caravaggio, é ascender ao degrau mais importante de encontro à excelência. Arrebatar a conquista do Europeu sub-17 é apenas um acessório no caminho dos campeões. Nada que surpreenda numa seleção que segue numa senda de 4 triunfos e 1 empate em 5 jogos numa fase final do Europeu, onde soma 14 golos marcados e 0 golos sofridos. A mesma garotada que, durante a fase de qualificação, somou 5 triunfos e 1 empate (ante a Inglaterra), apontando 20 golos em 6 partidas, o que perfaz uma média de 3,33 tentos por jogo. Uma geração que só perdeu um jogo dentro do tempo regulamentar (a pesada derrota 0-5, ante a Alemanha, no Torneio do Algarve’2016, não fez ruir o processo), desde que se uniu, no final da primavera de 2014, ainda no escalão sub-15, totalizando 21 vitórias, 10 empates e 1 derrota em 32 jogos, o que faz jus à máxima "Mais do que uma seleção". Só que ainda mais impressionante do que a senda de quase inexpugnabilidade é o superior talento e a assombrosa maturidade que estes miúdos de 16 e 17 anos patenteiam, o que reflete também o ótimo labor que tem vindo a ser desenrolado nos clubes. Nos que ganham – e só pode ser um por temporada – e nos que perdem.

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