William em nome do grupo

A conta com dores num pé e indisposição estomacal...

William em nome do grupo
William em nome do grupo • Foto: Pedro Ferreira

Uma dor no pé direito e uma ligeira indisposição forçaram William Carvalho a sacrificar-se em prol do espírito de missão. Em nome do grupo, o camisola 6 de Portugal terminou o jogo com a Itália em nítida dificuldade mas com entrega digna de elogio, sobretudo para quem, de quando em quando, tem sido obrigado a conviver com a sensação de que não estará tão comprometido com este objetivo quanto deveria.

Puro engano, portanto. William está de alma e coração na missão portuguesa. E se provas fossem precisas, salta à vista o esforço tremendo que fez para terminar o jogo com Itália e ajudar Portugal a somar um ponto precioso para o seu grande intento: a qualificação para as meias-finais do Europeu e, por consequência, para a próxima edição dos Jogos Olímpicos (Rio de Janeiro’2016).

A origem

Ao minuto 67 do duelo com a Itália, William surgiu sentado no relvado, solicitando assistência clínica. Com o jogo parado, Rui Jorge instruiu Rúben Neves no sentido de intensificar os exercícios de aquecimento, depois de William ter feito um primeiro sinal de que não conseguiria prosseguir. Após diálogo com o doutor Carlos Martinho, médico da Seleção, recebeu de José Laço, enfermeiro, uma embalagem de comprimidos. William tomou o medicamento, levantou-se e correu para o banco em passo apressado. Aí, falou com Rui Jorge e rumou ao balneário, ao mesmo tempo que Rúben recebeu ordem para abrandar, sinal de que o companheiro haveria de voltar. E voltou. Três minutos depois.

O mistério

Após a partida, Rui Jorge garantiu, na conferência de imprensa, não saber para onde William se tinha ausentado. O médio, por seu lado, tratou de explicar a situação em plena zona mista. "Fui à casa de banho colocar uma meia elástica. Tive de sair durante dois minutos. Está tudo bem, foi só uma pancada no fim do jogo", disse, sorrindo e apontando para a perna direita.

Um dia depois, Record tentou recolher, junto da FPF, uma justificação clínica (mais precisa e pela mão do próprio chefe do departamento) para o caso, o que nos foi negado ontem, ainda que de forma amável, tendo-nos, então, sido reforçado que o jogador saiu de campo para ir ao balneário buscar uma meia elástica. E os comprimidos? Segundo o departamento de comunicação da FPF, tratou-se apenas de um agente neutralizador da acidez do estômago.

A resolução

Tentando desvendar o mistério, prosseguimos os contactos. E junto de fonte próxima do jogador e de especialistas em medicina e fisiologia do desporto, percebemos que, na realidade, a sua ligeira indisposição não passou disso mesmo: ligeira indisposição. O veredicto foi claro: imperativos fisiológicos de maior gravidade não se curam – nem travam – num par de minutos. Ou seja, o jogador não continuaria em campo, nem – sabe Record – a equipa técnica o sujeitaria a risco semelhante. Conclusão: William terminou o jogo em sacrifício, sim, mas mais por conta das dores no pé direito do que propriamente pela propalada indisposição.

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