A equipa-tipo de um Campeonato da Europa é sempre um exercício com uma componente de subjectividade bastante grande. A que se segue é a escolha de “Record”, construída a partir da integração num esquema de 4x2x3x1, o utilizado mais vezes pela equipa vencedora, a França - e, curiosamente, também pela de Portugal. Obviamente, e como sempre, a competição determina os lugares. Se o árbitro tivesse apitado o final uns segundos antes, porventura aqui teria lugar também Totti. Se Portugal tivesse ido à final quem sabe o lugar de Rui Costa e Fernando Couto. Se. Mas o futebol, como a vida, faz-se do que é, e não do que poderia ter sido. Esta é a equipa, obviamente discutível, do que foi o Euro-2000
Toldo - Representante da maior escola de guarda-redes do mundo, a italiana. Toldo nem sequer era para ser o titular neste Campeonato da Europa. O lugar era de Buffon, que se lesionou. Nesse momento, aos 29 anos, este gigante de 1.96, colega de Rui Costa na Fiorentina, viu chegada finalmente a hora do estrelato, depois de tantos anos à sombra de outros, como Peruzzi, Marchegiani e Pagliuca. E provou ser, na verdade, um fantástico “nº1”, com um domínio natural sobre a área, bom a sair de entre os postes e com uma formidável presença entre eles. A altura não lhe atrapalha os movimentos. Viveu uma tarde de glória com a Holanda. Na final não teve culpa nos golos.
Thuram - O defesa-central do Parma esmera-se ao serviço da França. Tal como no Mundial de 98, foi uma das figuras da equipa. Na final, quando o jogo parecia decidido a favor da Itália, insistiu sempre, desceu o corredor vezes sem fim. É um futebolista que dá gosto ver jogar, pela entrega, pela vivacidade e pela qualidade do futebol, muito técnico, apoiado numa enorme disponibilidade física. Desta feita não marcou golos, como na meia-final contra a Croácia há dois anos, mas voltou a demonstrar a influência que tem na selecção. Mesmo que a equipa preencha o meio e coloque Henry do outro lado, não há problema. Thuram preenche toda a ala direita a defender e a atacar.
Blanc - Acabaram-se os beijos na escanhoada cabeça de Barthez. Blanc, como outras grandes figuras do futebol mundial - Shearer na Inglaterra, Hagi na Roménia, Matthaeus na Alemanha, Bergkamp na Holanda, e não só - aproveitou a oportunidade para deixar vago um lugar na selecção. Desta feita, ao contrário do que acontecera há dois anos, quando um castigo o afastou da final do França-98, não faltou à consagração. Antes disso, durante todo o torneio, fez valer a experiência que lhe advém da idade e de ter jogado em grandes clubes, como o Barcelona, no qual foi colega de Figo. Possante (1.92), é um central que sabe sair a jogar e é perigoso nos lances de bola parada.
Nesta - No sistema italiano, com três centrais, é ele quem comanda Cannavarro e Iuliano. É uma espécie de líbero com uma capacidade invulgar de percepcionar os lances e de surgir a fazer o último desarme na hora certa e sem falta. É por causa dele que Fernando Couto nem sempre é titular na Lazio quando Eriksson decide puxar Mihajlovic para o meio. Nesta é um homem que desde cedo convive com o êxito. Chegou à equipa da Lazio aos 17 anos, foi campeão europeu de sub-21 em 1996 e depois passou com naturalidade à selecção principal. Fez um torneio sem problemas, ao contrário de há dois anos, em França, quando teve uma grave lesão num joelho.
Chivu - Nesta eleição, representa as revelações que o Europeu quase não teve, se o exceptuarmos ele e Nuno Gomes (um português no quadro de honra dos goleadores!). Aos 19 anos, Chivu, sósia de Dani e companheiro dele no Ajax, é um esquerdino de quem se vai ouvir falar na próxima década. Mostrou personalidade e muito talento e até conseguiu deixar a marca de um golo (à Inglaterra) na primeira grande competição que disputou. É esta a sorte dos eleitos: nunca passam despercebidos. Devolveu Filipescu à posição de central e, como quase toda a equipa da Roménia, vai ganhar com a saída de Hagi. A equipa vai libertar-se de uma era e de um patrão que sabe mas já não pode.
Deschamps - O pulmão da França. Futebolista de enorme personalidade, é ele quem carrega a equipa quando Zidane não está nos dias de inspiração. Corre sempre sem parar, é esclarecido, irrita os adversários com entradas nas quais avulta o muito que sabe do jogo e nunca se esquece do fundamental: ganhar. Na final com a Itália nunca baixou os braços, mesmo quando o jogo parecia irremediavelmente perdido. Essa forma de estar com certeza que lhe advém da confiança gerada por um currículo valioso, no qual avultam vitórias na Liga dos Campeões com o Marselha e a Juventus (também de Paulo Sousa). Hoje, como muitos companheiros, joga em Inglaterra. No Chelsea.
Davids - Dispensado por Guus Hiddink durante o Europeu 96 por razões extra-futebol, o médio holandês voltou a provar, como no Mundial 98, que é imprescíndivel na selecção. Levou a equipa às costas e ainda provocou o segundo "penalty" frente à Itália numa prova que anda sempre para trás e para a frente. Davids mostrou como está completamente recuperado dos maus tempos do Milan. Com os óculos especiais impostos por um problema na vista, Davids dá também nas vistas pelo labor inesgotável, aliado a um talento apoiado numa força inimaginável num homem tão pequeno (1.69 m). Impõe ritmo à equipa. É um centro-campista espectacular.
Figo - Sacrificou-se pela equipa (actuando em dois dos três jogos à esquerda) e, como ela, não teve sorte - ou este poderia ter sido o Europeu de Figo. Fez um primeiro jogo, com a Inglaterra, que fica para a história do futebol português. Um golo fantástico, mas, acima de tudo, a estirpe de um verdadeiro comandante, a liderar uma equipa à beira de um naufrágio violento no dia da estreia. A classe de Figo serenou a crise e empurrou Portugal para o estatuto de equipa-revelação que só sofreria mais um golo de futebol-jogado e esteve à beira da primeira final. Neste Europeu, Figo voltou a demonstrar que no mundo não há como ele no um-contra-um. Agora há que insistir com a História.
Zidane - Pese a final um tanto apagada, “zi-zou” é uma referência. Apesar de tudo, o melhor “nº10” do torneio, como infelizmente provou contra Portugal. Um jogador completo, que se torna dispensável das tarefas defensivas porque a equipa possui alguns dos mais talentosos “trincos” do mundo (Petit e Vieira, a par de Deschamps). Zidane faz tudo. Tem um domínio perfeito da bola, um passe preciso, cobra faltas de forma admirável (o golo à Espanha) e, apesar do jeito introvertido, é um homem que os companheiros respeitam porque lhe reconhecem estatuto. O ex-pupilo de Toni (no Nantes, com Dugarry) é o símbolo das novas conquistas do futebol francês.
Henry - O MVP da final, apesar dela ter sido resolvida pelos companheiros (Trézeguet, Wiltord e Pires) que saltaram do banco. A defesa da Itália, como muitas outras na competição, deu-se mal com a velocidade estonteante deste jovem de 22 anos, já campeão de Europa e do Mundo. A troca da Juventus pelo Arsenal fez-lhe bem. Tornou-se mais rápido e um atacante mais completo. Já não joga apenas a extremo, pode ser mesmo ponta-de-lança. Foi um movimento de acabado goleador que lhe permitiu fazer o golo do empate frente a Portugal. Ainda assim acabou com tantos golos como os obtidos no último Mundial: três. E mais uma vez foi o goleador-mor da França.
Kluivert - Como provou nos três golos à Jugoslávia é um ponta-de-lança com um primeiro toque esplêndido e uma velocidade de concretização inigualável. Ainda para mais, é um homem sério. Enquanto noutras latitudes há jogadores capazes de reivindicarem golos de outros para ganharem troféus, Kluivert foi o primeiro a assinalar que apenas tinha feito três quando toda a gente, mesmo os observadores oficiais da UEFA, julgavam que tinha feito quatro. Kluivert é um futebolista a chegar à idade adulta e tirou excelente partido da prova altruísta de Bergkamp. Por alguma razão já passou o antigo ídolo, Van Basten, na lista dos goleadores da selecção laranja.
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