Os ‘gatafunhos’ em português

Tiago Craveiro concebeu a Liga das Nações e, pelo caminho, teve de vencer o ceticismo de muita gente

• Foto: Pedro Ferreira
A Liga das Nações da UEFA, cujo sorteio foi realizado ontem, começou no bloco de notas de um português. Em finais de 2014, Tiago Craveiro, diretor-geral da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), foi à Suíça para propor ao então secretário-geral da UEFA, Gianni Infantino (atual presidente da FIFA), a criação da primeira nova prova de seleções A no continente em quase 60 anos. Na sala Gerhard Aigner (secretário-geral da UEFA na altura do Euro’2004), estava também o grego Theodore Theodoridis, então presidente do Comité de Competições de Seleções. O português falou da ideia e rabiscou uns ‘gatafunhos’. Infantino tirou uma fotografia ao papel com os rabiscos e enviou-a ao presidente Michel Platini. Percebeu que havia ali qualquer coisa que podia ser explorada.

A ideia era simples: criar uma prova que ocupasse as datas FIFA, até agora preenchidas por jogos particulares e, com isso, criar uma competição que pudesse aumentar o interesse das televisões, de forma a garantir um maior encaixe financeiro. Afinal, um Alemanha-França ou um Portugal-Itália vale bem mais no mercado de TV se for oficial do que se for particular. A ideia confirmou-se: a venda dos direitos da Liga das Nações foi um êxito.

Michel Platini duvidou ao início, pois temia a divisão de seleções. Infantino pediu a Tiago Craveiro que apresentasse a mesma ideia no Comité de Competições de Seleções, na altura liderado pelo então presidente da poderosa federação alemã. Ao lado do português estava Steven Mertens, secretário-geral da federação belga. As dúvidas de Platini mantinham-se, mas este resolveu convocar um encontro com as cinco federações mais fortes, juntando-lhes ainda Holanda e Portugal, onde a ideia pudesse ser aprofundada. Na altura, o francês acreditou que seria o golpe fatal na Liga das Nações.

Wolfgang Niersbach, presidente da federação alemã à época, arrasou a proposta. Michael van Praag, da Holanda, também se mostrou contra. E o espanhol Ángel Villar riu-se. Tiago Craveiro respondeu a todas as dúvidas com 11 pontos. Quando acabou, Michel Platini levantou-se da cadeira e disse: "Estou esclarecido." Antes de sair da sala, passou por Craveiro e convidou-o para jantar nessa noite. Disse-o alto, para que todos o ouvissem. Menos de três anos depois, já com Ceferin a liderar a UEFA, a Liga das Nações é real.
Por Sérgio Krithinas
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