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Alemanha causa trauma comparável ao Maracanazo

Humilhação brasileira traz Maracanazo à memória
• Foto: getty images

O Mineirão, em Belo Horizonte, recebeu quarta-feira uma das maiores humilhações da história do futebol. O Brasil acolheu o Mundial com o objetivo que conquistar o desejado sexto título, aproximou-se desse objetivo ao chegar às meias-finais, mas acabou vergado à maior derrota da história da Canarinha, perdendo por quase inacreditáveis 7-1 diante da Alemanha.

Um descalabro histórico, que trouxe à memória dos brasileiros aquilo que aconteceu há 64 anos, quando o Brasil também foi o país organizador do Mundial de 1950. O Maracanazo, como ficou eternizado, marcou toda uma geração e está ainda hoje bem presente na memória de um povo.

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Excesso de confiança aumentou humilhação

Em 1950, o Brasil entrou no Mundial caseiro em busca do seu primeiro troféu de campeão. Ao contrário do que aconteceu em todos os outros campeonatos do Mundo, o título foi decidido através de uma Final Four, com as quatro seleções apuradas da fase de grupos e jogarem todas contra todas.

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A seleção brasileira arrasou por completo a Espanha (6-1) e a Suécia (7-1) e chegou ao último jogo a necessitar apenas de um empate com o Uruguai, que havia ganho à Suécia (3-2) mas empatado com a Espanha (2-2).

Conseguir um simples empate diante do vizinho Uruguai parecia uma tarefa demasiado fácil para uma equipa que ia contar com o apoio de 200 mil brasileiros em pleno Estádio Maracanã. No dia 16 de julho, o ambiente foi de autêntico Carnaval e a confiança mais do que muita.

Antes do encontro, o perfeito do Rio de Janeiro chegou mesmo a dar os parabéns à seleção brasileira nos microfones do Estádio: "Vós brasileiros, a quem eu considero os vencedores do campeonato mundial; vós brasileiros que a menos de poucas horas sereis aclamados campeões por milhares de compatriotas; vós que não possuis rivais em todo o hemisfério; vós que superais qualquer outro competidor; vós que eu já saúdo como vencedores!"

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As palavras de pura exaltação nacional seriam alvo de chacota poucas horas depois, quando um Uruguai organizado defensivamente e ferido de orgulho, conseguiu calar o Maracanã num dos resultados mais surpreendentes da história dos campeonatos do Mundo. Os brasileiros ainda estiveram a ganhar, com golo de Friança a abrir a segunda parte, mas foram silenciados nos minutos seguintes por Schiaffino e Ghiggia.

No final e para além do silêncio arrepiante dos 200 mil adeptos presentes, não foi tocado o hino nem entregues medalhas aos finalistas. Jules Rimet, presidente da FIFA, confessou mesmo que tinha o seu discurso de congratulação aos vencedores escrito em... português, nunca tendo sequer colocado a hipótese de ser o Uruguai a sair do Rio de Janeiro com o título mundial.

Mudança de equipamento e suicídios...

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O trauma do Maracanazo não ficou apenas na memória dos brasileiros mas foi materializado em ações que mudaram não só a vida de muitas pessoas como toda a história do futebol brasileiro.

A partir desse encontro, a seleção brasileira trocou o equipamento branco, com o qual se apresentou até essa competição, pelo amarelo, com o qual depois conquistou oito anos depois o primeiro de cinco títulos mundial, já com o Rei Pelé em campo.

Trágicos foram ainda os muitos suicídios de adeptos brasileiros, completamente inconformados com o perder de um título que já consideravam seu por direito.

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