Brasil-Alemanha, 1-7: Lição inesquecível na pátria do futebol

Brasil-Alemanha, 1-7: Lição inesquecível na pátria do futebol
• Foto: REUTERS

Não foi um banho de bola qualquer, um duche rápido só para tirar a poeira de um dia de trabalho; foi um banho de imersão com todos os requisitos de luxúria, em banheira de ouro, com espuma e sais minerais das melhores proveniências. A Alemanha fez de Brasil, pegou na bola, começou a trocá-la entre si, com sentido prático e o compromisso de todos os seus elementos, e foi provocando nas bancadas do Mineirão panóplia de sentimentos cujo dramatismo subiu por etapas, isto é, a cada golo apontado pelos germânicos: espanto, preocupação, depressão e desespero. Entre o minuto 23 e o 29, a Alemanha fez quatro golos que, a juntar ao que fizera aos 11 minutos, tudo definiu: 5-0 à meia hora.

Consulte o direto do encontro.

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Depois do Maracanazo, que interferiu largamente na história brasileira do século passado, a goleada sofrida ontem com os alemães deixará tudo fora do lugar no futebol canarinho: lá se foi a Senhora do Caravaggio; o pragmatismo que tem matado aos poucos o samba de toda a vida; a seriedade que se sobrepôs à magia de alguns dos melhores jogadores da história do futebol. No lançamento do jogo, o enorme Zico dava voz ao povo: “É preciso ganhar jogando bem.” Aconteceu o pior: a desgraça de perder jogando mal; de ser humilhado em casa sem conseguir discutir a superioridade esmagadora do adversário; de juntar à tragédia de 1950, o impensável desastre de uma derrota por 1-7, não num particular competitivamente insignificante, o que já seria um horror, mas nas meias finais do Mundial.

Quatro anos depois de a Espanha ter atingido a glória agarrada a ideia do tiki-taka do Barcelona, a Alemanha chega à final manuseando valores que, no futebol atual, só o Bayern Munique domina. Sem ter sido campeão do Mundo em 2010 e longe do banco ontem no Mineirão, é impossível omitir o nome de Pep Guardiola como ideólogo do estilo e da estética destas duas seleções. A Alemanha provou ontem, de forma penosa para o Brasil, que o Mundo reconhece como reserva espiritual do futebol de todos os tempos, que vale a pena ter a bola e saber o que fazer com ela; que o destino não conta quando podemos escolher o futuro; que o futebol, não sendo a ciência que muitos teimam em convencer-nos que é, também não pode estar só dependente do acaso e dos humores divinos. Gary Lineker, goleador inglês dos anos 80 e 90, dizia que o futebol é simples: são onze contra onze e, no fim, ganha a Alemanha. Mas ontem, que diabo, quem é que havia de ganhar?

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ÁRBITRO - Marco Rodríguez (nota 4)

Num jogo sem casos, o mexicano aproveitou para passar despercebido, mesmo com algumas falhas. Nos lances mais suscetíveis, que foram poucos e quase todos longe das balizas, não merece reparos. Manteve o critério técnico até ao fim mas devia ter sido mais rigoroso em termos disciplinares. Foi bem auxiliado pelos assistentes.

MOMENTO

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Decorria o minuto 23 quando a derrocada brasileira começou a desenhar-se: a Alemanha elevava para 2-0. Mas o golo tinha o peso suplementar de dar a Miroslav Klose o estatuto de maior goleador da história dos Mundiais, superando Ronaldo Fenómeno. O alemão de origem polaca tem agora 16 tiros certeiros no grande palco.

NÚMERO

8 - São as finais do Mundial que a Alemanha conta no seu historial. Os germânicos desempataram assim o número de jogos decisivos com o Brasil. A diferença é que os canarinhos venceram cinco em sete enquanto os alemães, antes do jogo decisivo no Maracanã, contam apenas três vitórias.

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