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ADN da região está bem presente em Neto, Bruno Alves, Coentrão e Postiga...
Mesmo que tenha ficado reduzido a três elementos – Bruno Alves, Neto e Hélder Postiga –, face à lesão que obrigou Fábio Coentrão a regressar à base, o eixo Póvoa de Varzim-Vila doConde, com as Caxinas na fronteira, é a região portuguesa mais representada nos convocados de Paulo Bento para o Mundial do Brasil.
Por lapso, não raras vezes todos eles são apelidados de caxineiros, mas para sermos precisos apenas o azarado lateral e o avançado podem verdadeiramente ostentar esse rótulo, pois são os únicos originais das Caxinas, a localidade piscatória que, apesar de pertencer a Vila do Conde, faz a fronteira entre as duas cidades aqui em análise. Quanto aos defesas-centrais, esses nasceram ligeiramente mais a norte, na Póvoa de Varzim, sendo certo que as questões geográficas que separam poveiros e vila-condenses não têm correspondência num estado de espírito comum aos naturais dos dois concelhos e, consequentemente, ao quarteto de internacionais portugueses a que nos referimos.
“É a raça que nos distingue. Os jogadores desta região são daqueles que, em campo, até mordem a língua”, explica a Record o poveiro Ricardo, guarda-redes que trocou a Académica pelo FC Porto e que é primo do defesa-central Neto. Trata-se de uma perspetiva que é igualmente partilhada pelo vila-condense Quim Vitorino, ele que nos seus tempos de jogador também “ofereceu” esse mesmo atributo à Seleção Nacional. “A raça é sem sombra de dúvida a principal característica dos jogadores nascidos nesta zona, todos a têm no ADN”, vincou o antigo médio.
A proximidade do mar, o objetivo de fugir à pesca como profissão e os espaços abertos à prática da modalidade são aspetos que ajudam a perceber o viveiro de jogadores que lá são formados. Isto sem esquecer o trabalho feito na formação pelos dois clubes mais representativos da região, os históricos Varzim e Rio Ave.
“Quem nasce nesta zona leva desde cedo com o lado mais duro da vida. A vida dos pescadores, profissão tão característica da zona, não é nada fácil. No entanto, essa situação ajuda a definir o perfil do futebolista da região e isso verifica-se ao nível da disponibilidade com que encaramos qualquer ambiente. Repare que os quatro jogadores de cá, que estão na Seleção, jogam no estrangeiro e não temem qualquer estádio ou desafio”, verifica Quim Vitorino. “Por cá, ainda se vê muito o futebol de rua, também se pratica o futebol de praia, e isso garante um grande estofo a qualquer jogador. Depois, todos querem ser melhor do que os outros, o que promove o espírito competitivo. Os tira-teimas eram feitos no campo de treinos do Varzim, um campo pelado, como já há poucos em Portugal. Esse é o verdadeiro viveiro da região”, prossegue Ricardo. E nós acrescentamos que o ringue das Caxinas, onde funciona a Académica Fábio Coentrão, é outro viveiro e ponto de encontro de muitos jovens para quem o quarteto em análise serve de exemplo a seguir. Um exemplo da raça lusitana que quer voltar a conquistar o Brasil.
Transporte para levá-los à bola
A iniciativa partiu do Varzim e deu tão bons frutos, que o Rio Ave aproveitou a boleia e seguiu pelo mesmo caminho. Os dois clubes mais representativos da região têm viaturas que percorrem os dois concelhos para facilitar a vida aos candidatos a jogadores que são financeiramente menos afortunados e levá-los aos treinos dos respetivos clubes. O Rio Ave, de resto, inovou e fá-lo com maior estilo, visto que as viaturas que disponibiliza para o efeito têm fotos de Coentrão e Miguelito.
Unidos na dor mas também na hora de apoiar
A comunidade piscatória da Póvoa de Varzim e Vila do Conde tem vivido verdadeiros dramas ao longo dos anos, com naufrágios que vão levando os homens da terra. Nesses momentos de dor e amargura, as duas povoações unem-se no sofrimento, para assim superarem a dor provocada pela partida dos seus entes queridos. Estão juntos nas horas tristes, mas também reagem assim na hora de apoiar os filhos da terra, como acontece neste Mundial em que têm quatro representantes na Seleção Nacional. Por isso, no Casino da Póvoa foi colocado um ecrã gigante que servirá de estádio para os locais apoiarem Portugal, com o foco sempre presente em Neto, Bruno Alves e Postiga, já que Coentrão não joga mais. Não é caso único de apoio. A Associação do Comércio ao Ar Livre, por exemplo, espalhou pela Póvoa cartazes alusivos ao Mundial, com quadras e uma delas canta assim: “Bruno Alves é o maior/O Neto não fica atrás/Coentrão é campeão/O Postiga é um sagaz.”
Um cantinho brasileiro para o filho adotivo
Nasceu no Brasil, jogou no Rio Ave e no Varzim, casou-se com uma poveira e teve três filhos em Portugal. Falamos de Washington, pai de Bruno Alves, Geraldo e Júlio Alves, que criou raízes na região e é cliente habitual do Nautico Bar, até por morar lá perto. Por isso, teve direito a uma atenção especial por parte do gerente desse estabelecimento. “Também teremos por cá algumas bandeiras do Brasil, por causa do senhor Washington, uma joia de pessoa”, explicou-nos Augusto Sérgio, que também tem tempo para gerir as barracas das praias junto ao seu bar e, por isso, conhece bem os craques que a região ofereceu ao futebol.
Apanhado no futvólei
Pela parte da mãe, Bruno Alves também é descendente de pescadores, mas tendo o pai como profissional de futebol, o defesa-central português conseguiu mais facilmente fugir à vida em alto-mar. Ainda assim, manteve sempre uma proximidade com a praia e as redes e não apenas as das balizas de futebol. Amante do futvólei, Bruno Alves aproveita sempre as férias para matar saudades desse desporto nas praias da Póvoa de Varzim. Essa não é, contudo, a única atividade que pratica na praia. No Natal de 2012, por exemplo, fez-se acompanhar pelo luso-brasileiro Pepe e os dois tiveram aulas de surf, aproveitando as ondas de inverno em Vila do Conde. Fiel às suas origens, Bruno Alves volta sempre à terra mãe e é lá que prepara o futuro, com investimentos no ramo imobiliário. Porém, apesar dos 32 anos que o seu bilhete de identidade mostra, parece estar no futebol para durar. O guarda-redes Ricardo explica: “O trabalho que ele desenvolveu e ainda desenvolve por iniciativa própria nestas praias torna-o mais resistente.”
Futebol antes da vida
Sobrinho do guarda-redes Dias Graça, que representou o Benfica no final da década de 80 do século passado, e do defesa Vitoriano, que chegou a representar o FCPorto entre 1984 e 1986, Luís Neto já tinha o futebol bem presente na sua família quando nasceu, em 1988. Manteve-se fiel às suas raízes e também ele enveredou pelo desporto rei. Alicerçado pelo espírito competitivo da região que o viu nascer, recolhe agora o mérito de ter conseguido projetar a sua carreira internacional sem nunca ter passado por um dos clubes grandes de Portugal. Para isso, também muito lhe valeu o apoio do pai, José Neto, que também foi defesa-central, embora nunca tenha tido a oportunidade de jogar como profissional. Entre os mediáticos jogadores que Neto tem na família, há ainda a referir o guarda-redes Ricardo, um primo que funciona como irmão e que lhe reserva um desejo: “Por esta região, gostaria que ele e o Bruno Alves fossem os titulares da Seleção.” Pepe pode ter permitido isso mesmo...
Em contradição
Como grande parte dos jogadores formados no eixo Póvoa de Varzim-Vila do Conde, também o caxineiro Hélder Postiga viu o futebol fintar o destino que lhe estava traçado, tirando-o das lides piscatórias para oferecê-lo aos relvados. Perdeu-se um pescador, ganhou-se um goleador, mas ficou nele o “bichinho” pelo mar, algo que continua a inspirá-lo. Ainda nos dias que correm, o avançado, de 31 anos, aproveita os tempos livres que a competição lhe oferece para praticar o que se tornou num dos seus passatempos preferidos: a pesca. Pode parecer contraditório, pois muitos dos seus conterrâneos procuram fugir a essa profissão que de certa forma apaixonou Postiga, mas talvez isso aconteça apenas porque não tem de fazer vida disso. E, reza a lenda, Postiga até tinha jeito para o ofício. Na sua juventude, não ia treinar-se sem antes ajudar o pai com as redes, num armazém, e numa ocasião saíram juntos para alto-mar e voltaram com mil cabazes de sardinhas. “É um rapaz pacato, muito educado, que nunca renunciou às suas raízes”, contou-nos o tio José.
O bom rebelde
O azar bateu-lhe de frente, mas encontrará nas gentes da sua terra o apoio necessário para ultrapassar a lesão que o fez vir mais cedo do Brasil. É normal que assim seja, visto que, apesar da notoriedade que alcançou, Fábio Coentrão nunca deixou de atender o telefone aos amigos que fez na infância, quando ainda estava longe do holofotes da fama e sua vida podia pender para o lado mais rebelde. De “Pestinha” a “Figo das Caxinas”, foi um grande passo para o lateral, um trajeto feito a pulso, apesar do jeito para o futebol lhe ter sido detetado desde cedo. Filho de pescador, também fintou o mar, mas ficou a admiração pelo ofício, que entretanto passou a hóbi. “O Coentrão tem garra nas veias, é um guerreiro do mar ao serviço do futebol. Quer ganhar tudo, mesmo a brincar”, conta José Postiga, tio do avançado com o mesmo apelido. Agora a viver em Madrid, Coentrão investe em Vila do Conde e volta lá sempre que pode. No final do Mundial’2010, foi logo visto nas praias da região, a jogar futebol, algo que infelizmente agora não repetirá...
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