Rui Águas: «Hoje era impossível Saltillo acontecer»

Rui Águas: «Hoje era impossível Saltillo acontecer»
Rui Águas: «Hoje era impossível Saltillo acontecer» • Foto: Vítor Chi

Nascido a 28 de abril de 1960, Rui Águas tinha 25 anos quando chegou ao Benfica, oriundo do Portimonense, clube no qual jogou na 1.ª Divisão pela primeira vez. Filho de um dos melhores avançados da história do futebol português (José Águas), em 1988 trocou o Benfica pelo FCPorto, regressando a casa dois anos depois para ser mais duas vezes campeão e consagrar-se melhor marcador do campeonato. Terminou a carreira com 292 jogos e 121 golos na Liga; 31 jogos e 10 golos na Seleção; 33 jogos e 13 golos na Europa. Foi quatro vezes campeão nacional e venceu a Taça de Portugal em três ocasiões.

RECORD – Que importância teve o Mundial na sua carreira?

RUI ÁGUAS – Muita, como em qualquer jogador que nele participe. Joguei o Mundial no fim do meu primeiro ano de Benfica, isto é, recém-chegado a um nível competitivo muito exigente. A afirmação não foi automática e só na segunda volta atingi a titularidade. Creio mesmo que só depois de ter marcado três golos ao FC Porto, numa vitória por 3-1 na Luz, carimbei definitivamente o passaporte para o México.

R – Confirmou a expectativa com que partiu para Saltillo?

RA – O Mundial naquele tempo era diferente da atualidade em termos mediáticos, de acompanhamento, de importância para o dia-a-dia das pessoas comuns. Mas confirmei o que os companheiros mais velhos me diziam: que ali nos sentíamos verdadeiramente jogadores de futebol. Eu era dos mais novos e tudo aquilo me fascinou, a força do evento, o que rodeava a equipa, a representação do país...

R – A aventura acabou por ter um fim desagradável. Valeu a pena?

RA – Vale sempre a pena, mesmo uma experiência daquelas, negativa, cheia de histórias mal contadas... Hoje era impossível Saltillo acontecer, a começar pelo respeito que os futebolistas conquistaram. E nós não fomos respeitados. Não houve bom senso, a guerra instalou-se e a comitiva ficou dividida. No entanto, ao contrário do que sucedera no Euro’84, em que a rivalidade entre Benfica e FC Porto tinha causado dificuldades entre os jogadores, no México a união entre nós foi total.

R – Frederico disse que se Pinto da Costa ou Valentim Loureiro fossem presidentes da FPF, Saltillo resolver-se-ia em 5 minutos...

RA – Eu diria que qualquer bom dirigente o resolveria. O pior é que ele não existiu. A verdade é esta: assuntos que já tinham dado problemas dois anos antes foram falados e acertados a seu tempo para o México. Iniciada a concentração disseram-nos que, afinal, esse acerto não valia. Foi uma absoluta falta de respeito. As repercussões foram as conhecidas: estávamos em representação de Portugal e tínhamos o país inteiro contra nós.

R – Voltou à Seleção Nacional mais tarde. Saltillo ajudou a resolver alguns problemas?

RA – Sem dúvida. Aprendeu-se a lição, apesar de, logo a seguir, se ter batido no fundo com a escolha de um selecionador que nem sequer era treinador. Partindo do peregrino princípio de que repetir a solução de 1966 podia dar resultado. Tinham passado 20 anos e Eusébio já não jogava.

Para Rui Águas, a Seleção Nacional que vai estar presente no Brasil merece-lhe algumas reservas. “Creio que já estivemos mais fortes nos últimos anos”, começa por dizer, acrescentando de seguida que “isto apesar de Cristiano Ronaldo jogar por nós, com tudo o que isso implica”. E para sustentar a esperança à volta do melhor do Mundo, adianta: “Basta ver o que sucedeu no playoff com a Suécia para percebermos o peso relativo que ele tem na nossa equipa.”

Sobre os favoritos à conquista do título, “não apostaria em quem quer que seja, porque não sou capaz de escolher, a esta distância, uma seleção melhor do que as outras”. Apesar de tudo, “o Brasil, por jogar em casa, será sempre uma seleção a ter em conta”, seguida pelo pelotão habitual, composto por “Alemanha, Argentina e Espanha”. Quanto aos potenciais outsiders, Rui Águas alimenta “a esperança em Portugal e noutras seleções que, não estando na linha da frente, podem ter uma palavra a dizer: Itália, Bélgica e Colômbia – esta, mesmo sem Falcão, tem muitas e boas opções”.

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