Rui Costa: «A Seleção de 2002 era potência mundial»

Rui Costa: «A Seleção de 2002 era potência mundial»
Rui Costa: «A Seleção de 2002 era potência mundial» • Foto: Miguel Barreira

Rui Costa foi um dos melhores jogadores de sempre em Portugal e um dos mais aclamados a nível mundial. Produto das escolas do Benfica, clube do qual se tornou símbolo eterno, foi ao serviço de Fiorentina e Milan que viveu os anos de ouro, tendo conquistado uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia, um scudetto e três Taças de Itália. De águia ao peito ganhou um título nacional e uma Taça de Portugal, num total de 18 golos em 121 jogos para o campeonato – na Série A fez 339 jogos e marcou 42 golos. O Maestro, como ficou conhecido, assinou ainda 94 presenças na Seleção Nacional, com 26 golos.

RECORD – Que memórias guarda do Mundial’2002?

RUI COSTA – Devemos começar por ordem cronológica e o ponto de partida foi uma campanha perfeita, num grupo muito difícil, com a Holanda e a República da Irlanda. Desde 1994, entre sucessos e fracassos, chegámos ao Euro’2000 certos de que podíamos bater qualquer adversário. E chegámos a 2002 como superpotência. Não era só por convicção ou palavras, era pela estatística, pelos resultados... Nada nos faltava para sermos, nesse Mundial, uma Seleção candidata aos lugares cimeiros.

R – Nada disso se confirmou. Ainda hoje é uma deceção para si?

RC – O apuramento fez-nos acreditar que a Seleção de 2002 era uma potência mundial – e, atenção, éramos mesmo. Não era apenas o que nós sentíamos: era assim que os outros nos viam. A fasquia estava tão elevada que uma saída igual à de 1996, nos quartos-de-final, já seria uma desilusão. Estávamos feitos para esse Mundial. A minha grande mágoa em termos de competições internacionais é esse fracasso.

R – Perder o primeiro jogo no Mundial’2002 foi importante?

RC – Foi, por todas as razões, com a agravante de termos baqueado perante um adversário que estava longe de ser uma potência. Falar do que correu mal a esta distância pode ser um exercício inútil, mas a memória regista explicações muito claras. E não foi só uma, foram várias. O estágio em Macau, por exemplo, não nos beneficiou. O clima não permitiu que nos treinássemos e desempenhássemos bem o nosso trabalho.

R – Tiveram essa noção na altura do jogo com os EUA, por exemplo?

RC – Tivemos logo a noção de que passaríamos, fatalmente, por graves problemas físicos. Em Macau corríamos 10 minutos e as pernas iam abaixo. A meio do jogo com os EUA, meia equipa estava com cãibras. E a culpa disso não foi do selecionador, do preparador físico ou de outro responsável qualquer. Todos queríamos fazer bem mas não podíamos, não estávamos em condições de fazê-lo. Essa é a grande verdade.

R – Foi a sua penúltima grande competição internacional antes do adeus à Seleção em 2004...

RC – Hoje tenho outra visão das coisas. Sempre respeitei as decisões dos meus superiores e nunca me senti um jogador único. É sempre difícil perder a titularidade, mas custou-me mais perdê-la em 2002 do que em 2004. O que mais me fez sofrer no Europeu foi a ideia que passou para o exterior de que eu e o Fernando (Couto) tínhamos sido os culpados da derrota com a Grécia, no Dragão.

«Vamos confiar em CR7»

Rui Costa recorda com satisfação os primeiros contactos com Cristiano Ronaldo, considerando ter sido “uma experiência mais do que agradável”. Quando se cruzaram, “a malta do Sporting já me tinha avisado que estava ali um fenómeno e, ao fim dos primeiros treinos, já todos dizíamos entre nós que o miúdo ia ser o melhor do Mundo”. “Era um jogador diferente de todos os outros, que gostava de fazer a diferença em qualquer momento, gesto ou ação, nem que fosse na execução de um lançamento de linha lateral”, recorda o Maestro, encantado quando, nas manhãs antes dos treinos, “ele aparecia com truques novos que inventava durante a noite”, com a consequência de “pôr-nos a tentar fazer esses truques durante umas horas”.

Sobre o peso que terá no Mundial’2014, Rui Costa refere: “Vamos confiar em CR7 com a certeza de que não podemos descarregar sobre os ombros dele toda a responsabilidade. Ronaldo impulsiona a equipa mas, como se viu nos jogos com a Suécia, é preciso que todos estejam concentrados e não cometam erros.”

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