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Esteve referenciado pelo Benfica mas só ontem viu a Luz em todo o seu esplendor...
“Poveirinhos pela graça de Deus” é uma expressão que o rei D. Luís I consagrou quando numa viagem à Póvoa de Varzim perguntou aos pescadores se eram espanhóis, tendo estes respondido daquela maneira. Pois bem, embora Luís Carlos Novo Neto tenha um nome de provável origem galega (“Novo”), bem todos podemos dizer que graças a Deus que é português e não galego, não precisando sequer de tal se afirmar por via administrativa.
No seu 2.º jogo pela Seleção Nacional, Neto, que ocupou o lugar de Pepe, mostrou que tem lugar no onze de Portugal, fazendo dupla com outro poveiro e ex-varzinista, Bruno Alves. Numa equipa onde outros poveiros, com sotaque caxineiro, também foram titulares, como foram os casos de Fábio Coentrão e Hélder Postiga. Ou seja, 4 poveiros no onze de Portugal e ainda Vieirinha, que é das Taipas e provavelmente foi muitas vezes a banhos à praia da Póvoa de Varzim, que é o destino de verão de que quem vive por ali...
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Luís Neto, hoje jogador do Zenit, depois de uma passagem fulgurante pelo Siena, há dois anos era jogador do Varzim, um histórico do nosso futebol que tem andado pelas ruas da amargura. Mas já estava, com 23 anos, referenciado por alguns grandes do nosso futebol. O Benfica, por exemplo, tal como confessou o próprio Neto, chegou a ter direito de preferência sobre o central que acabou por ir, na temporada de 2011/12, para o Nacional da Madeira.
O que é extraordinário nesta história é que os grandes clubes portugueses não tenham percebido o potencial do defesa-central formado nas escolas do Varzim, de onde saíram jogadores de grande qualidade para os mais diversos clubes nacionais. Acabaram por ser Manuel Machado e Rui Alves a perceber que estava ali uma pérola. Valeu a pena. O clube madeirense só pagou ao Varzim uma verba simbólica porque Luís Neto fez questão que assim fosse – o defesa podia rescindir com justa causa devido a salários em atraso – e já ganhou duas vezes com transferências do jogador. Quando Neto saiu para o Siena, o Nacional da Madeira encaixou 1,8 milhões de euros e conseguiu outro tanto quando o Zenit se meteu ao barulho. Não é para todos...
Com quatro anos de contrato com o Zenit, onde vai ganhar 6,5 milhões de euros nesse período, Luís Neto, poveirinho pela graça de Deus, sobrinho do antigo jogador do Varzim Vitoriano, ainda vai agitar mais o mercado. Para já, está a afirmar-se na Seleção Nacional, depois de se ter estreado no jogo particular com o Equador, disputado em fevereiro deste ano em Guimarães e que até nem correu nada bem para a equipa de todos nós (2-3). Mas Paulo Bento não se deixou iludir e deu um “bis” a Neto e ontem foi o que se viu no Estádio da Luz.
Paulo Bento "acréditou"
Luís Neto já tinha sido convocado para a jornada dupla com a Rússia e a Irlanda do Norte mas não foi utilizado nesses jogos. O selecionador nacional tinha, porém, a carta bem guardada na manga e lançou pela primeira vez o jóquer no jogo de preparação com o Equador. Não há muitos centrais portugueses com esta qualidade mas o selecionador arriscou. O crédito é para já de quem acreditou.
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