A equipa constituída pela Interpol para apoiar o planeamento da segurança e policiamento em redor do próximo campeonato do mundo de futebol, agendado para 2022 no Qatar, vai ser coordenada pelo português Jorge Alexandre Gonçalves Maurício, superintendente-chefe da PSP.
O atual comandante metropolitano de Lisboa da PSP, 53 anos, vai exercer estas novas funções entre janeiro de 2020 e outubro de 2022, depois de ter sido escolhido pela polícia internacional para liderar o Projeto Stadia, criado em 2012 por um prazo de uma década e financiado pelo Qatar, cuja economia está a perder fôlego.
Licenciado em Ciências Policiais pela antiga Escola Superior de Polícia, Jorge Maurício liderou antes o comando operacional da PSP em Setúbal, foi comandante distrital em Beja, em Faro e também oficial de ligação do Ministério da Administração Interna junto da embaixada em Cabo Verde e integrou a força policial da ONU na Bósnia-Herzegovina.
Segundo a informação avançada pelo Governo esta segunda-feira, 6 de janeiro, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, já autorizou esta dispensa de serviço através de uma licença sem vencimento, que consta de um despacho conjunto assinado com a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias.
Qatar, entre polémica e corrupção
Anunciada a 2 de dezembro de 2010, foi polémica a escolha do Qatar para a organização do Mundial de futebol, em detrimento das candidaturas dos EUA, Coreia do Sul, Japão e Austrália, tendo mesmo abalado a estrutura diretiva da FIFA, com a demissão de Joseph Blatter, da presidência deste organismo.
Uma investigação das autoridades francesas sobre a possível interferência dos poderes político e desportivo na atribuição da competição ao Qatar levou, em junho de 2019, à detenção do antigo presidente da UEFA, Michel Platini, por suspeitas de corrupção, num caso em que estão também em causa os crimes de associação criminosa e tráfico de influências.
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