O Mundial'2022 foi palco de muitos sonhos concretizados e deu também histórias para muitos adeptos levarem para a vida. Os argentinos, que foram os que celebraram a conquista final, serão certamente aqueles que mais memórias levarão do torneio, mas poucos se podem orgulhar de ter vivido o torneio da forma como Nicolás Alessandro, um fã incondicional de Suipacha que chegou ao Qatar como um desconhecido e acabou no relvado a celebrar como um elemento da "família" da seleção.
A história deste fã começou a desenhar-se no dia do jogo com o México, o segundo da Argentina no Mundial. Quando chegou ao estádio, percebeu que os seus bilhetes eram para a zona onde ficavam os familiares dos jogadores, algo que se repetiria em todos os encontros até à final. "Começámos a criar vínculos, conexões e até superstições", recorda, à TyC Sports. A relação de proximidade foi intensificando-se, de tal forma que, jogo após jogo, havia rituais que se cumpriam. "Os golos eram festejados com o pai do Cuti Romero. Cada penálti, a favor ou contra, ia para junto do irmão do Nahuel Molina, para vê-los de braços dados. Cumprimentava as irmãs do Cuti com um choque de punhos. Sentíamos que essas pequenas coisas nos davam sorte. Por isso tínhamos de manter os lugares".
E assim foi até ao grande dia. O dia da final. Aí, tudo foi feito como sempre e a vitória não fugiu à Argentina. A loucura foi enorme e, no meio de tudo isso, Nicolás acabou por viver provavelmente o momento mais marcante de todos. "Quando o jogo acaba, começámos a baixar [para o relvado]. O irmão do Nahuel diz ao segurança 'somos irmãs do Molina'. Mas aí o segurança começou a tentar tirar-me dali. Nesse momento aparece o irmão do Guido Rodríguez, que me salvou. 'He is my brother', disse-lhe. O segurança continuou a desconfiar, até que aparece a mãe do Guido e nos abraça aos dois. 'São os meus filhos', gritou. E foi assim que pude desfrutar de tudo dentro do campo".
E quando diz "tudo"... foi mesmo tudo. Nicolás celebrou como se fosse um dos elementos da família da seleção, passando largos minutos a tirar fotos no relvado. Fê-lo com Messi, Enzo Fernández, Emiliano Martínez, Otamendi, Dybala, Di María e até mesmo com Antonella Roccuzzo, a mulher do próprio 10. Mas um dos momentos mais inesquecíveis será mesmo quando pegou na taça de campeão do Mundo e, claro, registou o momento. Foi o ponto final numa celebração para guardar para sempre.
Por Fábio Lima