Luís Castro: «Foi um ato de grande risco deixar Cristiano Ronaldo no banco»
Treinador português procurou explicar titularidade de Gonçalo Ramos frente à Suíça
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Luís Castro procurou explicar por que razão Fernando Santos decidiu dar a titularidade a Gonçalo Ramos e deixar Cristiano Ronaldo no banco frente à Suíça, num programa da 'Sport TV', do Brasil.
"As mudanças de um treinador têm sempre a ver com o que são os interesses da equipa, a estratégia em função do adversário e o que querem do jogo. Neste jogo não interessava tanto os movimentos de apoio frontal, entradas no segundo poste ou em zonas para passe recuado, que o Cristiano faz. Gonçalo é um jogador que ataca o primeiro poste, com crescimento do Raphael Guerreiro e do Diogo Dalot, que servem bem essa zona do primeiro poste. É forte nos movimentos à profundidade curta. Quando se tem jogadores com Bernardo Silva por um lado e João Félix pelo outro, que jogam mais no corredor central e libertam Dalot e Guerreiro, interessava ter jogador que não viesse em apoio frontal e queimasse espaços aos movimentos dos dois. Os movimentos de aproximação do Cristiano promoviam o queimar de espaços para jogadores que jogariam entrelinhas", começou por referir o técnico português, num vídeo divulgado pelo 'Globo Esporte'.
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"Portugal jogou com Gonçalo Ramos na frente e numa primeira linha de construção com William Carvalho. Com estes quatro homens – Bruno Fernandes, Otávio, Bernardo Silva e João Félix – movimentavam-se ali e os apoios frontais não podiam acontecer, senão queimavam muitos espaços a estes homens. Foi por isso que Fernando Santos optou pelo Gonçalo", acrescentou, esclarecendo que Cristiano Ronaldo terá sido aposto contra a Coreia do Sul por ser "um adversário diferente".
Questionado sobre se o facto de deixar Cristiano Ronaldo não foi uma aposta de risco máximo de Fernando Santos, o treinador português foi taxativo. "Mal do treinador que tome decisões em função do que o adepto ou a imprensa vão pensar. O treinador é um homem sozinho na tomada de decisão, é pago para isso. Não pode pensar no que vai acontecer se perder. Havia algumas vozes críticas sobre o caminho da seleção e o Fernando mostrou a grande capacidade que tem enquanto treinador, aliada a uma grande liderança. Mostrou ser um grande líder", realçou, concordando depois com a pergunta formulada.
"É difícil para todos nós colocar Ronaldo no banco. É um ato de grande risco, até porque o jogo não está ganho antecipadamente e se Portugal perde, certamente seria motivo de grande questionamento. Para além disso, colocou Dalot na direita e Guerreiro na esquerda, Otávio em campo. Fez gestão do grupo de forma cirúrgica em função do adversário. Esta equipa [titular frente à Suíça] pode jogar contra Marrocos, porque essa seleção apresenta as linhas muito baixas", sustentou.
Quanto ao jogo propriamente dito, Luís Castro disse ter ficado surpreendido "com a capacidade em aguentar a pressão daquele jogo, mesmo dos mais novos", naquele que diz ter sido "o jogo mais conseguido por uma seleção em termos de jogo neste Mundial" e deixou ainda elogios a Fernando Santos.
"Quem me conhece sabe que não caraterizo treinadores como portugueses ou brasileiros. São do Mundo, porque o mercado é muito grande. Não nos distinguimos por sermos portugueses. Gosto de ver Fernando Santos nos 'quartos', porque é um homem de fé e muito honesto nas suas funções. Nunca entrou em polémica nenhuma, sempre protegeu muito os seus jogadores e formou grupos muito sólidos. Gosto de ver gente dedicada e ambiciosa, independentemente da idade, a ter sucesso. Assim como me congratulei com o sucesso do Tite no último jogo, é com a mesma satisfação que enalteço o do Fernando Santos", concluiu.
