Brian Laudrup: O irmão de Michael

As expectativas do avançado ao ingressar no Ajax foram plenamente concretizadas até ao momento em que foi forçado a abandonar devido a problemas físicos. Jogador talentoso, soube conviver saudavelmente com o sucesso do mano Michael Laudrup e construir uma carreira sólida, consolidada com títulos de relevo

Uma lesão crónica no tendão de Aquiles força Brian Laudrup a abandonar o futebol, corria a temporada 1999/2000. Apesar de ser possível continuar a jogar, o avançado prefere retirar-se da competição quando ainda restava um ano de contrato para cumprir com o Ajax. As dores provocadas pela mazela impedem Brian de estar a 100 por cento, logo a retirada é o cenário escolhido.

O anúncio é feito com alguma mágoa, pois, aos 31 anos, sente que ainda podia dar muito ao futebol, como prova a época que estava a realizar na equipa de Amesterdão, onde em 19 jogos levava 11 golos apontados. Brian, ao ingressar no Ajax em 1999, foi claro quanto às suas intenções: “Desejo muito continuar a minha carreira no Ajax. O meu contrato termina em 2002 e eu sempre disse que ia deixar de jogar nessa altura. Agora continuo a pensar da mesma forma, mas nunca se sabe... É maravilhoso poder parar quando ainda nos sentimos bem. O Ajax é, sem dúvida, um perfeito último clube.”

Antes de assinar pela formação do português Dani, Brian esteve a um passo de representar o Sporting. Após seis meses no FC Copenhaga, o dinamarquês fez saber que procurava um clube em Portugal ou em França, para “poder jogar durante mais dois ou três anos ao mais alto nível”. A menor pressão dos "media" nestes dois países (em relação a Itália, Inglaterra, Espanha ou Alemanha) foi um dos aspectos que mais pesou na decisão do avançado, que deixou o FC Copenhaga devido às críticas dos jornais dinamarqueses pela sua renúncia à selecção, em 1998, após o Mundial de França. Brian chegou mesmo a deslocar-se a Lisboa, onde almoçou na companhia de Paulo de Abreu (ex-administrador da SAD leonina) e Carlos Janela (ex-director para o futebol), para discutir o contrato.

Pretendido por “mais de 15 clubes”, Brian Laudrup acabou por decidir ingressar no Ajax. “Tinha propostas de mais 15 clubes, mas optei pelo Ajax porque sempre gostei da equipa e porque se adapta ao meu estilo de jogo. Existem ainda outras razões. O meu irmão Michael contou-me coisas muito boas sobre Amesterdão e fez-me sentir que o modo de vida na Holanda vai de encontro aos meus interesses. Além disso, vou ter a oportunidade de reencontrar Jan Wouters, com quem joguei no Bayern de Munique. Como futebolista ele era muito bom e agora como treinador penso que também o será”, justificou o internacional dinamarquês.

O PESO DO NOME LAUDRUP

Brian Laudrup cresceu no seio de uma família vocacionada para a prática do futebol. O pai, Finn Laudrup, foi um excelente jogador, que chegou a ser internacional pela Dinamarca. Mas foi o filho mais velho, Michael Laudrup, quem atingiu o sucesso à escala mundial. Considerado um fora-de-série, Michael fez carreira ao serviço de grandes clubes europeus como Lazio, Juventus, Barcelona, Real Madrid ou Ajax. Brian teve de aprender desde cedo a viver com o sucesso do irmão. Em 1983, quando o mais novo dos manos Laudrup tinha apenas 14 anos, Michael tem a primeira aventura no estrangeiro, saindo para Itália. Um ano depois, Brian considera a hipótese de deixar o futebol, uma vez que nos jogos era sempre marcado por dois ou três adversários devido à fama do irmão, que brilhava ao serviço da Lazio. A ideia não é concretizada porque algo pesou mais do que a responsabilidade de ser irmão de uma estrela: o gosto pela prática do futebol. Brian consegue sair da sombra de Michael por mérito próprio e a qualidade do seu futebol não passa despercebida a ninguém. A relação com o irmão nunca foi prejudicada por qualquer tipo de rivalidade familiar, como prova o bom entendimento entre os dois, sempre que actuaram juntos na selecção.

O palmarés de Brian Laudrup vale por si só e está ao nível dos melhores jogadores do mundo. As coroas de glória foram a conquista do Campeonato da Europa em 1992, a Taça dos Campeões Europeus de 1993/94, a jogar no AC Milan (onde também venceu o campeonato na mesma temporada), o título de tricampeão escocês ao serviço do Glasgow Rangers (94/95, 95/96 e 96/97) e as 82 internacionalizações pela Dinamarca (21 golos). Depois de Michael, o futebol assiste ao abandono de Brian. A ausência dos irmãos Laudrup deixa a modalidade carente de "magia".

BRIAN LAUDRUP

Nome: Brian Laudrup

Idade: 31 anos (22/02/1969)

Naturalidade: Viena (Áustria)

Altura: 1,86 metros

Peso: 82 kg

Internacionalizações: 82 (21 golos)

Clubes: Brondby (1986-89; 13 golos); Bayer Uerdigen (1989-90; 6 golos); Bayern de Munique (1990-92; 11 golos); Fiorentina (1992-93; 5 golos); AC Milan (1993-94; 1 golo); Glasgow Rangers (1994-99; 33 golos); Chelsea (1998-99; 0 golos); FC Copenhaga (1999; 2 golos) e Ajax (1999-2000; 11 golos)

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