Jardel «perde» Bota de Ouro

O termo “perder”, do título, é, na realidade, enganoso, pois o troféu nunca foi retirado ao avançado brasileiro. Muito simplesmente não chegou a ser seu, ao contrário do que se acreditou no final da temporada passada. Tudo por causa do nono lugar que Portugal já ocupava no “ranking” da UEFA

Jardel «perde» Bota de Ouro
Jardel «perde» Bota de Ouro

MÁRIO Jardel não vai, como se supunha, ganhar a Bota de Ouro de 1999/2000, troféu referente ao melhor marcador da Europa, o que seria o seu segundo galardão consecutivo, depois de o ter recebido no ano passado, graças aos seus 36 golos em 98/99. Em boa verdade, a sapatilha dourada vai, este ano, parar às mãos do inglês Kevin Philipps, do Sunderland, em cerimónia a realizar em Munique, no dia 6 de Agosto. Mas vamos por partes.

O momento de glória por que passou o ex-portista em 1999 não vai, então, ser repetido este Verão, apesar de o agora jogador do Galatasaray ter não só marcado mais um golo (37) em relação à época antecedente como foi, de facto, quem mais tentos apontou na Europa durante o mesmo período. A questão até é simples, só que ainda não tinha sido detectada.

O problema - para Jardel - é que, entretanto, Portugal desceu para o nono lugar no “ranking” da UEFA e as regras impostas pelos patrocinadores (Adidas e “European Soccer Magazines”) são claras: os golos marcados nos campeonatos dos países situados até ao oitavo posto do “ranking” são duplicados por dois, os do 9.º ao 21.º lugar são apenas multiplicados por 1,5 e os restantes valem só um. Logo, enquanto os 36 golos de Mário Jardel em 98/99, altura em que Portugal ocupava a sétima posição, lhe valeram 72 pontos (36x2), os 37 tentos de 99/00, já com o campeonato luso no nono lugar, apenas resultam em 57 (37x1,5).

Com Inglaterra colocada no sexto posto, Kevin Philipps fica, assim, com a Bota de Ouro (30 golos x 2 pontos = 60 pontos) e, com a Holanda na quinta posição, Ruud van Nistelrooij leva para casa a Bota de Prata (29 golos x 2 pontos = 58 pontos). Simples.

O GRANDE ENGANO

O que baralhou a questão e, no final do campeonato, fez pensar que o troféu ia para o ex-“dragão”, foi o facto de, em termos de atribuição de equipas para as provas europeias, Portugal ter mantido o sétimo posto no “ranking” da UEFA até à época de 1999/2000, precisamente aquela a que reportam os 37 golos de Jardel no FC Porto. Só que, na realidade, a nossa posição relativa era já a nona.

Tal ficou a dever-se às alterações operadas pela UEFA no sistema de pontos válidos para o “ranking”, o que obrigou os clubes a adaptarem-se. Para que o fizessem sem choques repentinos, o máximo organismo do futebol europeu decidiu criar um hiato de um ano. Veja-se o caso de Portugal. O lugar ocupado em 1998/1999 (7.º) só teve aplicação na época seguinte, a de 1999/2000, na qual descemos para o nono lugar e cujos efeitos apenas se fazem sentir na actual temporada de 2000/2001.

Mas, para os patrocinadores da Bota de Ouro, o que vale mesmo é a posição preenchida pelos países no final de cada época. E, pelo que atrás ficou explicado, foi isso que fez Mário Jardel perder o galardão.

GOLEADORES DE 99/00

Na lista dos 15 melhores goleadores europeus de 1999/2000 é notória a presença de vários jogadores que já actuaram no campeonato português, incluindo Mário Jardel, que, contudo, vai ainda receber a Bota de Bronze pelos tentos obtidos ao serviço do FC Porto. Assim, para além do avançado brasileiro, surgem “ex aequo” no sexto lugar Catanha e Jimmy Hasselbaink, ambos com 48 pontos, resultado dos 24 golos concretizados na I Liga espanhola da época transacta. Recorde-se que Catanha representou o Belenenses em 95/96, enquanto Jimmy esteve no Campomaiorense em 95/96 e no Boavista em 96/97. Por último, destaque para a presença do actual reforço benfiquista Pierre van Hooijdonk no quinto lugar da lista. O holandês marcou 25 golos pelo Vitesse na temporada passada.

ACONTECEU O MESMO EM 1997

O avançado turco Hakan Sukur, actual jogador do Inter de Milão, passou por experiência idêntica à de Mário Jardel em 1997, quando actuava no Galatasaray, curiosamente o clube que agora defende o ex-portista.

Naquele ano, a Bota de Ouro foi atribuída a Ronaldo, que, à época, actuava no Barcelona. O avançado brasileiro apontou 34 golos no campeonato espanhol, menos quatro do que Sukur. Valeu, então, o facto de o sul-americano actuar numa prova cotada entre as oito primeiras do “ranking” da UEFA, pelo que os seus golos foram multiplicados por dois, resultando num total de 68 pontos. Já Sukur teve apenas 57 pontos, após multiplicar os seus 38 tentos pelo índice 1,5 aplicado ao campeonato turco. São as regras.

Já agora, refira-se que, nessa mesma temporada, Jardel recebeu a Bota de Prata, destinada ao segundo melhor goleador. O então jogador do FC Porto também marcou menos golos que o turco (30), mas beneficiou igualmente da duplicação dos mesmos, graças à posição destacada de Portugal na lista da UEFA, garantindo um total de 60 pontos.

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