Johan Cruyff, o maestro perfeito

O génio que deu dimensão ao inesquecível futebol total morreu aos 68 anos

• Foto: Hulton Archive

Nasceu com uma bola colada aos pés, ao lado do velho estádio do Ajax. Tinha 12 anos quando entrou para as camadas jovens do colosso holandês e aos 16 cruzou-se com Rinus Michels. Esse encontro é a génese de uma das mais belas revoluções do jogo, resumida num nome que leva agregado um conceito: futebol total.

Johan Cruyff chegou à primeira equipa do Ajax muito cedo e desde logo assumiu o comando das operações. Era miúdo e já liderava os companheiros, alguns dos quais veteranos de muitas batalhas. Ao mesmo tempo foi o melhor intérprete
das ideias revolucionárias de Michels e Kovacs.

Senhor do jogo. Quando chegou ao Mundial’74 já era o génio que dava dimensão ao fenómeno em que o Ajax se tornara, também como campeão europeu entre 1971 e 1973. O seus fundamentos foram exportados para Barcelona (1973/74), onde a dupla Michels-Cruijff se reencontrou fundando a estética que ainda hoje prevalece em Camp Nou.

Em 1974, Johan já era o mais extraordinário jogador do Mundo, o maestro perfeito de um jogo inovador, ofensivo e espetacular. Nada lhe faltava: era habilidoso, rápido e preciso com a bola nos pés; tinha carisma, visão e técnica para alimentar o jogo coletivo e ser a referência aglutinadora das equipas que representava; sabia sempre o que fazer e dominava todas as zonas do terreno que pisava (e eram quase todas). Quando entrava em campo, mais do
que líder da equipa, era dono e senhor do jogo.

Lufada de ar fresco. A Laranja Mecânica, nome inspirado no incrível filme de Stanley Kubrick (1971) traduzido para português com omesmo nome, foi lufada de ar fresco no Mundial, confirmando todas as expectativas geradas nos anos anteriores pelo Ajax e pelo Feyenoord de ErnstHappel. Cruijff encheu os relvados alemães como chefe de uma orquestra notável da qual faziam parte os brilhantes Neeskens, Van Hanegan, Resenbrink, Haan, Rep, Krol, entre outros.

O caminho até à final foi quase perfeito: 5 vitórias indiscutíveis (Uruguai, Bulgária, Argentina, RDA e Brasil) e um empate (Suécia) surpreendente, mais ainda por ter sido a zero.

Final de Munique. Na final, com a RFA, Cruijff começou ao seu nível, sofrendo penálti de Uli Hoeness logo no primeiro minuto do jogo. Os alemães dariam a volta ao marcador antes do intervalo e, com essa reviravolta, provocaram danos irreparáveis na máquina holandesa. Cruijff enervou-se, perdeu o senso comum das coisas, deixou-se levar pelo calor da luta e tentou resolver sozinho. Não conseguiu. Tal como Puskas e Eusébio, também ele foi herói de um Mundial
que, oferecendo-lhe um lugar na história do futebol, preferiu entregar a glória a outros.

A decisão de falhar o Mundial’78. Cruijff continuava a ser a maior figura do futebol. Ajudou a Laranja Mecânica a chegar ao Mundial na Argentina mas logo alimentou dúvidas quanto à presença na fase final. Quando confirmou a ausência, a Holanda e o futebol procuraram encontrar razões para a decisão. Até hoje, a única explicação dada pelo próprio foi a de manifestar-se contra a ditadura militar da Argentina. Prova da sua importância para o país, a própria rainha Juliana da Holanda tentou demovê-lo da intenção, recebendo-o no palácio real. Sem êxito.

Por Rui Dias
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