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"Nem foi ouvido, e as gravações não constituem prova", refere Rui Lamarques...
A expulsão de Diamantino Miranda de Moçambique pelo Governo local – uma decisão política após o treinador português ter acusado dois jornalistas de serem “ladrões” e de se “venderem por um prato de sopa” – criou alguma contestação no país. Segundo Rui Lamarques, editor de desporto do jornal “Verdade” que esteve presente na conferência de despedida do técnico, “apesar de Diamantino não ter estado bem nas declarações proferidas, isso não foi suficiente para ser expulso”. Após rescindir com o Costa do Sol, o técnico, de 54 anos, deixa Maputo no voo previsto para as 23 horas locais (menos uma em Portugal continental) e chega amanhã de manhã a Lisboa.
“Face à situação do despacho ministerial, não tivemos outra solução senão rescindir. Fica o adjunto, o ‘Garrincha’, até final da época e, à partida, o preparador físico Nélson [Santos] também fica, pois nada teve a ver com a situação. A decisão não é exagerada, embora também não se possa dizer que esta medida assente que nem uma luva”, contou Tomás Roque, vice-presidente do Costa do Sol a Record, acrescentando que, apesar de “ser uma decisão soberana”, Diamantino “não teve intenção de ofender”: “Foi apenas uma reação instintiva depois de um jogo. O futebol espoleta emoções à flor da pele. Fora do âmbito desportivo, ele era sociável e conhecia bem as pessoas e a cidade de Maputo. Penso que as declarações surgiram pelo caráter impulsivo dele e não pela intenção de ofender.”
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"Vítima"
Já Rui Lamarques considera que Diamantino é “uma vítima”. “O Estado moçambicano queria mostrar trabalho e não devia ter interferido, pois estes assuntos devem ser resolvidos nas instâncias desportivas. O Diamantino é uma vítima, não ofendeu o povo moçambicano e nem sequer foi ouvido, o que devia ter sucedido, pois, para o Estado moçambicano, as gravações de voz não servem de prova. Não teve oportunidade de se defender e, quando fala de falta de seriedade, não se refere ao geral. O Estado não se pode reduzir a uma quezília entre Diamantino e um jornalista”, disse ao nosso jornal.
MNE está a seguir caso atentamente
• Record tentou obter informações junto da embaixada portuguesa em Maputo sobre este caso, só que a instituição remeteu esclarecimentos para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português. Contactado pelo nosso jornal, fonte oficial do MNE garantiu que “estão a acompanhar de perto a situação”. “O consulado-geral em Maputo está em contacto permanente com Diamantino Miranda. As autoridades moçambicanas tomaram as decisões que entenderam aplicar”, explicou fonte oficial do MNE.
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