O dia em que uma cabeçada poderia ter acabado com a carreira de Pepe

Pai do defesa do Besiktas recorda momentos do passado

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• Foto: Pedro Ferreira

O defesa luso-brasileiro Pepe é esta quinta-feira destaque no site 'Globoesporte', num longo trabalho no qual aquele portal passa em revista toda a vida do atual jogador do Besiktas. Desde o seu começo, passando por Portugal, pela Seleção Nacional, chegando ao Real Madrid e ao Besiktas. Tudo foi passado em revista neste trabalho, mas há algumas histórias que se realçam das demais. Como por exemplo o dia em que, com 13 anos, Pepe poderia ter visto a sua carreira... chegar ao fim.

A história, ocorrida num jogo da Copa São Paulo Júnior, é revelada por Anael Ferreira, o pai do defesa, que na altura jogava no Corinthians-AL. "Não sei se chamo incidente ou acidente. Estávamos a perder por 1 a 0 e precisávamos do empate para continuar na prova. Quando marcámos, o guarda-redes foi segurar a bola para queimar tempo. O Pepe foi para cima dele, para tirar-lha. Quando fez isso, veio um outro, que o empurrou, e o Pepe caiu dentro da baliza. Ele tinha um pavio curto e bateu no rosto do menino sem muita delicadeza. O problema é que o garoto estava com aparelho. Aí pense na confusão que fez!".

A situação tomou tal proporção que assumiu mesmo dimensão nacional, quando alguém influente da imprensa brasileira pediu o fim da carreira do então miúdo Pepe. "Ele pediu para que o Pepe fosse banido do futebol. Um garoto com 13, 14 anos! Ele pedia isso, clamava mesmo, sabe? Depois disso, quando o Pepe chegou ao Real Madrid, tentaram entrevistas e tudo, mas nós lembramos sempre tudo o que essa pessoa fez. Poderia ter acabado com a carreira de um garoto, mas, graças a Deus, não aconteceu", admitiu.

E caso a carreira de Pepe não tivesse dado certo, havia um plano B: ser taxista. "O futebol era muito difícil na época e não queria ver o meu filho acabado aqui. Então, disse-lhe: 'Vamos até onde der no futebol. Se não conseguirmos, não se preocupe: tenho um carro, vendo e compramos um táxi para conduzires. Terás o teu emprego'. O táxi seria uma opção caso ele não desse certo no futebol", admitiu. Não foi necessário, porque Pepe deu certo no futebol. Chegou a um dos grandes clubes do Mundo e também à seleção portuguesa. Ainda assim, tudo poderia ter sido diferente e, segundo Anael Ferreira, pode ter sido Luisão, agora no Benfica, a mudar para sempre a carreira do filho.

Houve uma pré-convocatória, quando jogava no Marítimo, mas na hora de sair a lista final... não surgiu lá nenhum Pepe. "Ficamos a aguardar naquela expectativa toda e aí saiu a lista oficial e chamaram outro defesa. Não lembro se foi o Luisão ou o Alex. Aí houve o desinteresse e ficámos chateados, eu e o Pepe". Depois, passados quatro anos desde a sua chegada a Portugal, o defesa garantiu a cidadania portuguesa e, pela mão de Luiz Felipe Scolari, foi convocado pela primeira vez para a Seleção.

Uma história com vários capítulos (a estreia deu-se em 2007) e que teve a sua página dourada em 2016, com a conquista do Euro'2016. "O Pepe estava emocionado e chegou a dizer: 'Pai, graças ao senhor eu cheguei onde queria estar. Entrei para história de Portugal'. Eu fiz o que tinha que fazer como pai", admitiu Anael, que a finalizar revelou a vontade do seu filho em se retirar aos 36 anos.

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