Ricardo Ferreira: «População da Geórgia já percebeu que não é uma simples gripe»

"Cheguei à Geórgia no dia 23 de fevereiro. Para já, tem sido uma experiência muito positiva. Estou a viver em Tbilissi, uma cidade basicamente europeia, tem tudo."

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• Foto: D.R.

Ricardo Ferreira mudou do Marinhense para o Samtredia, da 1ª Liga da Geórgia, em fevereiro último e é a partir daquele país que faz fronteira com a Rússia que o lateral português, de 22 anos, explicou a Record como acompanha a situação de combate à pandemia do novo coronavírus.

RECORD - Como estão a correr os primeiros tempos na Geórgia?

RICARDO FERREIRA - Juntei-me à equipa a 9 de fevereiro, em Antalya, na Turquia, depois é que vim para cá, para a Geórgia. Cheguei à Geórgia no dia 23 de fevereiro. Para já, tem sido uma experiência muito positiva. Estou a viver em Tbilissi, uma cidade basicamente europeia, tem tudo. Estou a sentir-me bem e confortável aqui. No clube, as coisas estavam a começar a correr-me melhor. Infelizmente, lesionei-me na Turquia mas desde que cheguei cá tenho conseguido treinar a 100 por cento e fui convocado para o último jogo. Vamos ver o que vai acontecer daqui para a frente.

R - Era percetível que as provas na Geórgia iriam ser suspensas mais tarde ou mais cedo?

RF - Aconteceu tudo muito de repente. Já estava ao corrente da situação do coronavírus em Portugal e noutras partes do Mundo. Estamos ligados à Internet e eu tenho a minha família, amigos e namorada em Portugal. Estava um pouco apreensivo. Tínhamos jogo no dia 12 de março, uma quinta-feira, e estávamos a treinar um dia antes. Íamos sair para estágio quando apareceu o médico do clube, falou com o treinador e ele disse-nos que a federação havia suspendido as atividades. Os jogos iam ser adiados e sem data de regresso às competições.

R - Os jogadores mantêm-se ativos mesmo em casa? Como é o seu caso?

RF - O clube manda todos os dias um plano de treino individual sobre o que temos de fazer em casa. Há exercícios que podemos fazer saindo e fazer lá fora. Eu tenho a sorte de ter espaço no condomínio, uma área de lazer que me dá essa possibilidade de treinar. Tenho procurado manter-me o mais possível ativo e perder o menos possível nesta fase para quando regressar estar bem fisicamente. Aqui foi declarado estado de emergência até dia 21 de abril. Portanto, é certo que até aí não vão haver competições. No inicio, quando isto aconteceu, a federação suspendeu o campeonato durante uma semana.

R - Como é aceitação da população da Geórgia a esta nova forma de viver?

RF - Aqui a população já percebeu que não é uma simples gripe. As pessoas já estão a começar a resguardar-se um pouco mais. Anda menos gente na rua do que andava e agora com máscaras, desinfetantes. Nos supermercados também há uma segurança maior e há tendência a aumentar. As pessoas estão sensibilizadas para a causa e a fazer de tudo para que a Geórgia não sejam muito afetada.

R - Equacionou voltar para Portugal?

RF - O campeonato começou há duas jornadas, joga-se de março a fim de novembro. Não temos qualquer indicação de que o campeonato não se vai realizar. Estamos aqui à espera. Ponderei voltar a Portugal mas a realidade é que o risco de ser infetado é muito superior ao de ser infetado aqui. Preferia passar a minha quarentena perto da minha família porque tenho tudo em minha casa. Estou sozinho no meu apartamento. Acredito que esta seja a forma correta e esperar que tudo se resolva. A situação não tem a ver comigo, é algo mundial e ninguém me garante que não estou infectado. Ninguém me garante que no trajeto até Portugal não viesse a infetar a minha família. Da mesma forma que posso ser infetado em Portugal e na hora de voltar infetar alguém aqui. Contra mim falo mas cada um, neste momento, deve manter-se no país em que está até que tudo se resolva.

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