Ronaldo e os Mundiais de dois em dois anos: «Velocidade dos tempos de hoje é diferente»

Ex-jogador admite "mudar o formato para melhorar a qualidade do espetáculo para os adeptos"

• Foto: EPA
Ronaldo Nazário mostrou-se esta quinta-feira "otimista" com os eventuais intervalos de dois anos entre Mundiais, tendo realçado que a prova vai continuar a ser a "mais prestigiada" da modalidade.

Campeão do mundo pelo Brasil em 2002, o antigo dianteiro, hoje com 44 anos, vincou que as alterações propostas pelo antigo treinador Arsène Wenger, concebidas para a realização de Mundiais de dois em dois anos e de torneios continentais de seleções de dois em dois anos, ao mesmo tempo que apregoam "mais descanso para os jogadores", vão ser "muito proveitosas para o futebol".

"Olho com muito otimismo para essas mudanças. Não tenho dúvidas de que o campeonato do mundo vai continuar a ser a competição mais prestigiada do mundo. O campeonato do mundo foi pensado há quase 100 anos e a velocidade dos tempos de hoje é diferente. Isso leva-nos a pensar mudar o formato para melhorar a qualidade do espetáculo para os adeptos", disse, numa conferência de imprensa promovida pelo Grupo Técnico Consultivo da FIFA, a partir de Doha, capital do Qatar, país anfitrião do Mundial'2022.

Para defender os intervalos de dois anos, o antigo jogador de Barcelona, Inter e Real Madrid vincou que o Mundial'2018, na Rússia, foi dos "melhores de todos os tempos", deixando "saudades", e que tanto a Liga dos Campeões, como os torneios de ténis do Grand Slam continuam com um "prestígio muito alto", mesmo decorrendo todos os anos.

Apesar de ter sido o melhor marcador do Mundial'2002, disputado na Coreia do Sul e no Japão, com oito golos, Ronaldo recordou ainda a "lesão muito grave" sofrida em 2000, no joelho direito, que o poderia ter deixado "oito anos sem jogar" naquela competição.

O modelo de Arséne Wenger visa reduzir as cinco janelas para os encontros das qualificações de seleções para uma, entre outubro e novembro, ou para duas - entre outubro e novembro e ainda em março -, reservando o mês de junho para a organização dos torneios continentais, como o Europeu e a Copa América, nos anos ímpares, e do Mundial, nos anos pares.

O antigo treinador do Arsenal realçou que esse formato "mais organizado e eficiente" de manter as atuais proporções de futebol de clubes (80% da época) e de seleções (20%) vai dar "mais descanso e menos viagens" aos jogadores, enquanto promove mais "jogos com significado" para os adeptos, "mais oportunidades" para "jovens talentos" aparecerem e a redução do 'fosso' entre os países com mais e menos possibilidades de disputarem o torneio.

A FIFA tenciona implementar esse modelo a partir de 2026, com a realização do Mundial no Canadá, nos Estados Unidos e no México a anteceder os torneios continentais de 2027 e novo Mundial em 2028.

"Teremos um Mundial no ano seguinte ao Europeu e não me parece que tenhamos qualquer problema com isso. Parece que o Euro'2020 já foi há bastante tempo e que já estamos a esperar ansiosamente pelo próximo torneio. Os adeptos merecem ver mais jogos de competições de alto nível", defendeu.

Arsène Wenger realçou ainda que os futebolistas vão passar "menos dias fora dos clubes", situação que para o restante painel na conferência de imprensa - os antigos jogadores Ronaldo, Peter Schmeichel e Tim Cahill - deve ser salvaguardada.

"Também pensamos no descanso merecido que os atletas têm de ter. O calendário de hoje é muito sofrido. Quando há compromissos com as seleções, eles têm de viajar muito, de percorrer muitos quilómetros, antes de voltarem a servir o seu clube. A janela única de qualificação favorece os campeonatos nacionais", disse o ex-internacional brasileiro. 

Por Lusa
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