A história de Silas "Wamangituka": do nome falso do jogador do Estugarda à chantagem do agente

O avançado, que viveu momentos de aflição nos últimos anos, decidiu clarificar a sua situação

• Foto: Getty Images

Silas Wamangituka, avançado do Estugarda, revelou ao clube alemão que Wamangituka não é, de facto, o seu nome real, mas sim um dos nomes do seu pai. A história remonta a 2017, quando Silas, cujo nome verdadeiro é, na verdade, Silas Katompa Mvumpa, que tinha 18 anos na altura, foi observado pelo Anderlecht e convidado para fazer um treino de captação para ingressar no clube. Para o propósito, o jogador recebeu um visto belga, onde ainda constava, na altura, o seu nome real. O Anderlecht mostrou interesse em contratar o jogador, mas, para isso, pediu-lhe que viajasse de volta para o Congo (o seu país de origem) para voltar com um visto novo, de forma a finalizar o contrato. E é aqui que entra o agente do jogador, que, segundo comunicado do clube, o chantageou e intimidou durante mais de dois anos.

O agente

Como o jogador era muito novo, sozinho e sem experiência, e já tinha tido um encontro com o referido agente, decidiu confiar nele. Durante este tempo, ambos viviam em Paris, e havia uma relação de completa dependência. O intermediário controlava a conta bancária de Silas, assim como os seus papéis, e não o deixava ter contacto com a vida exterior. De acordo com o congolês, o agente em questão chegou mesmo a alterar a sua identidade, e a mostrar-lhe papéis com o nome Silas Wamangituka (o nome pelo qual era conhecido até hoje pelo mundo do futebol), e com a data de nascimento alterada, de forma a ficar exatamente um ano mais velho.

A maioridade do jogador não era o que estava em questão, mas sim a sua ligação ao clube que o treinou no seu país de origem, o Congo. A dependência do jogador ao agente continuou a aumentar, até ao ponto em que começaram a surgir episódios de chantagem. Qualquer revelação relativamente à sua verdadeira identidade poderia causar problemas a qualquer um dos dois, uma vez que os documentos com a alteração de nome e idade não seriam oficiais. Silas estava preocupado com a situação da sua família, que estava no seu país de origem, e tudo isto estava a deixá-lo debaixo de enorme pressão psicológica. A totalidade do salário do jogador não era recebida, uma vez que o intermediário era quem tratava do assunto e não fornecia o dinheiro na sua totalidade, insistindo com o jogador e ameaçando-o que nunca poderia voltar a jogar futebol se estes acontecimentos se tornassem públicos.

A transferência para o Estugarda

Em 2019/2020, Silas acabou por se transferir para o Estugarda. Em dezembro de 2019, alguns meios de comunicação começaram a duvidar da sua identidade, nomeadamente na imprensa francesa, o que acabou por gerar discussão tanto nos meios alemães, como na opinião pública. A Bundesliga pediu que o Estugarda emitisse um comunicado a explicar a situação, e após analisar a fundo os documentos do jogador, que ainda era representado pelo mesmo agente na altura, o clube achou que os documentos eram verdadeiros. Neste momento, o jogador aparentava ter todas as condições para continuar a sua carreira com o seu nome "falso", Silas Wamangituka. Todos os documentos foram vistos pelos governos alemão e francês, e formalmente aceites.

A mudança deu-se quando o jogador começou a ganhar confiança com o seu círculo próximo e com a direcção do Estugarda. Silas começou a separar-se mais do agente, uma vez que havia distância espacial. Nesta altura, o jogador, ainda com medo do intermediário, decidiu contar a situação ao seu círculo próximo dentro do clube, e acabou por mudar de representante. O novo agente do jogador, em conjunto com o Estugarda, incentivaram intensivamente o jogador a clarificar a sua situação, e segundo o comunicado do clube alemão, encontram-se em contacto constante com as autoridades. O jogador, agora com um passaporte congolês válido, com todos os seus detalhes verdadeiros, conseguiu manter a sua licença para praticar futebol, uma vez que foi averiguado que não teve qualquer culpa nos factos ocorridos, e que não beneficiou de forma alguma da situação, tanto financeiramente, como pessoalmente. O intermediário envolvido na polémica está a ser processado por Silas e pelas pessoas que o estão a ajudar a tratar da situação.

O alívio final

Sven Mislintat, diretor desportivo do clube alemão, referiu que Silas "continua a ser o jogador e a pessoa que ganhou um lugar no coração tanto dos seus colegas, como da equipa técnica, como dos adeptos do clube, e é, acima de tudo, a vítima nesta história", elogiando ainda o facto do jogador ter conseguido "clarificar a situação, apesar da sua idade e sem saber as consequências que isso pode vir a ter".

Já o jogador, agora livre de polémica, sublinhou: "Vivi com medo durante os últimos anos, e tenho estado muito preocupado com a minha família no Congo. Foi um passo muito difícil revelar a minha história, e apenas o consegui com o encorajamento das pessoas que me aconselham. Apercebi-me que não precisava de ter medo e que, juntos, poderíamos esclarecer tudo. Não conseguiria ter tomado esta decisão se o Estugarda, a minha equipa, não se tivesse tornado uma segunda casa para mim, um sítio onde me sinto seguro. Hoje, estou muito aliviado, e espero que isto sirva para encorajar outros jogadores que tenham vivido experiências parecidas com agentes. Estou realmente grato ao Estugarda por toda a confiança e apoio durante todo este tempo. Espero poder retribuir a todos eles, e principalmente aos adeptos em campo".

Recorde-se que o jogador, Silas Katompa Mvumpa, nascido a 6 de outubro de 1998, actualmente com 22 anos de idade, usa apenas o seu primeiro nome na camisola, Silas.

Por Record
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