Vaz Pinto: «Queremos recuperar o título angolano»

Treinador do Recreativo do Libolo faz um balanço da primeira metade da época em Angola

• Foto: DR Record

Depois de João Paulo Costa ter conquistado um campeonato, uma taça e uma supertaça nos últimos anos, o Recreativo do Libolo decidiu manter a já tradicional aposta em treinadores portugueses e, no início da época, elegeu Carlos Vaz Pinto para líder de uma equipa que pretende continuar a reforçar o estatuto em Angola.

Numa altura em que o Girabola irá entrar na segunda volta, o emblema de Calulo ocupa o quarto lugar, com 28 pontos, menos seis que o líder, o Petro de Luanda, mas tem menos um jogo – que irá disputar no próximo sábado, frente ao Sagrada Esperança.

"O balanço, para já, é bastante positivo. Se vencermos essa próxima partida, ficamos a depender apenas de nós na luta pelo título. Esta época temos tido vários jogos em atraso, em virtude da participação na Taça das Confederações, uma prova equivalente à Liga Europa, mas na próxima semana, pela primeira vez, vamos ficar com mais um que os restantes adversários e acreditamos que nessa altura já estaremos na liderança, embora à condição", começou por dizer o treinador Vaz Pinto, em entrevista exclusiva a Record, garantindo que conquistar o quinto título nos últimos sete anos – na temporada passada escapou para o 1º Agosto – é o objetivo.

"Não temos uma tarefa fácil porque há vários candidatos que também apostaram forte. As equipas com maior poderio económico são aquelas que estão mais bem posicionadas para conseguirem ser campeãs. Contudo, queremos recuperar o título angolano e acreditamos que estamos no bom caminho", argumenta o técnico português.

Em 2015, em entrevista exclusiva ao nosso jornal, o presidente Rui Campos revelou que uma das prioridades do mandato seria reforçar o estatuto em Angola, mas, sobretudo, no panorama do futebol africano. Como tal, o trabalho dos últimos anos tem sido realizado nesse sentido.

Esta época, paralelamente à ambição natural em termos internos, o Recreativo do Libolo procura escrever história no plano continental e conseguir uma proeza na Taça das Confederações.

"Temos tido um calendário muito agressivo em termos de campeonato. Houve uma fase em que realizámos sete jogos em 21 dias, o que não foi fácil. Tivemos muitas viagens longas e o desgaste foi enorme. No entanto, há muitos anos que Angola não tinha uma equipa a disputar a fase de grupos desta importante competição africana e obviamente que outro dos grandes objetivos era chegar aos oitavos-de-final. Conseguimo-lo e agora acreditamos que vamos conseguir passar aos ‘quartos’", assegurou o técnico, de 42 anos.

"Estamos a um ponto do lugar de qualificação e a três do primeiro e nesta segunda fase vamos ter dois jogos em casa e um fora. Na próxima jornada iremos defrontar o líder do grupo, o ZESCO, da Zâmbia, uma equipa que no ano passado foi semi-finalista da 'Champions' e estamos confiantes que vamos conseguir o apuramento", explica Vaz Pinto. 

No trilho de Gelson Dala e Ary Papel

A forte crise económica que assolou Angola nos últimos anos tem afetado todas as áreas da sociedade e o futebol não é exceção. Se num passado bem recente o Girabola era um campeonato apetecível do ponto de vista financeiro – jogadores como Fredy, Meyong, João Tomás, entre muitos outros, chegaram a trocar o nosso campeonato pelo futebol angolano –, atualmente a situação em bem diferente e a tendência... até poderá inverter-se.

Em Dezembro, o Sporting garantiu a contratação de Gelson Dala e Ary Papel, dois jovens angolanos que assumiram um papel preponderante no título alcançado no último ano pelo 1º Agosto. Porém, Vaz Pinto está convicto de que existem mais talentos que poderão deixar o país e triunfar na Europa.

"Há qualidade no jovem jogador angolano. No entanto, há bem pouco tempo, os salários no Girabola eram um pouco mais avultados, o que fazia com que os jovens não se mostrassem disponíveis para se aventurarem no estrangeiro. Hoje em dia, acredito que poderão sair mais e vingar em Portugal, como o Gelson Dala, que fez um campeonato bem interessante pelo Sporting B", considerou, sublinhando que, apesar de alguns clubes já apostarem forte na formação, "ainda há muito a fazer no plano da evolução do futebol angolano, não só a nível de infraestruturas, como também nos recursos humanos."

Regresso a Portugal?

A cumprir a primeira temporada ao serviço do Recreativo do Libolo, Vaz Pinto conta já com uma vasta experiência no futebol angolano. Depois de pendurar as botas no Penalva do Castelo, o agora treinador iniciou o percurso na formação do clube, de onde acabou por sair para o Sezurense.

Entre 2008 e 2011 desempenhou funções na formação da Académica, rumando depois à Sertã, onde assumiu o comando técnico do Sertanense, no Campeonato de Portugal. Esta foi a última experiência de Vaz Pinto como treinador em Portugal, já que em 2011 aceitou o convite para adjunto do Recreativo da Caála e abraçou a primeira aventura em Angola.

Na época seguinte tornou-se técnico principal até ao ano passado rumar ao Académica do Lobito. No início da presente temporada regressou ao nosso país para o cargo de diretor desportivo do Famalicão, mas a paixão pelo trabalho de campo acabou por falar mais alto e em dezembro, no arranque da época em Angola, chegou ao Recreativo do Libolo. Um regresso ao nosso país está nos planos, mas… com certas condições.

"Claro que gostava de voltar a treinar em Portugal, mas para isso era necessário um convite que me fizesse pensar nesse sentido. Para já, a época aqui está sensivelmente a meio e não tenho pensado nisso. Estou apenas focado no Libolo. No final da época tomarei essa decisão", prometeu o treinador.

Por Fábio Aguiar
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Angola

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.