Um ano em lágrimas

Vai falhar a Taça das Confederações pela 1.ª vez e há já quem tema pelo Mundial...

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Alemanha humilhou canarinha há um ano

Há precisamente um ano, a seleção brasileira de futebol era humilhada pela Alemanha nas meias-finais do Mundial’2014, ao perder por 7-1 em pleno Mineirão. Um ano depois, as lágrimas do povo brasileiro ainda não cessaram de cair: o Brasil de Dunga, apesar de ter dado boas indicações em vários particulares desde a tragédia de Scolari, voltou a vacilar na hora H ao não conseguir atingir, sequer, as meias-finais da Copa América. O fracasso no Chile dita, assim, que o Brasil falhará pela primeira vez na sua história a Taça das Confederações, uma competição que venceu nas últimas três edições e na qual leva 12 vitórias seguidas.

Neymardependência.Mais uma vez, agora no Chile, percebeu-se a dependência que a canarinha tem de Neymar. Tal como no Mundial, o craque voltou a não poder jogar num momento decisivo da competição – quartos-de-final, agora devido a castigo – e a equipa ressentiu-se: acabou eliminada nos penáltis. E Zico, antigo internacional brasileiro e provável candidato à presidência da FIFA, não gosta. "Quando o Brasil está numa competição, esperamos uma Seleção que não dependa de um jogador e agora estamos nessa situação. Já vimos grandes jogadores decidir partidas mas não dependendo apenas de um jogador. Nesses jogos oficiais, temos deixado a desejar. As eliminatórias [para o Mundial’2018] estão aí à porta e a tendência será sofrer bastante. Temos que voltar a ser o futebol brasileiro, precisamos de colocar a bola no chão. Começar tudo de novo não seria assim tão mau. Falta valorizar a matéria-prima dentro do Brasil. Só valorizamos o que está lá fora", afirmou.

JO decisivos. O Brasil atravessa a segunda maior seca em Mundiais desde que se estreou a vencer, em 1958, e não ganha a Copa América desde 2007. Para tentar encontrar caminhos que devolvam a glória perdida ao futebol brasileiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) organizou um fórum de treinadores... alguns deles veteranos, e Carlos Alberto Parreira voltou a defender que o Brasil não precisa de um treinador estrangeiro. "Teria dificuldade em entender a estrutura do futebol brasileiro, a organização, como é o jogador... Demoraria muito. Os nossos treinadores são suficientemente competentes. E a culpa não é só do treinador quando perde", disse, tendo Mário Zagallo e Roberto Carlos concordado com esta ideia.

O problema é que a CBF já perdeu parte da credibilidade que tinha, ao ver o ex-presidente e atual "vice" José Maria Marín ser preso na Suíça por denúncia de corrupção. O cenário é negro e só mesmo um triunfo nos Jogos Olímpicos de 2016, decisivo para o futuro de Dunga, pode salvar uma seleção que já não ganha um Mundial desde 2002 e terá, segundo os críticos, sérias dificuldades para se apurar para o Mundial’2018.

Dunga alvo de críticas duríssimas

A prestação do Brasil na Copa América deixou Dunga debaixo de fogo, mas já antes do jogo com o Paraguai o selecionador brasileiro tinha falado da diferença da pressão desta e da equipa que integrou.

"Simples. Nós éramos maus com sorte. Os outros eram bons com azar. Aquela seleção tinha cobrança de 40 anos sem ganhar uma Copa América e 24 sem um Mundial. Tudo o que fazia era mau. Eu até acho que sou afrodescendente de tanto que levei e gosto de levar [o técnico pediu mais tarde desculpa por se referir à raça negra assim]. Mesmo quando ganha, não satisfaz todos. Mas é um orgulho defender o nosso país. Estes jogadores têm uma pressão enorme mas se uma seleção que era excecional [início dos anos 80 do século passado] nada ganhou, vamos pressionar uma que é considerada má? Em 24 anos, o bom tem de ganhar", atirou, referindo-se ao Brasil de Zico, Sócrates e Falcão, que nada ganhou.

Mas a resposta de Zico não se fez esperar: "Não comparo, hoje é muito fácil ir à seleção, qualquer um vai. E ficar a falar do passado nada resolve. Não adianta atacar os outros. Se bem que não me sinto atacado, pois a minha carreira foi vitoriosa. Antes da Copa América todos falavam nos não sei quantos [10] particulares que o Brasil ganhou. Particular não serve para nada. Tentam recuperar a credibilidade com particulares quando, nos últimos seis jogos oficiais, a seleção perdeu três, venceu dois e empatou um. Isso é que vale."

Guardiola quis treinar o escrete

Segundo Daniel Alves, Pep Guardiola quis treinar a seleção brasileira antes do Mundial’2014 mas a CBF manteve Scolari. "Eu pago por ser linguarudo mas não minto. Antes do Mundial, o Pep quis treinar a seleção brasileira e não o quiseram. O Pep queria fazer de nós campeões do Mundo e tinha toda a estratégia mas ninguém quis. Se não aceitamos o melhor do Mundo, não gostamos da seleção", disse no programa "Bola da Vez", da ESPN.

Opinião de António Carlos (correspondente de Record)

Pobre futebol...

Dia 8 de julho de 2014. Estádio do Mineirão em Belo Horizonte. Meias-finais do Mundial: Alemanha 7 - Brasil 1. A partir daqui, chegou-se à conclusão que a seleção mais vezes campeã do Mundo já não impunha respeito a ninguém. Depois da final de 1950 diante do Uruguai, o Maracanazo deu lugar ao Mineirazo. A canarinha que sempre se impôs perante todos os adversários, sofrendo derrotas pontuais, era humilhada em casa. Eu, que acompanhei a preparação da equipa comandada por Luiz Felipe Scolari para o Mundial, terei ficado mais envergonhado do que os jogadores. Para mim não foi novidade a seleção não obter um bom resultado no Mundial, mas também não esperava uma goleada. Assisto a jogos europeus e vejo que aqui estamos muito atrás. Se hoje temos um jogador que consideramos craque, Neymar, o que não falaríamos noutras gerações que não conquistaram um Mundial, como as de Zico, Sócrates ou Falcão, entre outras. Para tentar recuperar o futebol brasileiro, a CBF fez um conselho com treinadores que já estão ultrapassados como Zagallo, Parreira e Carlos Alberto Silva. E para piorar, o campeonato brasileiro, que passou a ser disputado pelo sistema europeu desde 2003, não tem boa média de público nem um único jogador que leve o torcedor a ter vontade de ir ao estádio. Em 11 jornadas, já tivemos nove técnicos demitidos o que mostra que, além de jogadores e treinadores, não há aqui dirigentes que saibam comandar os clubes. Até a seleção feminina, que tem disputado sempre títulos, foi eliminada nos "oitavos" do Mundial. Desculpem, já me esquecia dos sub-20, que perderam a final com a Sérvia. Pobre futebol brasileiro...

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