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Roberto Carlos: «Antes da final com a Juventus estávamos no lobby do hotel às 4 da manhã»

Roberto Carlos é visto por muitos como o melhor lateral-esquerdo da história do futebol e tornou-se lenda do Real Madrid após 11 épocas a vestir a camisola merengue. Chegou ao Inter Milão no verão de 1995 ao transferir-se do Palmeiras, mas no ano seguinte foi contratado pelos madridistas para reforçar a equipa então orientada pelo italiano Fabio Capello que lançou as bases para a era dos 'Galácticos' no Bernabéu.

O antigo internacional canarinho realizou mais de 500 jogos pelo Real Madrid e conquistou inúmeros títulos. E inúmeras são também as histórias que tem para contar. Num artigo escrito pelo próprio no portal 'The Players Tribune', Roberto Carlos lembra vários episódios vividos no clube e elege como melhor momento a conquista da Liga dos Campeões - a primeira das três que o lateral venceu, todas pelos merengues -, na época 1997/98, graças à vitória sobre a Juventus (1-0) na final em Amesterdão, com golo de Predrag Mijatovic.

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"O Real não vencia o título há 32 anos e a Juventus estava na final pelo terceiro ano consecutivo. Na noite anterior, nenhum de nós dormiu. Normalmente íamos dormir às 10 da noite, mas dessa vez estávamos no lobby do hotel às 4 da manhã, a contar histórias. Não tínhamos medo, apenas muito respeito pela Juve e estávamos ansiosos para o jogo começar. Jogámos muito bem. A Juve teve muitas oportunidades mas vencemos por 1-0, não só com a nossa qualidade, mas com a nossa motivação, pois queríamos mais do que eles. Depois fomos para a Praça de Cibeles. As ruas inundadas com centenas de milhares de pessoas, com camisolas e cachecóis brancos, a cantar e comemorar. Nunca esquecerei aquela noite. Se tivesse que escolher um momento favorito no Real Madrid, seria esse triunfo", revelou Roberto Carlos.

O antigo defesa foi contratado por Lorenzo Sanz, antigo presidente do Real Madrid que faleceu recentemente vítima do novo coronavírus. Roberto Carlos lembra a proximidade de Sanz para com os jogadores e a forma como sentia o clube. 

"Embora fosse presidente, ele era acima de tudo um fã. Estava sempre muito envolvido, sempre connosco no balneário. Quando empatávamos ou perdíamos, deixava-nos a lidar com isso, mas quando conquistámos títulos, era o primeiro a abraçar-nos. Nós amámo-lo pelas suas qualidades humanas, o seu otimismo, por tudo o que ele estava a fazendo pelo madridismo. Ele era como um pai para nós", conta o agora diretor de Relações Internacionais dos merengues, com 47 anos.

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Estreia no Bernabéu

"Frenta a 80 mil pessoas eu estava tipo 'Hum ... o que estou a fazer aqui? E se eu cometer um erro agora?'. Foi aterrorizante! Mas também foi um dos melhores dias da minha vida."

Os Galácticos

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"Essa era não foi só memorável para os fãs. Também foi incrível fazer parte como jogador. Sentavas-te no balneário, olhavas à volta e vias o vencedor da Bola de Ouro, o jogador espanhol do ano, o melhor marcador da La Liga, o melhor guarda-redes do mundo. Fazer parte desse ambiente era especial. Às vezes eu ficava sentado e pensava: 'olha de onde vieste e onde estás agora'. Eu senti-me orgulhoso. Nunca sabe onde se pode acabar na vida."

A despedida com título... saboroso

"Só quando deixei de jogar pelo Real Madrid percebi o que havia alcançado. Foi a 17 de junho de 2007, frente ao Maiorca, no Bernabéu, último jogo da época. Tínhamos os mesmos pontos do Barcelona e se ambos vencêssemos nós  conquistaríamos o título, pois tínhamos vantagem sobre eles. Vencemos por 3-1. Foi uma vitória incrível. Mas o que me lembro melhor daquele dia é a maneira como as pessoas me tratavam. Todos sabiam que era o meu jogo de despedida e o Beckham também se estava a despedir. Desde que saímos do hotel até ao estádio, as pessoas trataram-nos com tanto carinho. Parecia um aniversário, sabem? Todos desejando bem, enviando-nos abraços e beijos. Diziam coisas como 'boa sorte', 'nós amamos-te' ou 'volta o mais rápido possível'. Foi quando percebi o que havia feito pelo clube, o quanto as pessoas me amavam. Foi um dos dias mais emocionantes da minha vida."

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Por André Antunes Pereira
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