Ronald Araújo e os problemas de saúde mental: «Naquele dia, percebi que já estava na hora...»

Em entrevista ao 'Mundo Deportivo', central do Barcelona falou da depressão e do pedido de ajuda que fez

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Ronald Araújo aborda problemas de ansiedade e depressão
Ronald Araújo aborda problemas de ansiedade e depressão • Foto: AP

Ronald Araújo falou pela primeira vez sobre os problemas de saúde mental que o forçaram a fazer uma pausa na carreira, problemas esses que vieram à tona depois da expulsão na derrota (3-0) do Barcelona em casa do Chelsea, a 25 de novembro do ano passado. Numa entrevista ao Mundo Deportivo, o central da formação catalã abre o coração e conta o que sentiu naquele momento.

"Era um conjunto de coisas. Eu já não estava bem há muito tempo, talvez há mais de um ano e meio que não me sentia bem. A pessoa tenta ser forte, talvez por causa das nossas raízes, de onde vimos, começamos a seguir em frente, mas eu sentia que não estava bem. Não só a nível desportivo, mas também a nível familiar e pessoal. Eu não me estava a sentir eu mesmo e foi nesse momento que percebi e disse: 'há algo que está a acontecer'. Preciso de levantar a mão e pedir ajuda. Eu sou do tipo que guarda tudo para mim, mas também é preciso entender que existem profissionais que podem ajudar, dar ferramentas para saber como lidar com certas situações. Eu precisei de levantar a mão e dizer que algo estava a acontecer comigo para poder recuperar", conta Ronald Araújo, acrescentando:

"Naquele momento, com a adrenalina, nós fechamo-nos. Sentes-te triste, mas depois, quando o jogo termina, tudo cai em cima de ti. Eu já sentia que não estava bem, essa é a verdade, mas por inércia tentas continuar, e às vezes precisas de ajuda. Há um ano e meio que estava com ansiedade e transformou-se em depressão... e estava a jogar assim. Isso não ajuda, porque em campo não nos conseguimos sentir nós mesmos. Sabemos o valor que temos e o que podemos contribuir dentro de campo e, ao não me sentir bem, sabia que algo estava a acontecer. Naquele dia, percebi que já estava na hora, que precisava de falar com profissionais e com o clube para que me pudessem ajudar."

O central de 26 anos, que voltou a competir em janeiro, garante que se sente mais feliz e tranquilo e que o pior já passou, acabando também por recordar o apoio que recebeu ao longo deste doloroso processo.

"Primeiro, falei com o Deco, porque ele é o diretor desportivo e está perto de nós. Contei-lhe. No início ficou um pouco surpreso, porque não é muito comum um jogador do Barcelona contar estas coisas, mas ele reagiu muito bem. Ligou logo para o presidente e para o treinador. Eles foram incríveis. Sou muito grato ao Deco, ao presidente, ao técnico e também às pessoas que trabalham nos bastidores, que talvez não sejam vistas: Alejandro, Bojan... que fazem parte do nosso dia a dia. Eles foram muito importantes. Desde o início, eles entenderam a situação e o clube deu-me tudo o que eu precisava para me recuperar. Isso também se deve à confiança que eles têm em mim como jogador. Ele levou isso muito a sério. Ficou chateado com a situação. O Flick conhece as minhas qualidades e era óbvio que eu não estava a render de acordo com todo o meu potencial. Ele sabia que algo estava errado. Desde o início, mandou-me mensagens a dizer para eu ficar calmo e recuperar, que o mais importante era superar esta fase. Isso dá-te tranquilidade para recuperares porque sabes que tens o apoio do clube, do técnico e dos seus companheiros de equipa", disse, reconhecendo que também foi importante ter recebido o apoio de todo o balneário do Barcelona.

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