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O treinador do Real Madrid respirou de alívio no final de março porque, pela primeira vez desde o arranque de 2014/15, passara um mês sem que nenhum elemento do plantel sofresse uma lesão muscular. No domingo, após o Barcelona ter garantido o título, Carlo Ancelotti queixou-se ao justificar uma temporada sem títulos: "As ausências por lesão prejudicaram-nos."
A argumentação do italiano é inteiramente válida. De agosto de 2014 até à data, ocorreram 18 lesões musculares que afastaram e/ou limitaram fortemente jogadores merengues, sendo que Sergio Ramos é o mártir e Luka Modric aquele que acumula mais tempo de paragem - graças "apenas" a um problema -, e também aquele de cuja ausência a equipa mais se ressentiu.
O número é demolidor e, como é natural, levou a que fossem questionados metodologia de trabalho e ação do departamento médico merengue, que mudou de responsável em 2013 - o chefe passou a ser Jesús Olmo -, para desgosto da maior parte do plantel.
Um desesperado Modric terá consultado quatro médicos para "certificar" o diagnóstico feito por Olmo que, ainda por cima, quando chegou ao cargo, tratou de afastar Pedro Chueca, um fisioterapeuta de confiança para muitos futebolistas, com Sergio Ramos à cabeça.
Por isso, a lesão que o defesa-central sofreu no jogo da segunda mão das meias-finais da Liga dos Campeões com a Juventus - que selou o afastamento dos merengues da competição -, a sua quarta de origem muscular na temporada, só serviu para alimentar o clima de desconfiança que existe, num cenário em que os dois casos de Gareth Bale, e, outubro de 2014 e abril de 2015, não podem também ser esquecidos, tendo em conta a importância do galês na manobra da equipa.
Todavia, ainda que a questão possa ser discutível, Bale facilmente poderia ser substituído. A qualidade e versatilidade de James Rodríguez ou de Isco e a disponibilidade de Javier "Chicharito" Hernández ou de Jesé, davam garantias. Ancelotti argumentará que, a um Bale ausente ou em quebra, se juntou Karim Benzema (lesionado no joelho direito), mas a justificação não cola quando se olha para as soluções encontradas pelo italiano para o meio-campo.
Sem Modric, o treinador do Real Madrid tratou de inventar, deixando de lado médios-centro de raiz, como Sami Khedira - que facilmente ligaria com Toni Kroos, pelo passado que ambos têm em comum na seleção alemã -, ou Asier Illarramendi e Lucas Silva.
Puxou James e Isco para trás, empurrou Sergio Ramos para a frente, e não deu descanso a Kroos, desgastando talento e promovendo quem o não tem a funções mais exigentes.
E, em cinco dias, entre 9 (Valencia) e 13 de maio (Juventus), o Real Madrid perdeu as hipóteses de lutar pela conquista da liga espanhol e viu esfumar-se o sonho revalidar o título da Champions, (re)acendendo a polémica em tono da baixa rotação que o treinador fez do plantel.
AS LESÕES MUSCULARES*
*) Fonte: "Marca", "El País", "El Mundo"
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