Florentino Pérez: «Jovens já não se interessam por futebol porque há muitos jogos de má qualidade»

No programa El Chiringuito, presidente do Real Madrid dá explicações sobre a Superliga Europeia

• Foto: Action Images

Florentino Pérez falou esta segunda-feira publicamente pela primeira vez após o anúncio da Superliga Europeia. No programa El Chiringuito, o presidente do Real Madrid esclareceu que a situação financeira dos clubes foi decisiva.

"Quando não se tem rendimentos para além da televisão, a maneira de tornar o futebol rentável é fazer com que os jogos sejam mais atrativos para serem vistos por adeptos de todo o mundo. Foi assim que começámos a trabalhar. Chegámos à conclusão de que fazendo uma Superliga durante a semana, em vez da Liga dos Campeões, seríamos capazes de recuperar as receitas perdidas", começou por referir o líder dos merengues.

"Os grandes clubes em Inglaterra, Itália e Espanha têm de encontrar uma solução para uma situação financeira muito má. A ECA [Associação Europeia de Clubes] aponta para perdas de 5 mil milhões de euros. O Real Madrid tinha um orçamento de 800 milhões e acabámos por ficar pelos 700. E este ano, em vez de 900, vamos ver se conseguimos arranjar 600", acrescentou Florentino Pérez.

Evolução

O presidente do Real Madrid defendeu ainda que "o futebol tem que evoluir, tal como as empresas, as pessoas e as mentalidades". "As redes mudaram a forma como se comportam e o futebol tem que mudar adaptar-se aos tempos em que vivemos. O futebol estava a perder o interesse e isso vê-se pelo público, que está a diminuir, tal como os direitos de transmissão. Algo tinha que ser feito. Estamos todos arruinados, o futebol é global e estes 12 clubes e mais alguns têm adeptos em todo o mundo. A televisão tem que mudar para que possamos adaptar-nos. As pessoas mais jovens já não se interessam por futebol, e porquê? Porque há muitos jogos de má qualidade e eles não se interessam, têm outras plataformas para se distrair", justificou Florentino Pérez.

"Sempre que há uma mudança há alguém que se opõe. Aconteceu ao Bernabéu, por exemplo, mas a história do futebol mudou. O que há de tão atraente? Que joguemos entre os grandes, a competitividade, que sejam gerados mais recursos . Os ricos? Eu? Eu não somos donos do Real Madrid, somos um clube de futebol e fazemos isso para salvar o futebol, que é um momento crítico", acrescentou.

"Vamos tentar começar o mais rápido possível"

"Vamos falar com a UEFA e a FIFA, não percebo por que têm de ficar bravos. A UEFA trabalhou em outro formato que, em primeiro lugar, não entendi e depois não dá os rendimentos necessários para salvar o futebol. Quando digo salvar o futebol é para salvar todos. O que nós, pelo que herdamos no Bernábéu, queremos é salvar o futebol para que pelo menos nos próximos 20 anos ele possa viver em paz. A situação é muito dramática".

Ameaças da UEFA

"Estão a ameaçar os jogadores, mas eles podem estar tranquilos porque essas ameaças não se vão concretizar. Mas quem dirige os monopólios, a UEFA, tem que ser transparente. A UEFA não tem uma boa imagem, não quero falar de coisas que aconteceram na UEFA, mas tem de haver um diálogo que não seja ameaçador. Eles apresentaram um formato que ninguém entende e dizem que vão começar em 2024, mas em 2024 estaremos mortos. Há clubes que perderam centenas de milhões".

"Ninguém vai expulsar-nos de lado nenhum"

"Há que ser transparente, a UEFA não foi transparente. Os monopólios acabaram e todos nós dizemos que o futebol está prestes a ser arruinado. Eles não nos vão expulsar da Liga dos Campeões, estou completamente seguro. Nem da liga. Nada. Ninguém vai expulsar-nos de lado nenhum".

"[Resposta às críticas de Javier Tebas, de que a Superliga é como um bar] Este grupo representa 2 mil milhões de fãs, é preciso respeitá-los. O que temos de fazer é ordenar o futebol, não queremos enfrentar ninguém. Mas há quem acredite que é dono das instituições, mas não é!".

Novo formato da Champions "é um absurdo"

"Entendam que a vida mudou, já não é a mesma que era há 10 anos. Estão a chegar novas gerações, temos de dar ao futebol uma resposta a estas pessoas, senão... Se continuarmos com a Champions o interesse é cada vez menor e acaba. E o novo formato, que começa em 2024, é um absurdo".

"Presidente da UEFA não pode insultar como insultou Angelli" 

"O presidente da UEFA não pode insultar como insultou Angelli [presidente da Juventus]. Acho que não é digno, a UEFA tem de mudar, não queremos um presidente que insulte e queremos transparência. Todos mudamos e mudamos para melhor. Isto não é é concebível na Europa democrática, estas coisas não devem ser ditas para o bem da sociedade".

Por Record
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