Jardim: «A confiança não se compra no supermercado»

Técnico garante que confia no projeto monegasco, mas sem “exigir coisas impossíveis”

• Foto: Reuters

O Monaco chega ao muito aguardado duelo com o PSG num momento difícil, marcado pelo fracasso na Champions, prova em que ainda não venceu qualquer jogo. E se Leonardo Jardim admite os problemas, não deixa de relativizar a situação. "A confiança não se compra no supermercado, temos de a adquirir no trabalho. Eu estou confiante, acredito no nosso projeto, mas não podemos exigir coisas impossíveis. Esta é a minha quarta temporada e até agora o projeto funcionou sempre. Somos o sonho de muitos clubes", sublinhou o técnico português na antevisão do encontro de domingo, lembrando os sucessos que alcançou nas últimas épocas.

"Em quatro anos conseguimos chegar a uma meia-final e a uns quartos de final da Champions. Acabámos três vezes no pódio do campeonato francês e numa delas fomos mesmo campeões na condição de 'outsiders'. Conseguimos isso tudo com um grupo com doze a quinze jogadores muito jovens. E nem vou falar dos números das receitas das nossas vendas que vocês conhecem bem", acrescentou Jardim.

De qualquer forma, apesar de reconhecer as diferenças em relação ao rival de domingo, acredita que é possível travar os parisienses. "Cada competição é diferente. Vamos defrontar um PSG que é uma equipa muito forte a todos os níveis, tanto em França, como na Europa. É uma equipa que investiu forte no mercado, comprou dois jogadores que estão no onze do ano da FIFA [Daniel Alves e Neymar] e ainda o Golden Boy da última época [Kylian Mbappé], além de todos os jogadores que já tinha. São muito fortes", sublinhou, frisando que o Monaco não está em condições de lutar pelo título com os parisienses, pelo que só resta lutar por um lugar que dê acesso à próxima edição da Liga dos Campeões: "Esta época, o PSG está acima de todos e os outros estão todos mais competitivos."

Aliás, apesar da conquista do título francês em 2016/17, o técnico português lembra que pouco mudou em relação ao projeto que lhe foi apresentado à quatro anos. "Quando saem jogadores há sempre dificuldades. Em 2015 vendemos Kondogbia, Martial, Abdennour e Kurzawa e a época seguinte foi menos positiva. Depois fizemos uma época super a todos os níveis e esta está a ser um pouco mais difícil", salientou.

Ainda assim, não deixou de assumir os "vários problemas" que a equipa tem sentido para justificar o fracasso europeu, e mais especificamente a pesada derrota com o Leipzig. "Às vezes, falta-nos rigor, consentimos golos infantis e falhamos nas coisas mais simples. Às vezes, falta-nos vontade e intensidade. Outras vezes falta-nos qualidade técnica e não tomar boas decisões. Por vezes também é a organização da equipa que deixa a desejar. Não há apenas um problema, há vários", adiantou.

Refira-se que, frente ao PSG, Jardim não poderá contar com Jovetic, Boschilia, Lemar e Traoré, que continuam de fora por lesão, enquanto o regresso de Sidibé está ainda em dúvida.

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