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"Não vou buscar nenhum jogador do Sporting em janeiro". Quem o disse foi Ruben Amorim a 1 de novembro de 2024, quando, em plena conferência de imprensa, abriu o livro sobre a sua saída para o Manchester United. Na altura, Viktor Gyökeres era a grande figura do Sporting e o alvo mais apetecível dos gigantes ingleses - tanto assim era que acabou por rumar ao Arsenal no verão de 2025 - e foi com o sueco como figura principal que Ruben Amorim acabou por sublinhar que não faria um 'assalto' ao plantel leonino.
Esta terça-feira, mais de 24 horas depois de o Manchester United ter oficializado o despedimento de Ruben Amorim e de toda a sua equipa técnica, o 'Daily Mail' avança com vários detalhes sobre a odisseia que o treinador português viveu em Old Trafford, desde os primeiros dias em que entrou nas infraestruturas de Carrington aos últimos minutos em que esteve nas instalações dos Red Devils, já depois da reunião em que ficou a saber que iria deixar o comando técnico do clube.
Comecemos... pelo início. O 'Daily Mail' escreve hoje que Ruben Amorim foi rápido e cirúrgico na hora de apresentar os alvos que considerava como prioritários para a sua aventura em Old Trafford e colocou em cima da mesa quatro nomes, todos eles jogadores do Sporting: Geovany Quenda, Ousmane Diomande, Salvador Blopa e ainda Morten Hjulmand.
Dos quatro alvos identificados, Geovany Quenda foi aquele que alegadamente esteve mais perto esteve de rumar ao Manchester United. Segundo esta fonte, os representantes do jovem extremo do Sporting - que acabaria por se transferir para o Chelsea - estiveram durante semanas em contacto com responsáveis dos Red Devils. Contudo, os mesmos responsáveis, após avaliar o jogador, preferiram não avançar para a sua contratação por entenderem que o perfil do ala de 18 anos era idêntico ao do costa-marfinense Amad Diallo, de 23 anos.
O alvo para a outra ala era Salvador Blopa, até então um perfeito desconhecido para a maioria dos portugueses - entretanto, já se estreou com 'pompa e circunstância' pela equipa principal dos leões e renovou o contrato. De acordo com o 'Daily Mail', Ruben Amorim "lutou" pela contratação do ala, mas sem efeitos.
Morten Hjulmand, o cérebro do meio-campo do Sporting, era o homem pretendido para preencher uma lacuna que Ruben Amorim identificara desde o início. O facto de ocupar uma posição tão importante e de já conhecer as ideias do treinador tornava o dinamarquês, ex-Lecce, um reforço importantíssimo para Ruben Amorim implementar com mais segurança e rapidez o sistema tático que pretendia (3-4-2-1).
Por fim, Ousmane Diomande. O central costa-marfinense de 22 anos, que chegou ao Sporting pela mão de Ruben Amorim, era o pretendido pelo técnico para dar mais robustez e capacidade física à linha defensiva do Manchester United, até porque o sistema de jogo exigia tais características.
Ruben Amorim acabou por não contar com o aval da estrutura profissional de futebol do Manchester United e não contratou nenhum destes jogadores dos leões, dando o primeiro passo rumo a uma rutura que se tornou evidente com o passar do tempo.
Ruben Amorim chegou ao centro de treinos do Manchester United por volta das 09h30. Cerca de meia hora depois, o treinador português abandonava as instalações do clube, já depois de ter recebido a indicação numa curta e rápida reunião que contou com a presença de Omar Berrada, CEO do Manchester United, e Jason Wilcox, o diretor para o futebol, que se tornou peça fundamental para o fim de ligação do treinador português aos 'Diabos Vermelhos' de Manchester.
De acordo com o 'Daily Mail', Ruben Amorim não tinha muitos pertences pessoais em Carrington, o que contribuiu para que o técnico esvaziasse o escritório com relativa rapidez. O treinador português ter-se-á despedido dos funcionários do clube com quem construiu uma relação mais próxima e dos jogadores que já marcavam presença no centro de treinos, mas sem dar grande espaço a longas despedidas ou a discursos, colocando um ponto final numa ligação que durou pouco mais de um ano e que teve (poucos) altos e (muitos) baixos.
Quando foi despedido do Manchester United, Ruben Amorim ainda tinha mais 18 meses de contrato com o clube inglês e, por isso, vai receber uma indemnização pelo vínculo que ainda tinha em vigor com os Red Devils (era válido até junho de 2027). Segundo a informação adiantada pelo 'Daily Mail', o antigo treinador do Sporting, que se prepara para aproveitar agora o tempo com a família, vai receber uma indemnização de 10 milhões de libras (cerca de 12 milhões de euros à conversão atual), elevando o custo total da sua contratação para cerca de 31M€. Recorde-se que, de acordo com o 'The Sun', Ruben Amorim terá direito a uma indemnização um pouco mais alta, na ordem dos 13,8 milhões de euros.
José Mourinho é o atual treinador do Benfica - com o qual assinou por uma temporada com mais uma de opção -, mas a imprensa desportiva inglesa já coloca Ruben Amorim como o possível sucessor do Special One no comando técnico das águias. E tudo se deve a... João Noronha Lopes.
Durante o período de campanha na corrida à presidência do Benfica, o antigo candidato e gestor apareceu no Etihad Stadium, casa do Manchester City, com uma delegação, que também contou com a presença de Nuno Gomes, deixando sempre em aberto a possibilidade de avançar para a contratação de Ruben Amorim caso vencesse as eleições de outubro.
Contudo, Rui Costa acabou por vencer as eleições de forma clara e promoveu uma mudança no comando técnico, com o despedimento de Bruno Lage após a derrota com o Qarabag, na Luz, na primeira jornada da fase regular da Liga dos Campeões e a contratação de José Mourinho. Segundo o 'Daily Mail', o Special One "parece [estar] cada vez mais vulnerável após o Benfica ter caído para o 3.º lugar do campeonato e estar a 10 pontos do FC Porto, apesar de estar invicto" e Ruben Amorim já surge "na pole position para assumir o cargo no verão".
Por Sérgio Magalhães