A era Amorim no Manchester United chega ao fim: um sonho tornado em pesadelo

Recorde os 14 meses conturbados que o treinador português passou em Old Trafford

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Bernardo Ribeiro: «Ruben Amorim nunca caiu no goto dos comentadores ingleses»

Ruben Amorim assumiu, há 14 meses, o sonho de treinar o Manchester United, mas a passagem por Old Trafford tornou-se um pesadelo, que hoje terminou com a saída do treinador português do clube da Liga inglesa de futebol.

Num clube que tem sido um 'cemitério' de treinadores desde a saída de Alex Ferguson, o jovem Amorim, de 40 anos, surgia como mais um candidato a fazer esquecer o mítico treinador escocês, mas o português deixa os 'red devils' com apenas 24 vitórias em 63 encontros e sem qualquer título.

Em estado de graça no Sporting, com um título nacional e um arranque quase perfeito no campeonato e na Liga dos Campeões -- com uma vitória por 4-1 sobre o Manchester City a ser o grande destaque --, Amorim aceitou o desafio de substituir o neerlandês Erik ten Haag.

Anunciado em 01 de novembro de 2024, Amorim apenas assumiu as rédeas do clube inglês a 11 do mesmo mês, um dia depois de se ter despedido do Sporting com um triunfo por 4-2 em casa do Sporting de Braga, clube do qual tinha saído surpreendentemente para Alvalade, a troco de 10 milhões de euros.

O arranque nos red devils foi em falso, com um empate em casa do Ipswich, com as primeiras vitórias a surgirem nos dois primeiros jogos no 'teatro dos sonhos', frente ao Bodo/Glimt (3-2), para a Liga Europa, e ao Everton (4-0).

Contudo, os red devils nunca conseguiram manter uma consistência exibicional e de resultados, intercalando derrotas surpreendentes, como com o Nottingham Forest (2-3) em casa, e vitórias épicas, como no terreno do vizinho Manchester City (2-1).

A seguir ao triunfo sobre os citizens seguiu-se a pior fase da temporada passada, com quatro derrotas seguidas, entre as quais frente ao Tottenham (3-4), na Taça da Liga, e seis jogos sem vencer, embora no último o United tenha afastado o Arsenal, nos penáltis (5-3, após um 1-1), da Taça de Inglaterra.

Em fevereiro e março, Ruben Amorim viveu a melhor fase da última temporada, com sete jogos sem perder, embora tenha sido afastado da Taça de Inglaterra pelo Fulham (3-4 nos penáltis, após 1-1).

Se a nível interno os resultados continuaram a ser intermitentes, na Liga Europa o Manchester United viveu alguns dos melhores momentos, com triunfos claros sobre a Real Sociedad (4-1) e Athletic Bilbau (3-0 e 4-1) e uma épica eliminatória frente ao Lyon, em que Kobbie Mainoo (120 minutos) e Harry Maguire (120'+1) deram a vitória e o apuramento nos instantes finais do prolongamento (5-4).

A final da Liga Europa acabaria por ser como o resto da temporada, dececionante, com o Tottenham, inferior em San Mamés, em Bilbau, a vencer por 1-0, com um golo de Brennan Johnson.

A época terminou com o Manchester United num pouco habitual 15.º posto da Premier League, mais perto da zona de despromoção do que dos lugares europeus, sendo necessário recuar até 1973/74, ano em que os red devils foram despromovidos, para encontrar uma tão má posição.

Apesar de tudo, a direção do Manchester United manteve Ruben Amorim no cargo, dando-lhe a oportunidade de começar uma temporada de início e 'oferecendo-lhe' alguns reforços, como Sesko, Matheus Cunha e Mbeumo.

Contudo, o arranque voltou a ser terrível, 'coroado' com uma eliminação frente ao Grimsby Town, do quarto escalão, na Taça da Liga, com a primeira vitória a surgir apenas na quarta partida, frente ao Burnley.

Apesar de, ao contrário da última temporada, estar sempre na primeira metade da tabela e a 'bater à porta' dos lugares europeus, o Manchester United continuou sem conseguir manter uma qualidade exibicional, que o poderia ter colocado, com alguma facilidade, nos lugares mais acima da classificação.

Com apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, Ruben Amorim ia mostrando alguns sinais de frustração, fosse com as habituais críticas ao seu sistema de jogo, que chegou a alterar, ou com alguns erros dos seus jogadores.

No domingo, após o empate com o Leeds, Amorim 'explodiu' na conferência de imprensa, dizendo que tinha sido contratado "para ser o manager [função mais abrangente] do Manchester United, não apenas o treinador" e que todos os departamentos do clube tinham de fazer o seu trabalho.

"Vai ser assim durante 18 meses ou até que a direção decida mudar. Não vou desistir. Vou fazer o meu trabalho até que outro treinador venha para cá para me substituir (...) O acordo era eu ser o manager e não o treinador. Se as pessoas não conseguem lidar com as críticas do [comentador] Gary Neville ou de outro, então temos de mudar o clube", afirmou, antes de sair da sala.

Ruben Amorim despede-se do Manchester United após 63 encontros, nos quais somou 24 vitórias, 18 empates e 21 derrotas, com 103 golos marcados e 95 sofridos.

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