Bernardo Silva: o ídolo Rui Costa, a transferência para o Monaco e a importância de Guardiola

Internacional português passou carreira em revista, em entrevista à UEFA

• Foto: Action Images

A UEFA recuperou, esta segunda-feira, uma entrevista feita em fevereiro a Bernardo Silva, onde o jogador do Manchester City recordou a passagem pela formação do Benfica, o último jogo de Rui Costa - no qual era apanha-bolas-, a transferência para o Monaco e ainda a importância de Pep Guardiola na atual fase da carreira.

"Sempre fui adepto do Benfica. O meu pai também era do Benfica e eu ia com ele muitas vezes ao estádio. Quando eu tinha 14 e 15 anos, era apanha-bolas no estádio da Luz. Foi fantástico. Podia estar muito perto de todos os meus ídolos, que eram os jogadores do Benfica", apontou, sem esquecer dois momentos que lhe ficam na memória dessa altura: "[Festejo efusivo após golo de Nuno Gomes ao Nápoles] Lembro-me perfeitamente desse golo. Penso que foi contra o Nápoles. Também me lembro de ser o apanha-bolas no último jogo do Rui Costa. Tive alguns momentos maravilhosos [no Benfica], como um verdadeiro adepto. Naquela altura, vivia o futebol de maneira diferente porque vivia do lado de fora. Mas eram momentos fantásticos."

Rui Costa foi um ídolo para ti?

"Sim, sem dúvida. Jogava numa posição semelhante à minha, porque jogava no Benfica e na seleção portuguesa. Foi um dos maiores médios que Portugal já teve. Então, obviamente, era um ídolo para mim."

Em criança, houve alturas onde pensaste que o teu corpo não estava à altura, ou acreditaste sempre que a tua técnica e inteligência chegavam para singrares no futebol?

"Bem, sim aconteceu. Quando estive no Benfica, parei de jogar por alguns anos porque não estava fisicamente desenvolvido como os outros, então, obviamente, fui penalizado um pouco. Mas acreditei sempre nas minhas capacidades e tentei sempre compensar de outras formas, porque na época eu era fisicamente muito mais fraco que os outros. No entanto, acredito que esse aspecto também me fez crescer."

Como foi a transferência do Benfica para o Monaco?

"Foi uma mudança difícil para mim, porque foi a primeira vez que saí de casa, do meu país e da minha cidade. Foi uma decisão que tomei a pensar na minha carreira e correu muito bem. Fui muito feliz em Monaco e estou muito feliz por ter tomado essa decisão. Passei três temporadas fantásticas, a última em particular foi maravilhosa. No início foi muito difícil, porque eu estava longe dos meus pais, dos meus amigos, da minha cidade."

Em 2016/17, venceste o campeonato [francês] e chegaste à meia-final da Liga dos Campeões.

"Foi uma das melhores temporadas da minha carreira. Não posso escolher entre isso e o último aqui no Manchester City. O Monaco tinha uma equipa de jovens e ninguém esperava que nós conquistássemos troféus no início da temporada, mas no final chegamos à meia-final da Liga dos Campeões. Vencemos o PSG na corrida pelo campeonato, algo que era impensável na altura. Gostei mesmo de lá estar. Fomos uma equipa que jogou sempre sem medo."

Também jogaste contra o Man. City em dois jogos muito emocionantes. O que te lembras desses encontros?

"Lembro-me perfeitamente porque terminou da melhor maneira para nós. Perdemos a primeira mão por 5-3, mas vencemos por 3-1 em casa. Foi fantástico porque a Liga dos Campeões é uma competição especial. Ter jogado a primeira mão com aquela atmosfera incrível foi fantástico. Talvez esses dois jogos tenham sido importantes para convencer o clube a contratar-me."

Como foi a adaptação ao país e à cidade?

"Quando se muda de um país para outro ou mesmo de um clube para outro, é tudo uma questão de adaptação. É preciso entenderes os métodos de trabalho do novo treinador, assim como todos os teus novos colegas de equipa. No começo, quando me mudei, adaptei-me bem, mas, é claro, há sempre espaço para melhorias. Estou muito bem, sinto-me em casa. Isso acontece com muitos jogadores: aconteceu com [Leroy] Sané e com o [Riyad] Mahrez. Os jogadores precisam sempre de tempo para se adaptarem a uma nova realidade. Estou muito feliz por estar aqui e por representar este clube."

Quão importante é Pep Guardiola na tua carreira?

"Para além do aspeto tático, [Guardiola] é um treinador muito aprofundado. Somos parecidos porque ambos queremos mais e mais. Quando vencemos por 3-0 ou 4-0, por exemplo, queremos mais ainda. Ganhar dez jogos seguidos não nos faz sentir satisfeitos. Aprendi muito aqui, porque este é um clube que quer vencer sempre. A fome de vitórias e títulos é algo que me influenciou bastante e que mudou a minha mentalidade", concluiu.

Por Sérgio Magalhães
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