Gary Lineker: «Tinha sonhos com um pequeno caixão branco»

Antigo internacional inglês recorda fase da sua vida em que o filho mais velho teve leucemia

• Foto: Reuters

Gary Lineker, um dos mais reconhecidos futebolistas ingleses, que atualmente trabalha como comentador desportivo, deu uma entrevista ao 'Independent' em que fala de um dos momentos mais difíceis da sua vida: a doença do filho.

Lineker, de 57 anos, é uma figura algo controversa, que fez alguns inimigos ao logo da vida. "É fácil pensar que o Lineker teve uma vida maravilhosa. E em larga medida até teve e tem", refere o antigo jogador, referindo-se a si próprio na terceira pessoa. "Tem não uma mas duas carreiras bem-sucedidas, fama, dinheiro, uma boa casa, uma família grande e todas as batatas fritas que conseguir comer. A transição de jogador para comentador, as épocas bem-sucedidas no Japão fizeram com que tudo isto parecesse um sonho impossível, trata-se de um homem com muita sorte na vida."

Mas nem tudo o que parece é. "Na parte final da minha carreira, aconteceu o período mais traumático da minha vida. Dois meses depois de ter nascido, o meu filho George foi diagnosticado com leucemia", conta. "Foi brutal. Estava no Tottenham quando ele ficou doente. Ele tinha um alto na cabeça e nós pensámos que era um problema na pele ou algo do género. Fomos ao hospital e disseram-nos: 'é pior que isso, é leucemia'. Eu nem sabia o que era leucemia... Sabia apenas que era um cancro no sangue e que era mau. E ele não tinha muitas hipóteses, em três ocasiões disseram-nos que ele não passaria daquela noite..."

Gary com o filho George a comer batatas fritas
Mas tudo acabou por correr bem. "Mas ele conseguiu, ele continuava a lutar e havia esperança. Na realidade o futebol ajudou-me muito nessa altura. Porque estar mergulhado num hospital, a ver o meu filho doente, era muito duro. E mudar por breves momentos, ir para o campo e jogar futebol - provavelmente foi a única fase da minha vida em que gostei de treinar - foi bom nessa altura." 

Depois de seis ou sete meses internado, George acabou por ter alta. "Foi muito duro... Quando há esperança, as coisas levam-se bem, mas houve outros pais no hospital cujos filhos não conseguiram superar a doença. Eu tinha sonhos recorrentes com um pequeno caixão branco... Foi um milagre!" 

A doença do filho fez Lineker encarar a vida de outra forma. "Não sou estúpido ao ponto de perceber que eu tinha uma boa vida e que o futebol não era a coisa mais importante do Mundo. Mas ao mesmo tempo, tudo isto faz-nos pensar, claro. Passamos por isto, mas não há uma fórmula mágica para lidar com estas situações."


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