Mais de 2000 estádios em 54 anos: a história do adepto que conheceu todos os campos do futebol inglês

Tony vai a jogos de futebol amador desde a infância

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Tony vai a jogos de futebol amador há 50 anos
Tony vai a jogos de futebol amador há 50 anos • Foto: X/@TonyIncenzo

“Que alívio que é estar um dia de sol, com um belo relvado verde”. Aos 62 anos, Tony Incenzo conhece bem a sensação de ver futebol à chuva. Ou não tivesse este apaixonado adepto como grande objetivo de vida visitar todos os estádios da pirâmide do futebol inglês, da primeira à décima divisão. Um objetivo que o britânico cumpriu na segunda-feira de Páscoa, num jogo entre o Fulwood Amateurs e o Thornton Cleveleys, a contar para a 1ª Divisão (Norte) da North West Counties Football League.

A frase “objetivo de uma vida” não é mero eufemismo: Tony levou mais de 50 anos a conseguir a façanha. Ao todo foram 48 ligas de futebol e mais de 2000 estádios nos quais o repórter de rádio de profissão assistiu a partidas de futebol. Um número que, mesmo após ter “completado” o périplo, está sempre a crescer, conforme novas equipas vão aparecendo no sistema inglês.

O fascínio pelo futebol começou cedo, aos 8 anos, quando a mãe o levou a Stamford Bridge para assistir a um jogo entre o Chelsea e o Manchester United, da geração de Bobby Charlton e George Best. A partir daí, Tony empreendeu a missão de assistir a um jogo em todos os estádios das divisões superiores de Inglaterra, feito que conseguiu com apenas 17 anos e que lhe valeu uma aparição na TV, em 1981.

Para muitos adeptos ingleses com a mesma paixão, ver um jogo em cada um dos estádios da Football League (termo pelo qual são tratadas as primeiras quatro divisões) seria já motivo de orgulho. Mas Tony não se deu por satisfeito, expandindo desde aí horizontes para incluir todos os campos de futebol das divisões inferiores. “É a minha forma de vida”, disse à BBC. “Pura e simplesmente, tenho de estar num jogo todos os sábados”.

Daí até hoje foi um plano de décadas, envolvendo um nível de planeamento elevadíssimo. Até porque, além deste seu objetivo, Tony Incenzo também faz questão, há mais de 50 anos, de assistir a todos os jogos caseiros do seu clube de coração, o Queens Park Rangers (também trabalha no departamento de comunicação do clube). Ao todo, conta que chega a assistir a cinco jogos todos os fins de semana.

“Gosto tanto de ir ver jogos modestos dos clubes da ‘non-league’ como dos grandes eventos”, garante, ele que mantém copiosos registos de cada partida a que assistiu ao longo dos anos. “Podemos aparecer a um jogo 10 minutos antes do pontapé de saída, estacionar o carro, pagar o bilhete, dar uma volta ao terreno, sentarmo-nos onde quisermos, comprar comida e bebida, e ainda nos sobra troco.”

Naturalmente, o lugar de destaque que o futebol ocupa na sua vida já levou a excessos, que por pouco não se tornaram faltas graves na sua vida pessoal. “Quase perdi o nascimento da minha filha”, revela, não sem humor. “A minha mulher esteve no hospital durante seis dias, então dormi numa cadeira durante cinco. E o tempo todo estou a pensar: ‘o QPR joga em casa daqui a uns dias’”. 

No fim, a mulher deu à luz e Tony pôde ir ver o jogo do seu clube nesse fim-de-semana. A sua filha, hoje com 7 anos, acompanha-o em algumas das deslocações que faz pelo país, (ainda que na sua maioria, Tony viaje sozinho). "Já estive em lugares que nunca visitaria se não fosse pelo futebol – aldeias encantadoras em Devon, lugares remotos à beira-mar no Nordeste e por aí fora.”

E se o leitor pensa que, por ter completado a pirâmide do futebol inglês, Tony vai agora pendurar o sobretudo e dizer adeus a seu projeto de vida, desengane-se: o britânico já pensa em novas montanhas a conquistar: “Adorava a seguir ir a um jogo de futebol em cada país da Europa, talvez ir à América pelo Mundial e conhecer alguns dos estádios lá… Só não quero que a aventura pare”, remata.

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