Brexit obriga a 'revolução' na Premier League

Alterações à vista com a saída do Reino Unido da UE

• Foto: Reuters

Os eleitores do Reino Unido decidiram esta quinta-feira, em referendo, que não querem continuar na União Europeia. A saída da UE vai ser sinónimo de grandes mudanças nas mais diversas áreas, incluindo a nível desportivo e, particularmente, no futebol.

Assim, não se estranha a posição inequívoca de Richard Scudamore, diretor-executivo da Premier League. "Todos os clubes expressaram o seu apoio à continuidade na União Europeia", garantiu o dirigente em declarações à BBC, antes de sublinhar: "Na Premier League há uma abertura que seria completamente incoerente se tomássemos uma posição oposta."

E a verdade é que muito deve mudar no futebol britânico se a saída for avante. Uma das principais questões está relacionada com a contratação de novos jogadores, face às restrições na atribuição de licenças de trabalho aos futebolistas extracomunitários - medidas que passariam a ser aplicadas a todos os oriundos dos outros 27 países que formam atualmente parte da União Europeia.

Segundo um estudo recente, 332 jogadores europeus que alinharam durante a última época na Premier League, no Championship (2º escalão inglês) e na Premiership escocesa não cumpririam os critérios. Só 23 dos 180 jogadores da UE não britânicos do Championship teriam autorizações de trabalho, enquanto nenhum dos 53 europeus não britânicos poderia ficar no 1º escalão escocês. Uma situação idêntica à dos 63 jogadores do 3º escalão inglês e aos 46 do 4º. "Afastarmo-nos da Europa teria consequências devastadoras", defendeu Karren Brady, diretora-executiva do West Ham, numa carta enviada aos restantes clubes da Premier League nas vésperas do referendo, enquanto os ex-internacionais ingleses David Beckham e John Barnes fizeram questão de apelar ao voto na permanência na União Europeia. De pouco valeu...

Mais afetado será ainda o recrutamento de jovens, uma aposta que os clubes ingleses têm levado muito a sério nos últimos anos. Com a limitação à livre circulação de pessoas, seria praticamente impossível às equipas britânicas contratar promessas de outros países europeus como tem sido prática corrente. Só os jogadores locais beneficiariam com isso, pois teriam certamente muito mais oportunidades para aparecer.

Nova legislação?

O mais provável, no entanto, será uma mudança das regras ao nível da atribuição de licenças de trabalho, e não só ao nível do futebol. "Ficaria muito surpreendido se a legislação não for mudada", lembra o professor Raymond Boyle, da Universidade de Glasgow, à BBC, citando os exemplos de países como a Suíça e a Noruega, que "têm na atualidade regras à parte". A limitação de utilização de estrangeiros em campo poderá ser uma das medidas, o que acabará certamente por retirar qualidade aos próprios campeonatos, sobretudo da Premier League, dada a sua implantação global, como o demonstram os milhões gerados pela venda dos direitos televisivos.

Regras para atribuição de licenças de trabalho a extracomunitários:

- Um jogador dos 10 primeiros países do ranking da FIFA precisa de ter jogado pelo menos 30% dos jogos de sua seleção nos últimos 2 anos. Nos classificados entre o 11º e o 20º lugar a essa percentagem aumenta para 45%, entre o 21º e o 30º para os 60%, e entre o 31º e o 50º para os 75%

- Se o jogador não cumprir os critérios anteriores e a licença for recusada, podem apresentar um recurso a ser analisado por uma comissão independente, que terá em conta se o jogador é ou não de ‘alto calibre’, além da sua potencial contribuição para o jogo

Por José Angélico
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