Bruno de Carvalho: «O Facebook matou-me»

Ex-presidente do Sporting aborda posts polémicos em entrevista a Júlia Pinheiro

• Foto: Vítor Mota

Bruno de Carvalho reconheceu na entrevista que esta sexta-feira concedeu a Júlia Pinheiro, na SIC, que os posts que fez no Facebook quando era presidente do Sporting trouxeram-lhe muitos problemas ao nível pessoal. O antigo líder leonino abordou também os problemas familiares que teve no início deste ano e queixa-se de ter sido pouco apoiado por parte dos restantes elementos do conselho diretivo durante essa fase crítica.
 
Poder
"As pessoas têm esse reciocínio, dizem que eu gostava do poder. Não mudei nada na minha vida, aquilo era um trabalho muito absorvente. O meu tio avô ensinou-me que primeiro é preciso criar fama de maluco e depois é só mantê-la. Eu entrei no Sporting numa altura conturbadíssima, o clube estava falido, sem vida. Muita gente acha que me inebriei pelo poder, mas estão enganados. O meu papel de presidente do Sporting foi isso mesmo, o cumprimento de um papel. Gostava de ser presidente do Sporting, era a minha cadeira de sonho e quando se atinge a cadeira de sonho, atinge-se o pico da nossa vida. Não vivi nenhum período de desequilíbrio."

Amigos e família
"A minha filha assistiu a insultos várias vezes. Se estiver sozinho, já acho parvoíce, mas até posso perceber que há pessoas que não gostam e mandam 'bocas'. Mas já me fizeram isto com as filhas todas presentes. Já houve vezes que estava com a minlha mulher e as três filhas. Chegam ao carro, batem no vidro para me chamarem nomes. Reagia mal, há que ter no mínimo respeito pela família. Não entendo esta bipolaridade, tive 90 por cento das pessoas a votar em mim e em fevereiro já era um ditador por causa de uma mudança estatutária de regulamento."

Exposição
"Sou uma pessoa de paixões, a mim custou-me bastante enquanto pessoa. Eu e a Joana decidimos ter um filho e sofremos um susto descomunal em dezembro - a partir de janeiro as pessoas apontam uma mudança no meu comportamento -, pois a nossa filha podia morrer. Enquanto Portugal esteve a comemorar o fim de ano, nós estivemos quase até ao dia de Reis internados. Se a minha filha nascesse naquela altura tinha 20 semanas, não tinha hipóteses. Começa aí um processo, falei com os meus colegas de administração e disse-lhes que pela primeira vez ao fim de 5 anos ia precisar que me ajudasem. A gravidez era de alto risco, o ajudar implicaria tudo, mas não consegui. Foi uma gravidez muito, muito difícil, conseguir que ela nascesse quase às 40 semanas foi um milagre. E quando começa o 'furacão' estávamos nós internados outra vez."

Solidariedade
"Não devia ter sido eu a aparecer, deviam ter sido outros elementos. Aparecia sempre eu, quantas vezes não ia nervosíssimo para entrevistas ou conferências de imprensa, sempre e ver o telemóvel, sem som, o nome da minha mulher e a pensar se havia algum problema? Naquela Assembleia Geral 5 elementos do meu conselho diretivo decidiram apresentar-se a eleições. Não falaram comigo cara a cara. Foi muito difícil para mim fazer este papel de presidente."

Facebook
"Não me interessa as consequências que isto vai ter mas digo-o: os posts eram muitas vezes utilizados por mim para criar a tal teoria do maluco. Resultou ao nível de trabalho, porque sou muito bom leitor de pessoas, das emoções quando estou numa reunião e por isso negoceio tão bem. Mas sinceramente, profissionalmente o Facebook correu às mil maravilhas, para o que eu queria foi eficaz, mas para mim, ao nível pessoal matou-me. O Bruno passou a ter uma imagem muito chata junto ao público. Para o clube foi excelente, para o Bruno homem foi péssimo. Continuo a achar que passei uma imagem muito fraca."

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