Norton de Matos, António Fidalgo, José Couceiro e Pedro Gomes foram as personalidades escolhidas para o segundo dia das Jornadas Técnicas, promovida pela FM Sports Global, ontem subordinadas ao tema “A polivalência do treinador”. Norton de Matos foi o primeiro palestrante a abordar o assunto e colocou logo o “dedo na ferida”: “Um treinador que só percebe de tática, pouco percebe de futebol.”
O ex-técnico do Benfica B lidera hoje um projeto de formação no Étoile Lusitana (Senegal), no qual também é acionista, diretor-geral e agente. A dimensão do treinador não se limita ao trabalho de campo e Norton lembrou mesmo a sua estreia no Atlético na época de 1988/89, quando abdicou do seu ordenado para poder ter um adjunto, no caso Jean Paul. Como contrapartida, sugeriu que o seu rendimento viesse das receitas de publicidade que conseguisse angariar para o clube. E assim foi, com resultados desportivos (7.º lugar) e igualmente financeiros...
António Fidalgo, por seu lado, abordou o tema pelo lado mental, a que os agentes desportivos não dão tanta importância. O antigo guarda-redes de Benfica e Sporting afirmou que um treinador tem de possuir um forte complemento mental, de forma a tirar a melhor prestação do grupo que comanda.
À semelhança do que sucedeu, José Couceiro também teve outra abordagem sobre o assunto, com enfoque para a figura do líder e para o facto de este não ter de dominar todas as vertentes da profissão. “Temos, sim, de nos preocupar com o que pode influenciar o rendimento dos jogadores e da equipa. Para isso, não tenho de perceber de gestão, mas sim preocupar-me com o facto de o plantel poder não receber salários.”
O debate, que se realizou no Centro Cultural de Moscavide e foi moderado por Gonçalo Ventura (Antena 1), seria encerrado por Pedro Gomes. O ex-treinador pronunciou-se mais sobre a evolução da profissão, recordando que, no seu tempo, o líder da equipa convivia com outras condições, logo com outras preocupações.