A doença boa que move Nuno Lobo

A história de amor que nasceu no avô passou pelo pai e agora será transmitida ao filho

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Nuno Lobo, FC Porto

"É uma doença. Uma doença boa. É uma paixão." É assim que Nuno Lobo, de 48 anos – e sócio há 28 –, nos descreve aquilo que sente pelo FC Porto. Um clube que aprendeu a amar ainda nos tempos em que estava na longínqua Angola, onde nasceu e cresceu antes de se mudar para Portugal. Primeiro para Lisboa, depois para Vila Real e, por fim, para o Porto, onde agora vive.

Um amor que lhe foi passado pela família, tanto pelo seu avô ("era doente pelo FC Porto", recorda) como pelo seu pai. Do seu avô recorda os tempos passados em Vila Real, quando "rejeitava" o dinheiro que este lhe dava em troca do amor ao clube. "O meu avô dava-nos alguns trocados para irmos ao cinema e eu era o único dos irmãos que ficava com ele debaixo de uma macieira a ouvir o relato do FC Porto."

E se dessa época recorda o facto de poupar o dinheiro do cinema para ouvir o relato da sua equipa do coração, mais à frente relembra a altura em que, já no Porto, "corria" os cafés da zona na tentativa de arranjar dinheiro extra para acompanhar o seu FC Porto. "Juntava a minha semanada, o dinheiro que os meus avós me davam e, depois, andava a pedir dinheiro nos cafés para pagar os autocarros. Foram anos e anos atrás do FC Porto!"

Foram e continuam a ser. A vida de Nuno Lobo, para lá da sua atividade profissional (é proprietário de um bar na zona da Boavista), passa muito por aquilo que é a atualidade do FC Porto. Num dia normal é capaz de passar "12 horas atrás deles", entre jogos de andebol, hóquei em patins ou futebol… É a chamada "doença boa", para a qual "muitas vezes" não encontra "uma palavra certa". "É todos os dias, não há dia em que não viva ou pense no FC Porto", assegura.

De geração em geração

O amor ao FC Porto foi-lhe passado pelo seu avô, pelo pai, e agora, na função de progenitor, Nuno Lobo assume ter a tarefa de manter o seu filho na mesma linha. Um caminho que se iniciou no dia a seguir ao seu nascimento. "Nasceu num domingo e no dia seguinte já era sócio."

Alavancado pelos valores que o clube lhe transmite (família, solidariedade, amizade, esforço e orgulho), procura "sempre passar as coisas boas". "A alegria de estarmos todos juntos, de ver os jogos. A amizade de ir entre amigos. O amor ao azul e branco, o amor às coisas boas. Tenho de passar esses valores bons ao meu filho."

Mas há algo que para Nuno Lobo não encaixa nesta paixão. "Não quero nada de porrada, detesto isso! Não vou ser um anjinho e ser hipócrita. Sou portista e não tenho problema de dizer que não gosto do Benfica. Sou um adepto genuíno. Não quero que o Benfica ganhe, nunca! Sou portista, adepto do FC Porto, mas isso não precisa de envolver violência", frisa.

O padrinho que é do… Benfica

Em casa de Nuno Lobo há uma regra: a palavra Benfica… não entra. Mas desengane-se se acha que a sua vida é feita só de portistas. Antes pelo contrário! Tanto que um dos seus melhores amigos, e também padrinho do seu filho, é "doente" pelo… clube da Luz. E se a regra de a palavra "Benfica" não entrar em casa existe, também há uma outra regra nesta forte amizade. Conversas sobre futebol… não.

"Somos muito amigos, adoro-o, mas nunca falamos dos clubes. Falamos de tudo, menos de futebol. Digo-lhe ‘Júlio, adoro-te, mas não vamos falar de futebol, porque já nos chateámos uma vez e não vale a pena’. Há respeito mútuo. Quando o Benfica perde, eu sei o que ele sofre. Não faço piadas, nem ele a mim", garante.

Curiosidades

» Nuno Lobo é proprietário da Taberna do Zé, na zona da Boavista, onde inicialmente exibia muitos objetos alusivos ao FC Porto;
» Fez parte dos Dragões Azuis e esteve presente na fundação dos Super Dragões;
» O primeiro jogo a que assistiu foi um FC Porto-Barreirense. Tinha 8 anos e viu a partida acompanhado pelo seu pai, tio e avô. "Ganhámos 4-1", relembra;
» No meio da festa do título europeu de 1987, Nuno Lobo beijou um cão de um amigo seu e… não se lembra de mais nada. "Acordei às onze horas na Avenida dos Aliados."
» No campo das loucuras, há outra que fica marcada: ir de Ermesinde, várias vezes, até ao velhinho Estádio das Antas… a pé, para ver jogos dos dragões.

Jogos marcantes

» Final da Taça dos Campeões Europeus de 1987, frente ao Bayern Munique;
» Supertaça de 1996, com vitória por 5-0 sobre o Benfica;
» Finais da Taça Intercontinental, frente ao Peñarol e ao Once Caldas.

A camisola

É uma camisola de lã, antiga, que não usa para não estragar. "Tenho um medo dos diabos! É que nos estádios há sempre uma beata de um cigarro aqui, uma cerveja ali…"

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