Aqui não há espaço para adeptos “tutti frutti”

Professora de Educação Física e adepta do Chaves, Marisa Pires não perdoa quando os seus alunos vão para as aulas com camisolas de outros clubes

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Marisa Pires, GD Chaves

"Só de falar já estou a tremer." Foi assim que Marisa Pires reagiu quando lhe dissemos que queríamos falar do seu amor ao Chaves. Um sentimento que está consigo desde que nasceu, muito devido à influência do seu pai, um antigo jogador do clube, que em 1960 deixou Portugal para rumar a Angola, país onde esta adepta flaviense nasceu há 45 anos. Por ali ficou apenas mais dois, tendo-se mudado e fixado em Chaves logo depois. Por isso é com orgulho que assume o Desportivo local como o clube da sua terra.

Uma paixão que se alastra a toda a família e que impede os seus filhos de serem aquilo que apelida de "tutti frutti". "Não são como os outros, que têm dois clubes. Não se pode ter uma mulher e uma amante, não é?", atirou, entre risos, esta professora de Educação Física, que na sua atividade profissional não deixa de tentar "converter" mais adeptos ao clube da terra. E se algum surge nas suas aulas com camisolas de outros clubes… "ponho-lhes logo coletes". O aviso é dado desde cedo e há até alunos que decidem "brincar" com esse castigo. "Tenho um aluno que vai sempre com a camisola do FC Porto ou do Real Madrid. Houve um dia em que levou a do Chaves e não reparei! No final da aula, virou-se para mim e disse: ‘Pois, pois. Agora que trouxe a camisola do Chaves a professora não diz nada.’"

Chaves-Lisboa-Chaves-Portimão-Chaves em dois dias…

Antigo membro da claque, Marisa é uma velha conhecida entre os adeptos do clube e, por essa razão, nunca se nega a tentar ajudar o clube ou os outros adeptos. Foi isso que sucedeu em 2015/16, quando organizou a viagem até Portimão, em maio, no jogo que carimbou o regresso à Liga NOS. Ora, o filme desse fim de semana foi tudo menos… calmo. "Numa sexta e sábado, fui para Lisboa em visita de estudo com os meus alunos. Cheguei a Chaves às nove da noite e, duas horas depois, estava a partir para Portimão, porque tinha sido eu a organizar e o jogo era às onze da manhã." Até cansou só de ler, certo?

Pois bem, o amor pelo Chaves fá-la viver o clube desta forma e, no seu entender, só é pena não haver mais adeptos assim, que levem o Chaves, "a bandeira da região", mais além. "Apesar de a região não manifestar muito, há muita gente do Chaves. Durante 17 anos estes jovens viram o Chaves nas aldeias e os pais, que têm culpa, não lhes transmitiram que há um clube e não dois", lamenta. Mesmo assim, deixa claro que para os adeptos flavienses "não importa quantos somos, mas sim quem somos", e que todos eles transportem os valores do clube, a "luta, a garra pelas cores e por uma região".

A memória de 1985

Se falarmos em jogos marcantes, Marisa tem dois na cabeça: a subida de 2015/16 e a de 1984/85, quando o clube ascendeu com uma vitória em casa do União da Madeira, por 4-3. "Ainda não havia jogos na televisão", lembra, revelando que à hora da partida estava a "10 quilómetros de Chaves, numa praia fluvial" na companhia do seu cunhado, à data jogador do clube, mas que falhara a viagem por estar lesionado. "Quando soubemos que o Chaves marcou e subiu… Ai Jesus!"

Curiosidades

» É tia de Diogo Brás, jovem avançado que representa os juniores do Sporting, filho de Diamantino Braz, um ex-jogador dos flavienses;
» Sempre que vai assistir a um jogo do Chaves, Marisa evita levar a camisola do clube vestida. "Sempre que a visto… perdemos", revela. A opção habitual passa então por um cachecol;
» Marca presença em todos os jogos caseiros. Fora de casa já se torna mais complicado, porque "é sempre vezes três", isto porque tem de pagar igualmente o ingresso dos seus dois filhos.

Jogos marcantes

» O duelo com a Oliveirense em 2014/15 foi o que marcou mais no plano negativo. O Chaves até venceu, mas um golo do Tondela, perto do final, roubou aos flavienses a subida à Liga NOS. "Só quem estava no estádio percebeu o silêncio de jogadores e dos adeptos… Já nem sei contra quem jogámos. Só me lembro do resultado do Tondela", admite.
» No lado positivo, Marisa recorda os duelos que em 1984/85 (na Madeira) e 2015/16 (em Portimão) permitiram à equipa flaviense a subida de divisão.

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