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Foram 13 anos de dedicação total como treinador de uma equipa que fez furor na Europa do andebol
RECORD - Qual o sentimento neste momento em que sabe que no final da época abandona o ABC, único clube que conheceu em Portugal?
ALEKSANDER DONNER - Tristeza e mágoa. Nunca pensei terminar a carreira no ABC desta forma. Tudo na vida tem um princípio e um fim, mas a minha intenção era deixar uma equipa competitiva que continuasse a lutar pelo título e pelas taças europeias. Foram 13 anos a trabalhar de uma forma notável, em que o nome do clube ficou bem conhecido no mundo do andebol e em que nenhum atleta saiu desta casa sem um título nacional ou uma participação numa competição europeia.
R - Contingências financeiras levaram a isto?
AD - Entendo que nestas circunstâncias a comissão administrativa não pode fazer nada e está a pagar dívidas e pecados de outras direcções [n.d.r.: alusão às gestões de Alberto Araújo e António Xavier]. Não sou procurador ou investigador, logo não posso culpar com o que fizeram com o dinheiro que entrava no clube. Como responsáveis que eram, deviam controlar as despesas. Tinham um bom conhecimento do clube, face aos anos que já estavam ligados.
R - Está ressentido com esses directores ou antigos presidentes?
AD - Nunca vou perdoar por aquilo que fizeram no final da época. Pressionaram e obrigaram-me, a mim e ao Kostetsky, a renovar contrato por dois anos. Fizeram um contrato com o Demovic por dois anos também. Se já sabiam que o clube não estava em condições, porque o fizeram? Apenas para mostrar a quem viesse assumir o clube que tinham um treinador experiente e bons jogadores? Ou seria para esconder a situação?
R - A situação do Donner, enquanto treinador no futuro, passa por Portugal ou pelo estrangeiro?
AD - Quanto ao futuro nada sei, pois nunca procurei clube nem abri a porta a contactos, uma vez que me sentia e sinto bem onde estou. Tenho de aguardar e só depois vou decidir conforme as propostas. Quanto ao estrangeiro, só se for uma boa proposta, caso contrário ficarei em Portugal.
R - Apesar de todos estes problemas no clube, nunca colocou a hipótese de sair?
AD - Não, nunca o fiz, apesar de saber que o clube já há muito tinha dificuldades. Só agora vou procurar soluções. Tenho muitos defeitos, mas vou honrar com o ABC o que assumi, pois sou homem de palavra, com honra e, acima de tudo, profissional.
R - Fala-se numa eventual ligação ao Belenenses.
AD - Ainda este fim-de-semana estive em Belém com os juniores e ninguém me abordou. Nada sei sobre isso. Nenhum contacto foi estabelecido com esse clube nem com nenhum outro.
R - O que vai ainda fazer este ABC sob a sua batuta?
AD - Não podemos esquecer que este ABC são 7/8 elementos. O que urge solucionar no momento são os pagamentos aos atletas. Caso isso aconteça, garanto que a equipa ainda vai lutar pelo terceiro lugar. Não vai ser fácil, mas é uma meta possível de atingir.
R - Detalhando mais as razões, o que levou o ABC a este ponto?
AD - O Académico sempre foi uma família. A relação entre atletas, equipa técnica e Direcção foi boa. Passámos por muitos problemas conjuntamente durante várias presidências após a saída do eng. Jorge Rodrigues. Não podemos esquecer que, apesar de todos esses problemas, chegámos a duas meias--finais da Taça EHF e Challenge e aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Após isso, a equipa passou a ser um brinquedo para os dirigentes, que só estavam connosco quando queriam. Lembro-me de inícios de época, apresentações, em que o presidente nem aparecia. Levantou-se um muro entre as duas partes que nunca mais foi abaixo.
R - ...
AD - Este não é um clube qualquer. Foram 13 anos em que procurei construir e fazer do ABC um grande clube. Conseguimos durante um bom período esse desígnio, vencendo em casa equipas fortes como o Barcelona, o Kiel, o Zagreb, entre outros. Ninguém saiu vencedor em nossa casa. Por negligência ou incompetência de algumas pessoas, ver tudo isso ir por água abaixo deixa-me muito, mas muito magoado.
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