Luís Frade: «Portugal já não fica aquém de ninguém»

Pivô português do Barcelona destaca o percurso da seleção de andebol após conseguir a melhor classificação de sempre num Europeu

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Luís Frade celebra o 5.º lugar de Portugal no Europeu frente à Suécia
Luís Frade celebra o 5.º lugar de Portugal no Europeu frente à Suécia • Foto: Lusa/Epa

 O pivô português do Barcelona, Luís Frade, destacou esta quarta-feira o percurso da seleção lusa, após conseguir a melhor classificação de sempre num Campeonato da Europa de andebol, sem ficar aquém de ninguém.

"Acho que este grupo tem trabalhado muito bem e sentimos que podemos bater-nos com qualquer uma equipa. Já não ficamos aquém de ninguém. Já é uma coisa inata o elevar do nosso nível e a maneira com que discutimos todos os jogos contra equipas de renome. É isso que nos está a dar mais alegria e mais entusiasmo", afirmou Luís Frade, em entrevista à agência Lusa.

Menos de uma semana depois de ter conquistado o quinto lugar na edição de 2026 do Europeu, o pivô, de 27 anos, reconheceu que esta classificação, os embates renhidos com Alemanha e Noruega e, sobretudo, a inédita vitória frente à tetracampeã do mundo e agora campeã europeia Dinamarca, são reveladores da evolução lusa.

"[A vitória frente à Dinamarca] também [demonstra isso], mas não só. Nós temos jogos contra a Alemanha e contra a Noruega em que sabemos que fomos iguais ou superiores e que o jogo acabou por não cair para o nosso lado. No final, resume-se a ser andebol e o andebol é isto. Sentimos que estamos lá, que estamos bem, que temos a oportunidade de ganhar os jogos. Já não existe aquela discrepância tão grande que existia há uns cinco ou seis anos", destacou o antigo jogador do Sporting.

Após 98 presenças na seleção principal, as últimas seis na fase final do Europeu, em Herning, na Dinamarca, onde assinou 29 golos, 11 dos quais no empate 35-35 frente à Noruega, Luís Frade tem dificuldade em escolher um jogo como o mais marcante.

Sinto que as aspirações foram cumpridas, porque queríamos melhorar, mas, depois, sentimos que continua a ser pouco...
Luís Frade

Pivô

"Se calhar o nosso apuramento para as meias-finais do Mundial, que foi ótimo. Mesmo sabendo que íamos defrontar a todo-poderosa Dinamarca. Esta presença com o quinto lugar é uma coisa histórica, o apuramento para os Jogos Olímpicos [Tóquio2020]. Acho que são muitos jogos e é muito difícil escolher um", reconheceu, enquanto recordava alguns dos momentos mais importantes de sempre da seleção nacional.

E mesmo com vários títulos conquistados pelos espanhóis do Barcelona, o jogador formado no Águas Santas sente a falta de um com a camisola das 'quinas': "Mesmo que tivesse poucos, fazia sempre falta. Um título pela seleção portuguesa é uma coisa inédita".

Sob o comando do selecionador Paulo Jorge Pereira, Portugal tem elevado a qualidade, com "uma mistura da geração mais experiente, com a irreverência dos mais novos", admitindo que talvez falte alguma rotina de disputar "grandes jogos com grandes equipas".

"Definem-se nos detalhes e, se calhar, as outras equipas têm um bocadinho mais de sorte ou estão mais habituadas a esses últimos momentos do jogo. Eu sinto que estamos num ótimo caminho e temos de continuar neste caminho ascendente", vincou.

Em jeito de balanço da nona presença lusa num Europeu, em que melhorou o sexto posto de 2020, Frade foi pragmático, sem esconder a ambição por chegar mais longe na competição, bem distante da seleção "que entrava nos Europeus com a felicidade do apuramento".

"No final, o quinto lugar é histórico para o andebol português, mas continua a ser apenas um quinto lugar. Sinto que as aspirações foram cumpridas, porque queríamos melhorar, mas, depois, sentimos que continua a ser pouco. Não sei explicar, mas é essa a sensação, a sensação de que podíamos fazer mais e essa é a melhor sensação que podemos ter", rematou o pivô, natural de Rio Tinto, em Gondomar.

Apesar disso, Frade, autor de 239 golos nas 98 internacionalizações, encontrou motivos para festejar: "Ah! Claro que sim. Ficar em quinto é melhor do que em sexto e, depois, obviamente, os nossos objetivos foram cumpridos".

Com presença assegurada na edição de 2027 do Campeonato do Mundo, com o quinto lugar neste Europeu, e no Europeu de 2028, como coorganizador com Espanha e Suíça, o foco luso deve estar em repetir a presença olímpica, mas também em conseguir "grandes classificações" nessas fases finais.

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